Quem ganhou e quem perdeu?

 

Pelos discursos a quente pela noite adentro das últimas eleições autárquicas, o povo de todo o país ouviu, boquiaberto, que todos cantavam vitória. Nenhum partido político se curvou, com humildade e respeito, aos resultados fatuais. O partido socialista, perdendo a sua joia da coroa (Lisboa) só afirmava que ainda é o partido com maior número de autarquias no país. O partido social democrata, por sua vez, respirava fundo pelos pulmões de Rui Rio, que salvava o seu barquinho por mais alguns meses até à próxima convulsão partidária – leia-se convenção nacional. E afirmava vitória histórica ao ganhar mais algumas Câmaras. O bloco da esquerda envergonhada, deixou de afirmar-se força nacional. Reconheceu que ficara aquém, mas… poderia ter sido pior. Assim reduzido a partido vulgar e meramente urbano. O partido chega, gritou vitória estrondosa, enquanto os especialistas continuam a procurar onde…?
O partido comunista, com a sua velha guarda pretoriana a desaparecer, tentou desviar as atenções da derrota de alguns recantos simbólicos no Alentejo, com o discurso e ameaça de oposição cada vez mais forte ao governo. O PCP, com o disfarce CDU, é um velho animal em vias de extinção.
Quanto aos restantes partidos, pequenos ganhos aqui e ali, mas nada de relevante no computo geral.
Nas Ilhas Açorianas, foi mais do mesmo. Vasco Cordeiro veio a terreiro repetir o discurso de António Costa: O PS continua com o maior número de autarquias.
Nem uma única palavra nacional sobre os dezanove municípios ganhos em todo o país por independentes. A cidadania progressiva está a ganhar terreno e essa sim, começa a ser muito interessante em Portugal. Os cidadãos tomam em suas mãos os poderes municipais e mais não fazem porque a “democrática” Constituição portuguesa não o permite. No entanto a nenhum político profissional interessou debater em público essa participação cívica.
Em todo este cenário eleitoral, houve, no entanto, uma vitória: A da Democracia. O Povo botou palavra e fez calar as sondagens mais sofisticadas (ou viciadas) que cantavam vitória do PS na capital do império. A arrogância mediática de Fernando Medina, que gozava de larga exposição enquanto comentador televisivo, caiu por terra. As suas ambições estão bem chamuscadas. Moedas não ganhou; Foi Medina que perdeu.  

Afinal, o Povo é sábio!