Afonso Mendes, Patriarca da Etiópia

 

Teólogo formado nas universidades de Coimbra e de Évora, Afonso Mendes foi patriarca da Etiópia no século XVII, quando o imperador Susénios decidiu abandonar o cristianismo ortodoxo e converter-se ao catolicismo. Nascido em 1579 na aldeia de Santo Aleixo, perto de Moura, Mendes impressionou pelos dotes intelectuais tanto os reis de Portugal (na época, os Filipes) como o papa Urbano VIII, que o enviou para a Etiópia, a terra do mítico Prestes João. 
Nomeado em 1622 patriarca, só chegou ao destino em 1625, depois de uma atribulada viagem que teve etapas tão diferentes como Moçambique, Índia, Somália e Eritreia. Não foi fácil a tarefa do alentejano em terras africanas, pois a população resistiu a adotar o rito católico, e quando o novo imperador Fasiladas subiu ao trono, os jesuítas foram finalmente expulsos em 1634. 
Preso pelos turcos, Mendes teve de pagar um resgate para poder viajar para Goa, na Índia Portuguesa, onde viveu até à sua morte em 1659. 
Nunca se livrou da fama de autoritário e de intolerante enquanto foi patriarca da Etiópia, mas deixou obra muito importante sobre as tradições esse país, como é o caso de ‘Expeditiones Aethiopicae’, escrita em latim.

 

* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.