O leitor apercebeu-se?

 

Não há quem não conheça o permanente combate da nossa Esquerda, bem como do PS, a Víctor Orban, como também ao poder político polaco, este menos badalado, dado ser a Polónia um Estado católico, de onde nos surgiu João Paulo II. À luz dos valores europeus, estes são dois dos diversos Estados que se vêm afastando do modelo de democracia que vigora, por exemplo, em Portugal, na Alemanha e noutros Estados da União Europeia.
Um ponto central do referido conjunto de valores é a separação de poderes, tema constantemente badalado entre nós, mormente pelos detentores da nossa soberania. Se alguém se determinar a estudar os discursos, ou as intervenções, dos nossos políticos, facilmente se dará conta de que não há político que não aponte a separação de poderes como algo de essencial, domínio onde nos situaremos no pelotão da frente.
Ora, num dia destes teve lugar em Espanha um verdadeiro atropelo do Tribunal Constitucional sobre a ação política de legislar. Tal como há dias escrevi, de Felipe Gonzalez nem uma palavrinha. E o mesmo se dá entre nós, seja com a esmagadora maioria da classe política, seja com os próprios jornalistas. Se é verdade que o tema foi noticiado, também o é que num ápice caiu no olvido, situação diametralmente oposta à assumida com Víctor Orban, ou, mais tangencialmente, com os políticos polacos.
Será que o leitor se apercebeu deste esquecimento veloz do caso ora passado em Espanha? E reparou como Zelensky visitou os Estados Unidos, sem que ninguém tenha abordado o caso do suposto negócio do filho de Joe Biden, que se mantém sem que as autoridades norte-americanas se preocupem com o tema? Enfim, duas manifestações do princípio da separação de poderes, mas no Ocidente... 

O leitor apercebeu-se?