Para onde vamos a partir daqui?

 

 

 

Há que criar uma democracia vibrante,

dialogando diretamente com o povo na rua,

nos cafés, em debates, nas municipalidades,

em demonstrações públicas, e batendo

à porta das pessoas.

 

A eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos, na noite de 8 de Novembro de 2016, foi uma desilusão para Bernie Sanders, sobretudo por não encontrar uma resposta lógica e plausível para perguntas como estas: Como foi possível eleger um homem, que durante a campanha eleitoral, se revelou odioso, racista, e xenófobo? Um homem que se gabava de ter assediado mulheres? Um homem que, como businessman, tinha sido alvo de mais de 3,000 ações judiciais? Um homem que mente repetida e desavergonhadamente? Um homem com tão pouco interesse e conhecimento de políticas governamentais?

Bernie Sanders, ao tomar consciência do perigo da nova realidade política, publica em 2018 o livro Where We Go From Here, cujo objetivo aparece explícito na contracapa do mesmo: Devemos criar uma democracia vibrante, onde se ouçam as vozes de todo o povo. Devemos construir uma nação que lide o mundo na luta pela paz, na justiça económica, social, racial e do meio ambiente.

Bernard Sanders, de 77 anos de idade, nascido em Brooklyn, Nova Iorque, formado pela Universidade de Chicago, antigo presidente da Câmara de Burlington, no estado de New Hampshire, identifica-se como um democrata-socialista progressista que concorreu à presidência do seu país em 2016. Insurge-se contra a desigualdade económica de classes e pretende lançar as bases de um movimento progressista e revolucionário que possa fazer face à ambição e política dos bilionários. Como ponto de partida, lembra que as mudanças revolucionárias fazem-se debaixo para cima e não vice-versa.

O tom do discurso da tomada de posse do presidente Donald Trump, para Bernie Sanders, foi diapasão indicativo da hipocrisia e demagogia da sua presidência. Numa altura, em que historicamente já se estava a fazer progresso na destruição das barreiras da discriminação, Trump incendeia a desunião e tem a ousadia de dizer ao povo americano que este era o seu dia, quando, na realidade, ao formar o seu gabinete com um número substancial de bilionários, cada vez mais se distanciava desse mesmo povo.

Imediatamente a seguir à eleição presidencial de Trump, o senador Sanders foi convidado para fazer parte da equipa de liderança do Senado Democrático; foi então que ele afirmou: A resistência principiou e é minha intenção suportá-la na sua totalidade.

Uma das componentes da revolução política de Sanders é estabelecer uma nova maneira de comunicar. Não vê os Média como fake news ou the enemy of the people, mas insiste em que terão que prestar mais atenção à força dos interesses económicos das grandes companhias e às necessidades da classe operária.

No livro Where We Go From Here, o autor especifica objetivos da sua política governamental progressiva que passo a referir:

Justo salário. Bernie Sanders rejeita a ideia de que alguém trabalhe 40, 50, ou, até mesmo, 60 horas por semana e viva em pobreza ou, então, apenas lutando para a satisfação de necessidades básicas. Prossegue com as seguintes perguntas: Porque será que no país mais rico do mundo coexiste tamanha desigualdade de riqueza? Porque será que milhões de pessoas têm que trabalhar em dois ou três empregos? Porque será que na era de uma economia tão lucrativa, o salário mínimo é de $7.25 à hora? Felizmente, no país, a tendência atual é a de apoiar um salário mínimo de $15.00 à hora. Também, não obstante estar-se a caminhar para um salário mais equitativo, a mulher ainda ganha menos do que o homem; ainda não se alcançou a meta de equal pay for equal work.

A indústria farmacêutica não serve o que deve ser uma democracia civilizada; obtendo lucros exorbitantes, cobra aos americanos os preços mais elevados do mundo. Muitas pessoas vêm-se forçadas a desistir de uma forma de tratamento médico adequada, ou a endividarem-se. Sabe-se que pessoas da terceira idade cortam os seus comprimidos em duas partes para que a medicação siga sem interrupção. A força politica dessas companhias, através de grupos de pressão, é fenomenal. A corrupção é inevitável.

Seguro de saúde – um direito fundamental e não um privilégio – continua a ser negado a milhões de cidadãos.

No sector da educação, Bernie Sanders equaciona a prosperidade económica de um país com o seu nível educacional, por isso propõe educação gratuita para todos os cidadãos, como já se faz noutros países. Lamenta que muitos estudantes não prossigam estudos por razões financeiras ou, então, contraiam empréstimos que os deixam em dívida por uma vida inteira.

Bernie Sanders aposta na juventude. Ela será a grande impulsionadora do movimento progressista. As urnas eleitorais necessitam do peso do seu voto para contrabalançar o de uma população mais idosa e conservadora. Faz as seguintes observações acerca da juventude contemporânea: Necessita de trabalhos gratificantes profissional e monetariamente, assim como de uma habitação condigna. Está interessada em combater mudanças climatéricas e em promover uma limpeza sustentável do meio ambiente. Acredita nos direitos da mulher, incluindo o direito à autonomia do seu corpo e à igualdade de géneros. Opõe-se veementemente ao racismo, sexismo, homofobia, xenofobia, e intolerância religiosa.

Justiça criminal. Segundo Bernie Sanders, esta é uma área onde muito trabalho tem que ser feito ao considerar-se que, nos EEUU, há mais indivíduos na cadeia do que em qualquer outro país. O número de negros na prisão ultrapassa o dos brancos; muitos são encarcerados sem terem sido julgados culpados de nada e lá ficam por serem pobres e não terem dinheiro para pagar a fiança. Certos promotores de justiça pensam criar alternativas mais humanas e construtivas que a encarceração.

Imigração. Bernie Sanders é da opinião que o Sr. Trump coloca-se no lado errado da justiça e decência, ao atacar e perseguir imigrantes indocumentados. É que, segundo Bernie Sanders, a maioria dos americanos apoia uma reforma compreensiva da imigração, alvejando o caminho da cidadania para 10 milhões de pessoas indocumentadas no país.

Armas de fogo. A violência causada por armas de fogo nos Estados Unidos, o fácil acesso às mesmas e respetiva falta de controlo, e a ausência de uma legislação adequada têm causado discórdia na sociedade americana. Para Bernie Sanders, uma solução será apoiar candidatos para presidente e membros do Congresso que representem a vontade do povo americano e não a da NRA (Associação Nacional do Rifle).

Necessita-se uma política internacional que vise a paz – não a guerra – e enfrente a situação da mudança de clima. Na sua agenda de trabalho, Bernie Sanders promete apoio contínuo aos veteranos e professores, assim como às vítimas do furacão Maria, em Porto Rico.

Bernie Sanders ficou surpreendido com a atenção dada à sua companha eleitoral de 2016. Recebeu um grande número de convites de quase todos os países da Europa, assim como da Ásia, América Latina, e Médio Oriente. Apercebeu-se de uma certa fatiga, na Europa, pelo status quo da sua política e constata que a sua ideologia socialista será mais facilmente aceite do que nos Estados Unidos.

Where We Go From Here - Está-se na linha do progresso. Assim crê Bernie Sanders. O americano está a reagir contra o presidente mais desonesto e reacionário na história dos EUA. A América está mais unida do que a Média deixa transparecer. Estamos prontos para reparar o estrago que o presidente Donald Trump está causando, porque estamos unidos pelos princípios de justiça económica, social, racial e ambiental e acreditamos nas palavras de Abraham Lincoln em Gettyburg: o nossso movimento é “of the people, by the people, for the people”.