Cultivando Comunidades: Quatro décadas de serviço e dedicação

 

 

 

Sou um idealista sem ilusões
John F. Kennedy 

 

A comunidade de origem portuguesa na Califórnia, considerando o seu número num mundo colossal como é este estado (pouco menos de 400 mil num universo de quase 40 milhões) tem tido alguma pujança na esfera política. Se é verdade que na última meia dúzia de anos tem havido esforço coletivo no que concerne à nossa comparência nos centros do poder deste estado, quer a nível nacional, quer estadual, regional ou local, particularmente depois da criação e do trabalho consistente da California Portuguese-American Coalition (CPAC), não é menos certo que a eleição de luso-descendentes para cargos políticos na Califórnia, deve-se, na sua essência, à visão, ao compromisso, e ao trabalho dos próprios candidatos, dos nossos luso-eleitos. É o caso de Jim Costa, uma das vozes mais respeitadas e conhecidas entre todos os açor-descendentes que ocupam cargos eleitos, não só na Califórnia, mas a nível de país.  O congressista Jim Costa é uma estrela portuguesa no firmamento político americano, que defende, com coerência e paixão a terra dos seus avós, os Açores e, obviamente, todo o relacionamento entre Portugal e os Estados Unidos. Como comunidade, somos definitivamente muito mais ricos com a presença de Jim Costa no Congresso dos Estados Unidos da América.  
É bom dizer-se, desde já e em nome da transparência, que conheço o congressista James Manuel Costa há mais de três décadas. Sou amigo dele há muitos anos e nutro um enorme respeito pelo seu trabalho na esfera política, apesar de nem sempre concordar com as suas posições políticas.
Tenho acompanhado a sua carreira política, ora aplaudindo as suas afirmações e o seus votos no nosso processo legislativo, ora discordando, categoricamente, com algumas posições. Quer se concorde, ou não, com algumas posições suas, quer no congresso americano, quer anteriormente em Sacramento, na assembleia e senado estaduais, há algo que é sacrossanto para este neto de emigrantes da ilha Terceira e que louvo, entusiasticamente: a sua paixão pelas nossas ilhas e o seu compromisso na defesa do relacionamento transatlântico, onde Portugal tenha sempre uma voz ativa.  
Jim Costa nasceu e foi criado numa herdade agrícola, na zona de Kearny Park no seio da cidade de Fresno, no centro da Califórnia. Tem vivido toda a sua vida no Vale de São Joaquim, onde a maioria dos emigrantes e luso-descendentes da Califórnia vivem. Tal como muitos emigrantes, os avós de Jim Costa vieram dos Açores para a Califórnia, no começo do século vinte, à procura de outras latitudes e outras oportunidades.  Os seus pais, Manuel e Lena Costa estiveram, como tantos dos nossos compatriotas, com enorme sucesso, no ramo da agropecuária. Depois de concluir os seus estudos secundários no liceu católico de Fresno, San Joaquim Memorial High School, frequentou a Universidade Estadual da Califórnia em Fresno, concluindo a sua licenciatura em ciências políticas no ano de 1974. Após ser assessor dos congressistas B. F. Sisk e John Krebs, ambos democratas da Califórnia, foi chefe de gabinete do legislador estadual e futuro congressista Richard Lehman, também democrata deste mesmo estado. Em 1978, com apenas 26 anos, concorreu ao seu primeiro cargo político, conseguindo ser eleito deputado para a assembleia estadual da Califórnia, cargo que manteve durante 16 anos.  Ao longo desses anos defendeu os interesses da agricultura, quer dos proprietários, quer dos trabalhadores; a necessidade de água e bons sistemas de irrigação para o Vale; melhoramento nos transportes e na habitação, assim como serviços de saúde, particularmente para as comunidades mais rurais, entre outros assuntos de relev6ancia para o cidadão comum.  
Em 1994 foi eleito para o senado estadual, mantendo-se nesta câmara legislativa até à imposição do limite de mandatos em 2002. Nesse ano foi nomeado professor de ciências políticas no Instituto de Assuntos Públicos Kenneth L. Maddy, da Universidade Estadual da Califórnia em Fresno, tendo, simultaneamente, criado uma companhia de consultores políticos, a qual foi reconhecida como uma das mais eficientes neste estado. Em 2004. com a aposentação do congressista Calvin Dooley, decide concorrer para o congresso americano. Depois de umas primárias, extramente renhidas, conseguiu a nomeação do Partido Democrático, e na eleição geral venceu por quase cinco pontos percentuais contra um senador estadual do Partido Republicano. Em 2006 conseguiu concorrer sem qualquer opositor e em 2008 ganhou a eleição com 74,3% dos votos. A eleição mais despicada dos últimos quase 16 anos que está Congresso foi em 2010 quando ganhou por apenas 3,4%.        
