Um Bilhete para o Onésimo

 

           

Caríssimo amigo Onésimo

 

Ontem à noite, pensei em te escrever. Sem adjetivar e nem jogar confetes e purpurinas. Bem sei que não gostas nada disso.  Queria tão somente manifestar a imensa alegria por mais esta merecida distinção que acabas de receber.

Enquanto eu, desde a Ilha de Santa Catarina debruçada na margem de cá do teu Rio Atlântico, matutava “num chove e não molha” sobre o que escrevinhar nestas “mal traçadas linhas” a fim de te cumprimentar pela  atribuição do “Prêmio Mariano Gago”, da Sociedade Portuguesa de Autores , ao “ O Século dos Prodígios” e , reconhecidamente,  considerado o melhor livro de divulgação científica do ano de 2018. Obra já distinguida, com o Prêmio História da Presença de Portugal no Mundo, em novembro do ano passado, pela Academia Portuguesa de História.

Tu, imparável ou verdadeiro “trotamundos” para o escritor e amigo João de Melo, já deste um salto à Ilha de São Miguel e lá fizeste o discurso da festa em homenagem ao Dia Nacional dos Cientistas, 16 de maio, criado pela Assembleia da República em homenagem a esse  ilustre cientista e Ministro da Ciência de Portugal, Mariano Gago, desaparecido em 17 de abril de 2018. Por coincidência neste ano foi celebrado oficialmente na bela Ponta Delgada, tua Ilha natal, tendo por tema “Diálogos entre Mar e Espaço”. 

Nesta tua dobadoira sem fim, deu até para encontrares no aprazível Café Central, no Largo da Matriz, um antigo aluno  acompanhado da família e alunos  em visita  à São Miguel e na saída para o aeroporto  registrares uma curta história ocorrida no bar do São Miguel Park Hotel, local onde o prazer em receber está estampado na cara do gerente e na atenção dos funcionários que vai além do usual bem servir .

E antes que já voltes a Portugal para buscar teu Prêmio, na 4ª feira, dia 22 de maio, em cerimônia que celebrará o Dia do Autor Português e do 94° aniversário de fundação da SPA, vou concluir este bilhete rabiscado às pressas e já com jeito de carta.

Reitero. Embora, não gostes de confetes mereces todos os louros.

“O Século dos Prodígios” é um grande livro e tu um grande autor. Tudo que fazes e produzes é com uma verve investigativa, estudo e competência. Com a tua perspicácia (tão conhecida dos teus leitores)  chamas atenção para o pioneirismo científico dos portugueses neste século dos prodígios, de inovações e muita especulação, como afirmas nas páginas vestibulandas e no papel de “historiador da ciência portuguesa.” Na verdade todo o livro é um passeio por esta época áurea da história de Portugal. Adorei passear  e muito aprendi.

E agora, finalizo. Sem anedotas. Sabes que não sei contá-las. Embora já fui protagonista em algumas histórias que contadas por ti têm alguma piada. A última foi durante o voo de Campo Grande (MS) à São Paulo (SP). Lia muito absorvida o teu delicioso “Correntes D’Escritas & Correntes Descritas”. Tão concentrada que, sem me dar conta do local, rompi numa gargalhada com gosto. Solta. Sem amarras. Quando a aeromoça veio até mim e perguntou-me se estava tudo bem... Caiu a ficha. Restou-me pedir desculpas aos vizinhos circundantes  dizendo que a culpa era das impagáveis histórias contadas pelo autor açoriano Onésimo T. Almeida. Fiquei com cara de “tacho e nada confortável,”  encolhidinha no meu assento 8 A. E, lendo-te, claro.

Um forte abraço ao professor, filósofo, investigador, ensaísta, cronista,  impagável contador de histórias / estórias  e um grande amigo para o que der e vier, sempre.                

Parabéns, Onésimo.

Lélia

 

     Florianópolis, 21 de Maio de 2019