O bom senso tem de triunfar

 

 

Francisco Ramos, na condução das funções que lhe estão confiadas, apresentou um programa de vacinação, que tem vindo a ser implementado. Vivendo nós em Portugal, naturalmente, teriam logo, quase desde a primeira hora, de surgir críticas, sugestões de mudança, novas perspetivas, etc.. O Portugal no seu modo mais ancestral de estar, pequena feira de vaidades, com mil e um a colocarem-se em bicos de pés.
Nada disto teria grande importância, não fora o nefando papel da grande comunicação social, alimentando este ou aquele caminho de picardia, infelizmente com quase nula repercussão na melhoria da nossa comunidade humana, agora tão atingida pelo novo coronavírus e pela COVID-19. Num ápice, pois, aí nos chegaram as novas discussões televisivas sem fim ao redor do critério de vacinação. No entretanto, os nossos jornalistas evitam, a todo o custo, colocar no prato da análise da vacinação, e dos seu efeitos, o facto de Portugal, como os restantes Estados da União Europeia, estar dependente dos produtores das vacinas. Uma coisa é estabelecer um contrato a tempo e horas, outra é poder usufruir do mesmo.
Acontece que a sociedade portuguesa é muitíssimo marcada pela inveja, que tudo acaba, de um modo ou de outro, por ir condicionando. E também aqui a grande comunicação social vem desempenhando um nefando papel, porque acaba por hipertrofiar, por via de mexericos sem valia ínfima, aquela terrível marca dos traços culturais portugueses. 
Por via desta omnipresente realidade, passámos a ter também o novo problema das vacinas, sendo que, dentro deste, temos agora o presente caso da vacinação do autarca de Reguengos. Uma situação com alguma lógica, porque muitos se recordarão de como este autarca esteve sempre presente durante o desenvolvimento do surto no tal lar em que faleceram quase duas dezenas de concidadãos nossos.
Eu compreendo bem que um provedor de uma misericórdia deva ser vacinado logo ao início, sobretudo se a mesma dispuser de um lar de concidadãos idosos e se o provedor, de um modo ou de outro, tiver de entrar nas instalações em causa ao dia-a-dia. E esse pareceu-se ser o caso do tal autarca, que quase diariamente era entrevistado por um qualquer canal televisivo. A verdade nacional, porém, é que temos agora o novo caso do autarca vacinado de Reguengos.
No meio de tudo isto, parece que, finalmente, irá triunfar o bom senso: os detentores de soberania, ao que agora já se noticia, irão ser vacinados. E isto é lógico e natural, porque se eles são os nossos representantes, é essencial que disponham de todas as condições para poderem continuar a exercer essas funções. E portanto, também as respetivas famílias nucleares, em face do que se conhece, neste momento, sobre a possibilidade de alguém já vacinado poder ser infetado.
Somos portugueses e somos como somos. Infelizmente, há essa nossa marca histórica, muito derivada da pobreza muito endémica, que é a inveja. Mas há que fazer um esforço, procurando contrariar esta força que parece não deixar de atuar sobre o tecido social português. O bom sendo tem de triunfar.