Em rota de colisão

 

“O Partido Comunista Português está em plena rota de colisão com o destino… 
Se as democracias agissem da mesma forma que os governos comunistas o Partido Comunista Português nunca teria existido em Portugal”

Há figuras que engendram de forma por vezes, intrínseca e contraditória, o seu próprio final. Também podem provocar o final da instituição que serviram, ou da qual se serviram. 
É o caso flagrante do Partido Comunista Português. O aquário político no e do qual vivia e se alimentava, está a ficar cada vez mais seco. 
“Todo o tempo é feito de mudança” (Camões). 
O Partido Comunista Português está em plena rota de colisão com o destino. E não se desvia nem um milímetro. Suicídio puro e duro, na esperança que o mundo mude e se cumpra os ciclos históricos alternativos – democracia, ditadura, democracia, ditadura… - para governar em ditadura. Reza ao deus Karl Marx para que o Planeta pare de rodar e entre em marcha de inversão no tempo, para ir ao encontro das suas quimeras, das suas demagogias de ecos sepulcrais, principalmente quando a Humanidade ainda se recorda muito bem do comunismo falhado da União Soviética e seus bebés através do planeta. Alguns ainda existem, agonizando de morte e produzindo a miséria para os seus povos (Cuba, Coreia do Norte, Laos e Vietname). Excetuando o caso chinês, que progride por arrasto das democracias liberais ocidentais, que não sendo perfeitas, conseguem consumir e aceitar no seu seio a produção que alimenta mais de metade da população mundial. Esta é a tolerância democrática, inexistente no PCP. 
O Partido Comunista Português tem desde sempre agido por todo o retângulo ibérico como se fosse o único e exclusivo ‘pai’ da luta antifascista. Quando alguém põe em dúvida a sua idoneidade em relação à Liberdade, logo algum bobo da corte partidária vem a terreiro defender o seu historial, nomeadamente, a sua luta antifascista durante o estado novo salazarento. E até em debates nos canais televisivos, nota-se desconforto entre os comentadores ao condenarem o PCP e o seu desajustamento da realidade atual.
Ora o PCP nunca teve o exclusivo absoluto dessa luta antifascista. Milhares de democratas de facto lutaram, foram perseguidos e presos, e continuaram a lutar em 1975, quando o Partido Comunista tentou o golpe de tomar o poder, para implementar uma mini-república social soviética e de novo mergulhar o povo português numa ditadura de esquerda.
Esta semana, o parlamento votou para convidar o presidente da Ucrânia a fazer uma intervenção via satélite em São Bento, a toda a Assembleia. Todos foram de acordo e só não houve unanimidade porque os comunistas votaram contra. 
Se as democracias agissem da mesma forma que os governos comunistas, o Partido Comunista Português nunca teria existido em Portugal. O PCP existe à custa da complacência, da condescendência que a liberdade democrática permite. Se fosse ao contrário, não haveria partidos políticos, os jornais seriam censurados, seriam proibidos ajuntamentos sem que alguma secreta informasse as cúpulas partidárias. Enfim, um verdadeiro ‘paraíso’. E entretanto, lá em cima, as chefias seriam cada vez mais ricas. O Partido Comunista Português é neste momento e já há anos, senhor de imensa riqueza patrimonial e não só… nunca quiseram dizer-nos quanto.
Nenhum dos partidos políticos em Portugal tem a perfeição democrática, mas os comunistas esmeram nesse requinte antidemocrático que é o de odiar os povos livres. Por isso votou contra o convite ao presidente Zelensky para falar no Parlamento português.