Vivemos no Dubai?

 

Os Açores não possuem petróleo, mas parece que vivemos no Dubai, a julgar pelo comportamento dos nossos governos, que compram empresas falidas como se vivêssemos no maravilhoso mundo das arábias.
 Já o Dr. Álvaro Monjardino, na sua imensa sabedoria, dizia que a maior indústria extractiva dos Açores era o subsídio.
E continuamos a explorar esta indústria de forma imparável, ao mesmo ritmo que nos posicionamos no fundo da tabela dos indicadores de competitividade, da coesão e, claro, da pobreza.
Os campos de golfe dão milhões de prejuízo? Não há problema, o governo compra.
Uma fábrica de açúcar está á beira da falência? Não há problema, o governo compra e enterra lá mais uns milhões.
Uma fábrica de conservas não se aguenta? Não há problema, o governo vai acudir e assume o passivo.
Um hotel vai falir? Não há problema, o governo compra ou dá um aval de mais uns milhões.
O governo é magnânimo.
Só tem um problema: o dinheiro que o governo dá, é nosso, dos contribuintes.
Como nenhum cidadão tem um poço de petróleo no quintal, os milhões aplicados nessas empresas públicas falidas têm um significado: é menos dinheiro que os cidadãos vão beneficiar para melhorar o seu sistema de saúde, a educação dos seus filhos ou a criação de riqueza e empregos para as novas gerações.
Quando os governos agem assim, distribuindo as nossas poupanças por projectos falidos e mal geridos, o que é que merecem?
É mandá-los para o Dubai!

****

MAIS MILHÕES - Ou muito me engano ou vamos a caminho de mais um projecto ruinoso que nos vais custar mais uns milhões.
Os nossos governos meteram-se com os barcos e abriram um buraco do tamanho da fossa do Hirondelle, brincaram aos aviões e deixaram-nos uma cratera maior do que os Capelinhos e andam, agora, a meter-se nas coisas do Espaço, provavelmente para herdarmos mais uma galáxia de milhões perdidos no buraco negro do universo.
O que se anda a fazer com o projecto do SpacePort em Santa Maria é de bradar aos céus.
Só quem está por dentro dos meandros de todo este processo, que já vai de alguns anos, é que sabe quantas vezes tem de se benzer sempre que os governos metem lá o bedelho.
Tudo mal feito, gente incapaz e um espalhanço de incompetência, como muito bem disse o célebre ministro Heitor.
Sabe-se agora que vai haver novos episódios: acaba de ser  publicada a resolução nº 106, do Conselho do governo, que revoga a anterior resolução nº 293/2021 , que esteve em vigor apenas 6 meses!
Esta traz como novidade uma alteração nos vencimentos dos membros, ou seja um aumento mensal da despesa com as remunerações de 35%!
E mais: produz efeitos a 1 de Maio, tendo sido aprovada a 9 de Junho!
Ao mesmo tempo, fala-se que os membros actuais da EMA (Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço) foram chamados a semana passada ao Sub-Secretário, que lhes comunicou que irão ser exonerados.
Não se sabe quem virá, mas ouvem-se nomes, que a serem verdade entrega o destino desses assuntos a Lisboa.
Por indicação da tutela, todo o processo relacionado com o SpacePort esteve parado, o que é confirmado pelas declarações do Sub-Secretário em Santa Maria.
Resumindo: vamos de foguetão, como era de prever desde o início, para mais um projecto que aterrará nas nossas algibeiras.
E não há maneira de aprendermos.

 ****

OUTROS MILHÕES - A SATA é outro caso sério de gestão ruinosa no nosso Dubai regional.
Chegou a factura dos milhões? Não há problema, estamos aqui para pagar.
É a herança dos nossos políticos, alguns deles ainda têm a distinta lata de virem criticar a reestruturação.
É preciso não ter vergonha na cara, depois de se ter acumulado um passivo de 700 milhões de euros, mais do que todo o PRR destinado aos Açores, vir contestar opções racionais e racionalizantes de uma intervenção governativa que, no passado, foi, de facto, desastrosa e ruinosa.
 Escamotear essas responsabilidades é um verdadeiro ato de autismo (para não lhe chamar outro nome) perante tamanho desmando da responsabilidade de governantes, administradores e deputados, que sempre fizeram orelhas moucas aos imensos alertas sobre como o rei ia nu.  
Há por aí muita gente assolada por uma amnésia terrível e por uma falta de capacidade analítica ainda pior.
Dedicaram-se a cavar a miséria dos Açores e criaram um contexto de pobreza crónica profunda e persistente, delapidaram o património público com políticas desastrosas nos transportes marítimos, aéreos e terrestres, e ainda nos vêm dar lições sobre como é que, agora, se devia fazer.
Isto sim, é gozar com quem trabalha.