O luso-americano Jim Costa representa o vigésimo distrito da Califórnia na Câmara dos Representantes em Washington DC, um distrito extramente competitivo, já que a margem de democratas matriculadas em relação a republicanos é quase insignificante. Conhecido como um democrata conservador, pertence e foi diretor do grupo denominado “Blue Dogs”, que trabalha para programas mais conservadoras no ramo da política fiscal.  Apesar de ser um dos profundos conhecedores do sistema político-partidário na Califórnia, com ligações a todos os históricos do Partido Democrático neste estado, Jim Costa tem mantido a sua distância em alguns assuntos, particularmente no que concerne à agricultura e ao ambiente. Tem dedicado longas horas às comissões do congresso americano dedicadas à agropecuária e ao progresso rural.
Em relação à nossa comunidade de origem portuguesa na Califórnia, Jim Costa mantém estreitas relações com líderes do nosso movimento associativo, particularmente no Vale de San Joaquim.  No último ato eleitoral colocou um anúncio na estação de rádio de língua portuguesa, desta região, KLBS, uma das poucas vozes políticas de origem portuguesa a fazê-lo. É, como referi, um dos políticos luso-descendentes mais respeitados com uma carreira de quatro décadas, 24 anos nas câmaras legislativas californianas e 16 no congresso americano. É um forte apologista de tudo o que se relaciona com o progresso da nossa comunidade de origem portuguesa, particularmente no estado da Califórnia, e um acérrimo defensor da comunidade do Vale de São Joaquim.  Um verdadeiro apaixonado por Portugal, particularmente pelos Açores.  Ainda recentemente, nos diálogos legislativos promovidos pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), afirmou-se perante o Presidente da República, como um “açorcêntrico”, reiterando, publicamente, que o relacionamento especial entre os Açores e as suas comunidades nos EUA, é uma mais valia para Portugal. Mantém ligações diretas com entidades portuguesas e açorianas, e é um frequente apoiante do mundo português em terras americanas, com a sua presença em acontecimentos da nossa comunidade e relembrando-nos, em todas as suas alocuções que somos descendentes de emigrantes. O espírito do emigrante é parte da idiossincrasia deste açor-descendente. O orgulho das suas raízes emigrantes está patente no seu discurso e no seu comportamento. 
Mais, Jim Costa, é para a nova geração de jovens açor-descendentes, que despontam um pouco por todo o estado da Califórnia, e pelo mundo americano em geral, um exemplo a ser seguido e estudado.  Independentemente de onde se colocam na esfera política, os nossos jovens aspirantes a cargos eleitos, têm no veterano James Manuel Costa um exemplo de verdadeiro espírito unificador. As suas sucessivas eleições, desde 1978 até ao nosso quotidiano, foram marcadas por pontes que soube criar entre os vários grupos étnicos que compõem o mundo americano. Tenho defendido, particularmente nos últimos anos, uma maior ligação entre a nossa comunidade e as outras comunidades étnicas. Jim Costa, magistralmente tem feito coligações entre várias comunidades, e daí o seu sucesso. Ele, entende que o valor da comunidade de origem açoriana na Califórnia reside na nossa capacidade de integração, de trabalhar e de criar um mundo melhor, em uníssimo, com todas as outras vozes que constituem o mosaico humano deste multiculturalismo estado.  Daí que aconselharia a qualquer jovem luso-descendente interessado no serviço público a estudar a carreira brilhante de Jim Costa. Uma carreira que sempre abraçou a sua ascendência açoriana, a sua herança portuguesa e a sua descendência emigrante, mesmo quando o rótulo de emigrante tem, infelizmente (e pelas razões que se sabe) conotações menos positivas. Desde sempre, que Jim Costa soube gerar e fortificar laços com outros grupos étnicos com os quais temos muito em comum, desde os arménios aos hispânicos. Não foi por mero acaso que, quando anunciou a sua candidatura ao Congresso dos EUA, fê-lo em frente à estação ferroviária onde há um século os seus avós tinham desembarcado depois de uma longa jornada desde as pequenas ilhas no meio do atlântico até aos vastos campos do Vale de São Joaquim, no centro da Califórnia.  
Jim Costa é um exímio político, mas acima de tudo é um defensor dos princípios mais sagrados para a humanidade: a liberdade, os direitos dos trabalhadores, o direito à educação, a livre circulação das pessoas e as oportunidades para todos. Ainda bem que depois de 4 décadas nos centros do poder, quer em Sacramento, quer em Washington, continua fiel aos seus princípios e um acérrimo defensor de tudo o que é português e açoriano. A nossa diáspora é muito mais vigorosa com líderes como Jim Costa.