Fora da caixa

 

“O Estado deve limitar-se à sua específica função reguladora e deixar que a iniciativa social e coletiva percorra os trilhos do progresso. O Estado está lá para facilitar essa iniciativa. Nunca para emperrar. As exceções impõem-se quando e sempre que uma iniciativa possa ser nociva à sociedade em geral.
O Estado deve respeitar a razão adulta dos seus cidadãos e jamais pensar ou tentar pensar por eles.
O acompanhamento fiscalizador permanente é necessário, mas sem ser constantemente empecilho. Da iniciativa privada provém o único progresso de qualquer sociedade moderna.
Do Estado, provém o impulso construtivo, limpo e honesto, de que esse progresso acontece”.
Este é um enxerto do final de uma crónica da minha autoria publicada em 12 de abril de 2005 no ‘Açoriano Oriental’ com o título Tolerância Permissiva. E continua…
“Estado permissivo ou Estado tolerante?
A diferença está na linha que separa a perspetiva de cada um. Séculos de monarquia absoluta, seguidos de alguma monarquia constitucional com azedumes, que por sua vez foi aniquilada por uma república embrionária, acanhada e mesquinha que abortou e, com a mistura de umas toneladas de ditadura autocrata, originou uma receita explosiva que fundiu a personalidade do povo tal como está hoje e que agora tenta levedar o bolo com pequenas quantidades de democracia moderna.
É uma herança pesada, da qual ainda nos esforçamos por mudar, melhorar, modernizar, mas que terá de ter o seu percurso natural, incluídos que estamos no resto do Universo. E este não se compadece com estados d’alma mal fundidos.”
Hoje, em pleno verão de 2021 e com 16 anos de distância do acima exposto, o “Jornal de Negócios” traz uma afirmação de um cidadão português, adulto e responsável: Luís Todo Bom, que afirma o seguinte: “Só um louco investe em Portugal”, condenando o “calvário” com os licenciamentos e os atrasos nos tribunais.
Luís Todo Bom é membro da direção do Fórum para a Competitividade e falava precisamente num debate sobre a “bazuca” financeira que vem por aí abaixo, denominada PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).
“ano após ano, o governo português tem desprezado a criação de condições favoráveis ao aparecimento de investimento”, foi igualmente afirmado no debate.
Todos estes princípios enunciados e mais que debatidos, estão longe de serem inovação de pensamento. Existem há muito e fazem parte do liberalismo económico, fundamental para o desenvolvimento de qualquer economia moderna.
O socialismo, pela sua própria natureza, é adverso a estes princípios e não os abraça sem trair a sua própria génese. 
Como em tudo, o progresso tem que tocar os espíritos mais conservadores da ideologia, para poder acompanhar a irreversível trajetória do Tempo.
Apesar de sucessivos governos de cariz socialista, Portugal continua estagnado há mais de duas décadas. Continua como país pedinte dos muitos milhões de euros dados pelas mais diversas subvenções. A soberania portuguesa não existe, porque não é um país economicamente viável. E não tem feito grande esforço para o ser.