Coisas deveras significativas

 

 

A chegada do COVID-19 ao nosso planeta, já sob a forma técnica de uma pandemia, criou, como se tem podido ver, constrangimentos terríveis. Até uma ampla tragédia humanitária quase-global. Mas permitiu também, em contrapartida, mostrar muitas coisas deveras significativas, em geral como que encobertas pelo manto das designadas amplas liberdades do Ocidente. Vejamos algumas destas coisas.
Em primeiro lugar, os médicos chineses chegados a Itália. Quem tenha podido estar atento, e disponha de um mínimo de perspicácia, ter-se-á dado conta de que as palavras do médico italiano para com os seus colegas chineses não se constituíram em mera cortesia. O que aquelas palavras mostraram foi o reconhecimento da alta qualidade daqueles especialistas chineses, que terão levado à bela Itália e ao seu povo um apoio técnico com grande impacto. Uma coisa muito significativa.
Em segundo lugar, o constante brandir de que a China só pôde fazer o que fez por ser uma ditadura. O problema, por quase toda a Europa – agora, até nos Açores e na Madeira! –, é que toda a classe política ocidental, sempre em nome da dita democracia, está a aplicar aqui o que o Governo Chinês praticou na província de Ubei, mormente na cidade de Wuhan. É bem o velho ditado popular digno de registo, a cuja luz deves fazer o que eu digo, mas não o que eu faço... Mais outra coisa deveras significativa.
Em terceiro lugar, a infeliz conversa da académica Susana Peralta, no seu diálogo de ontem com Ricardo Arroja. Pois, a nossa académica teve o arrojo de apontar às autoridades chineses o ligeiro atraso inicial, sem o qual – sabe-se lá?...– tudo o que se tem podido ver talvez nem tivesse chegado um infinitésimo. Infelizmente, a nossa Susana esqueceu-se dos Estados Unidos e do seu líder supremo, o bronco Donald Trump, que tanto mal tem projetado por todo o mundo. E esqueceu-se, por igual, de reconhecer o horror de uma sociedade – a norte-americana – onde o direito a tentar salvar a vida é só para quem possa pagar 3000 dollars por uma análise à presença do coronavírus. Uma terceira coisa deveras significativa.
Em quarto lugar, as fantásticas e honestíssimas palavras de Manuela Feireira Leite, na TVI 24, na noite de ontem: Há uma coisa que nós sabemos, é que não há Serviço Nacional de Saúde, (SNS), em nenhum país que tenha a capacidade de, simultaneamente, atender tantos doentes ao mesmo tempo. Parabéns, Manuela! Consigo imaginar os horrores ontem vividos pelos mil e um que há tanto – desde o seu nascimento – sonham com a destruição do SNS, em particular, e com o Estado Social, de um modo mais geral. Parabéns Manuela Ferreira Leite!! E parabéns, por igual, a António Arnaut, que soube lutar, denodadamente, pela saúde dos portugueses, ricos ou pobres. É a quarta coisa deveras significativa.
Em quinto lugar, as palavras do nosso concidadão, André Vitorino, a residir na China. Pelas 16.10 deste domingo – 15 de março –, surgiu na TVI 24 uma curta entrevista que concedeu àquela estação, por via de Conceição Queirós. Uma entrevista que tudo faz crer ter sido operada sem ser em direto, porque o noticiário estava a ser conduzido por um jovem.
A dado passo, perguntado por Conceição sobre se pensava regressar a Portugal, o André respondeu que não, não, não...e agora muito menos!, porque (aqui) estamos a falar de um país que tem as regras bem explícitas, os cidadãos todos estão a cumprir, há montes de portugueses aqui, com quem estamos em contacto, não aconteceu nada a ninguém...já está tudo a trabalhar, as lojas abastecidas, os supermercados a funcionar, e a única coisa que eles estão a adiar é o início das aulas. E continuou: nós aqui estamos a acompanhar tudo, compreendemos o estado de alerta, ok!, mas não o chegar-se a um estado de loucura...
Esta conversa não chegou ao seu fim, que se percebe qual deveria ser: o estado de loucura é o que varre hoje o espaço da União Europeia, autêntico barco à deriva, e logo com duas mulheres aos seus dois lemes, embora haja que reconhecer que Lagarde nada tem de timoneira, antes de coveira. Não é qualquer um que sucede a Mário Draghi.
Seria muito interessante que a TVI 24 nos prendasse, já nos noticiários de hoje, com a conversa completa que Conceição Queirós manteve com o nosso concidadão André Vitorino, embora seja altamente improvável que nos seja dada a oportunidade de pode escutar tudo o que André ali expôs sobre o tal estado de loucura... Uma quinta coisa muito significativa.
E, em sexto lugar, mais uma explicação, entre nós surgida – subordination politique oblige...– à laia de teoria da conspiração. O primeiro caso de COVID-19 surgiu na China, em Wuhan, em novembro de 2019. Porém, no outubro anterior, tiveram ali lugar os Jogos Militares Mundiais, em que participou, entre muitas outras, a seleção dos Estados Unidos. Convém consultar a Wikipédia, entrando em World Military Games.
Ora, há um tempo atrás, o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Robert Redfield, admitiu, perante certa comissão do Senado, que alguns norte-americanos que aparentemente morreram de gripe, foram posteriormente testados positivos para o COVID-19. Perante este reconhecimento público, de resto deixado em ambiente muito nebuloso, Zhao Lijian, Porta-Voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, veio expor ao mundo que pode ter sido o Exército dos Estados Unidos a ter levado para Wuhan o COVID-19.
Zhao Lijian não disse que o acontecimento foi premeditado, mas jogou com as revelações de Robert Redfielf perante o Senado. Salientando que este último foi encostado à parede naquela comissão do Senado, pergunta qual a data exata de surgimento do paciente zero nos Estados Unidos, perguntando, também, o número de pessoas infetadas naquelas circunstâncias, bem como os nomes dos hospitais. E termina com esta exortação à consciência dos políticos norte-americanos – eles têm-na?: sejam transparentes, tornem públicos os vossos dados, porque nos devem uma explicação!
A verdade é que o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, mandou logo chamar o embaixador da China em Washington, mas nada mais foi esclarecido. Mormente no respeitante à matéria colocada nas perguntas de Zhao Lijian. Enfim, podemos tomar tudo isto como mais uma coisa deveras significativa.
Em síntese: os mais recentes Jogos Militares Mundiais tiveram lugar em Wuhan, em outubro passado; esteve presente uma seleção militar dos Estados Unidos; surgiram nos Estados Unidos, em hospitais não revelados, casos de COVID-19, que conduziram a mortes, mas tendo-se admitido ser outra doença respiratória; reconheceu-se, mais tarde, que haviam morrido de COVID-19; as autoridades norte-americanas dizem desconhecer tudo sobre quantidade, datas e hospitais; em novembro surgiu o COVID-19 em Wuhan. E, como facilmente se percebe, tudo isto é uma coisa deveras significativa...