Um jantar profícuo

 

 

E as eleições trarão nova vitória ao PS – perguntei. E a resposta unânime foi que sim atendendo à inexistência de uma oposição capaz e à abstenção que voltará a acontecer tal como a que se verificou aquando das europeias

 

Um jantar entre amigos, em Angra, deu lugar a uma discussão sobre o alegado abandono da Terceira face a São Miguel por parte do Governo Regional dos Açores, do ponto de vista do desenvolvimento turístico.

Embora lançando algumas questões para a mesa, prudentemente tive o cuidado de me manter mais ou menos neutral nos diálogos, para depois, então chegado a casa, consultar dados que me dessem outra luz sobre a matéria.

São Miguel teve um aumento de 534 212 passageiros desembarcados, em 2018, para 571 179, até Agosto de 2019, o que lhe trouxe um acréscimo de 36 967 visitas no corrente ano face ao ano anterior; a Terceira teve um aumento de 197 065 passageiros desembarcados, em 2018, para 208 874, em 2019, registando um incremento face ao ano anterior de 11 809 passageiros desembarcados. Verifica-se aqui uma diferença de 25 158 passageiros desembarcados entre estas duas ilhas, com visitantes vindos na sua maioria do continente português. Se atendermos à diferença populacional entre as duas ilhas, São Miguel com cerca de 138 mil habitantes e a Terceira com cerca de 57 mil, o que dá um diferencial de mais de 81 mil habitantes a favor da ilha maior, e também às áreas entre ilhas com São Miguel a registar 744 quilómetros quadrados e a Terceira 402 quilómetros quadrados, uma diferença de 342 quilómetros quadrados, que na nossa pequenez é significativa, julgo que facilmente se depreende que as realidades turísticas entre São Miguel e Terceira não poderão ser iguais.

Foram levantadas ainda questões sobre os encaminhamentos na SATA Air Azores, ditos ruinosos para a Companhia e prejudiciais para todas as ilhas, exceto para São Miguel, argumentando-se que os aviões enchem-se e dado o número limitado de lugares disponíveis os passageiros dificilmente conseguem chegar às ilhas de destino. Os encaminhamentos na SATA Air Azores estarão a ajudar a Terceira?

Tive o cuidado de telefonar a um conhecido empresário terceirense de hotelaria que me disse que grande parte dos alojamentos locais estão à mosca na ilha. Pergunto como, se vemos permanentemente imensos grupos de turistas a percorrerem as ruas das cidades terceirenses e quantidades nunca vistas de carros de aluguer a circular nas estradas da ilha. Há aqui qualquer coisa que foge ao meu entendimento.

Defendeu-se ainda o encerramento imediato da SATA Internacional, nem que tal tenha que ser feito de um dia para o outro. E os Açores perdem a sua companhia de bandeira? A via da reestruturação não será a mais prudente e aconselhável? E depois veio à baila o cais de cruzeiros, que, segundo todos os amigos presentes, deveria ser em Angra e não na Praia – atente-se que os meus convivas eram todos angrenses. A decisão governamental parece estar tomada nesta matéria. O cais irá mesmo para a Praia. Todavia, o cais previsto para Angra terá capacidade para mais tarde vir a ser aumentado, tornando-se num cais de cruzeiros. O projeto previsto assim o indica.

E as eleições trarão nova vitória ao PS – perguntei. E a resposta unânime foi que sim atendendo à inexistência de uma oposição capaz e à abstenção que voltará a acontecer tal como a que se verificou aquando das europeias. Também – advogaram alguns – pela boa governação de Cordeiro em diferentes áreas da gestão pública.

Finalmente, foi abordada a necessidade de haver uma maior equidade na distribuição por todas as ilhas dos valores provenientes do orçamento regional. O orçamento deverá contemplar todos e não apenas alguns, naturalmente tendo em conta a população existente em cada ilha – defendeu veementemente um dos amigos. E como, perguntei.

Dando-se mais autonomia aos concelhos de ilha e atribuindo-lhes a gestão dos valores e o poder de decisão quanto aos investimentos. Seriam sub-governos, ou sub-regiões dentro da Região. Uma ideia original que talvez seja de um dia ter em conta.

Um jantar diferente onde duas ilhas fizeram parte da ementa, neste caso a Terceira e São Miguel, e no mastigar ninguém mordeu a língua, que se saiba. Que hajam mais e que venham outras opiniões para a discussão, pois da discussão diz-se nascer a luz. Nascerá? A ver vamos!