Outro acidente aeronáutico

 

 

No passado domingo, a comunidade aeronáutica de voos de lazer, em Portugal, ficou mais pobre quando voltou a perder pilotos. Desta vez, em Leiria, instrutor e aluno piloto perderam a vida num acidente, no mínimo, estúpido (os acidentes aeronáuticos acabam por ser sempre estúpidos!) cujas causas serão agora investigadas e apuradas pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF). O avião incendiou-se após a queda, causando inclusivamente um incêndio na mata onde caiu, obrigando à intervenção dos bombeiros. Ainda este ano, a 16 de março, na zona de Aveleda e Rio de Onor, em Bragança, um voo efetuado por um empresário e um piloto de linha aérea, que havia acabado de ingressar na TAP, fez mais duas vítimas mortais noutro acidente envolvendo outra aeronave ultraligeira. Atenção que há aeronaves de outras aviações também acidentadas. Se não, recordemos o acidente, a 15 de dezembro do ano passado, envolvendo um helicóptero do INEM, em Valongo, onde pereceram os quatro ocupantes: dois pilotos, um médico e uma enfermeira. Também no ano passado, em 20 de agosto, um CESSNA, no seguimento de uma paragem de motor, aterrou na praia de São João, na Costa da Caparica, em Almada, que matou uma menina, saindo a tripulação ilesa.

A inovação na aeronáutica de lazer, em constante desenvolvimento em Portugal, faz com que as aeronaves ultraligeiras, que foi o caso dos aviões envolvidos nestes dois acidentes mortais de 2019, sejam máquinas que, com a evolução tecnológica, adquiram fiabilidade e segurança – 40% do parque aeronáutica nacional é ultraligeiro – tanto que existem hoje aviões ULM com performances muito superiores aos convencionais CESSNA 150 e 152, para não falar nos 172, aviões geralmente utilizados na formação prática de pilotos privados e de linha aérea nas diferentes escolas de voo portuguesas.

Há hoje, em Portugal, um avião ultraligeiro, o SHARK, que atinge velocidades em cruzeiro de 300 quilómetros por hora, mais ou menos 160 nós, muito acima das conseguidas por um mero CESSNA 172 que apenas atinge os 185 quilómetros, cerca de 100 nós.

Ainda está por investigar este acidente em Leiria, mas noventa por cento dos acidentes aéreos são devidos a erro humano. Não quero com isto afiançar já que foi esta a causa do acidente da tarde do passado domingo, no aeródromo José Ferrinho, em Leiria, mas foi certamente a do anterior acontecido em Bragança, quando a aeronave perdeu uma asa em voo, após, segundo consta, ser levada a enormes esforços estruturais (forças da gravidade), num voo que foi quase acrobático.

Um acidente aeronáutico poderá acontecer devido a “n” fatores, que, por serem tantos, não são aqui numeráveis, mas que têm a ver com o estado da máquina, com as condições meteorológicas, onde os ventos e os tetos baixos são preponderantes, mas sobretudo com o cuidado e proficiência do piloto em voo.

É cada vez mais triste perder-se, quase ciclicamente, amigos e colegas pilotos (a comunidade de pilotos é extremamente unida!), mas é um facto que, neste tipo de atividade de lazer, pomo-nos todos a jeito, pois a atmosfera, que não é o nosso meio, tornou-se cada vez menos espaço exclusivo dos pássaros, porquanto é diariamente invadida por homens e máquinas.