A Igreja de Providence Off Side?

 

 

“Abortion is worse than pedophilia, which doesn’t kill anyone”. (A prática do aborto é pior do que a pedofilia, que não mata ninguém). Não se trata de uma tese tomista, mas sim de uma afirmação feita pelo pastor da Igreja Sacred Heart, em West Warwick, RI, e secundada pelo prelado da diocese.. A afirmação gerou controvérsia na comunidade e na Mídia, como se pode ver no Providence Journal de 13 de Fevereiro do corrente ano, em artigo da autoria de Brian Amaral e Catherine Gregg e nas páginas da Internet em entrevista dada ao Bispo Tobin pela estação da televisão WJAR, em Providence, onde residem muitos portugueses.
De acordo com a sua lógica, o pároco da referida Igreja tomou as seguintes medidas: negar a comunhão a legisladores que apoiassem o aborto e proibi-los de serem padrinhos e de lerem em casamentos e funerais. Panfletos, com a descrição destas medidas, foram distribuídos aos paroquianos e enviados, pelo correio, aos legisladores. Estes dirigiram-se ao prelado diocesano, exigindo a resignação do sacerdote. 
O Bispo respondeu com dois tuites – Num, afirmando que “ninguém tem o direito ao privilégio de receber a Sagrada Comunhão.” Noutro, dizendo ser importante afirmar que ambos, o aborto e o abuso sexual de crianças são ações horríficas e imorais com sérias consequências”. Contudo, o Pe. Richard Bucci continuou a afirmar-se e foi numa entrevista dada à WJAR-TV, a 13 de Fevereiro, que o sacerdote insistiu: “a pedofilia não mata ninguém, mas o aborto mata”. Ainda acrescentou: “ mais crianças morrem vítimas do aborto do que do abuso sexual”. – Os vitimizados continuaram a manifestar a sua indignação. O padre não pediu a sua resignação e o bispo manteve-se silencioso.
Os eventos, à volta deste caso, teriam sido outros, se à partida, como seria de esperar, o sr. Padre e o sr Bispo tivessem seguido a rota do Evangelho. Veja-se: 
Condições para entrar no Reino de Deus. Mateus, 18:1-6:
“Naquele momento, os discípulos aproximaram-se de Jesus, e perguntaram-Lhe: < <Quem é o maior no reino dos céus? >> Ele chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: em verdade vos digo se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no reino dos céus. Quem pois se fizer humilde como este menino será o maior no reino dos céus’.” 

O evangelista continua. Mateus, 18:6: “Mas se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem em volta do pescoço uma mó do moinho, das movidas por jumentos, e o lançassem nas profundezas do mar. “

São Mateus, em linguagem direta, não deixa margem para interpretações: 18: 8: “Se a tua mão ou o teu pé são para ti motivo de pecado, corta-os e lança-os para longe de ti: mais te vale entrares na vida manco ou coxo do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, seres lançado no fogo eterno.”

O tirar a inocência a uma criança, na Lei de Deus é pecado castigado pela “Geena do fogo” (Mateus, 19: 9) e, na Lei Civil, é crime que leva à prisão. Os próprios prisioneiros, na prisão, rejeitam agressivamente o molestador de crianças.
Uma vez mais, o líder espiritual da Igreja Sacred Heart, em Warwick, RI, no seu tratamento dos legisladores, desviou-se do espírito cristão prevalente nas Escrituras. Vejam-se algumas passagens:
A privacidade da correção fraterna. Mateus, 18:15: “Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e corrige-o a sós.”

A delicadeza e sensibilidade da correção. Na Carta de São Paulo aos Gálatas, 6:1, lê-se: “Irmãos, se algum homem for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, admoestai-o com espírito de mansidão: e tu examina-te a ti mesmo, não venhas também a ser tentado.”

O Papa Francisco, pontífice de “linguagem acolhedora”, na sua humildade característica, uma vez, com aplauso universal, disse: “mas quem sou eu para julgar?”. Na verdade, lê-se na Carta de São Tiago, 4:12: “Há um só legislador e um só juiz que pode salvar e condenar. Mas quem és tu que julgas o teu próximo?” 

O pontífice reinante, logo no princípio do seu pontificado, mostrou a sua preferência por “pastores que cheiram a lã de ovelha”. Põe de parte a arrogância de uma Igreja institucionalizada e politizada e segue as peugadas do Bom Pastor, alegrando-se com o regresso, ao redil, da ovelha perdida ou, ainda, com a volta a casa do filho pródigo. 

De resto, sr. Padre, o aborto, independentemente de qualquer afiliação politica, só será evitado pela consciência humana ou religiosa de cada pessoa e os lugares mais adequados para cultivar e adquirir essa consciência são uma catequese metodicamente estruturada e homilias ricas em conteúdo evangélico.