Trauma epidémico

 

 

Tal como em qualquer crise sísmica, este planetário sismo epidémico terá as suas réplicas pós-crise. Vão começar a ser sentidas de forma muito grave nos próximos meses e ninguém sabe nem poderá prever as suas consequências. 
Os únicos que conjeturam diariamente são os políticos e os responsáveis pela saúde pública. Em nome da paz social, mentem a toda a hora e omitem o desastre que já se começa a fazer sentir. Repetem mil vezes a mesma conversa e todos os canais televisivos ou radiofónicos começam a ser abusivos e a transformar-se em poluição social. Já ninguém os pode ouvir falar da mesma coisa há meses e sem fim à vista.
Até ao aparecimento desta infeção, milhares de vidas humanas morriam de fome e inúmeras doenças provinham das insalubres condições da sua existência. Embora constatando estes factos há décadas, o mundo ocidental rico pouca importância atribuía porque não lhe tocava em casa.
Mas agora o problema é global. Há cada vez mais famílias com necessidades básicas e cada vez mais pobreza envergonhada por todo o ocidente.
As políticas sociais providas pelos sistemas democráticos, começam a ser um falhanço combinado e planeado em muitos casos, resultado das lutas a qualquer custo pelo poder e não pelas soluções.
A própria Democracia treme perante a tecnologia digital – os tais três is – (Idade da Informação Instantânea) para a qual o sistema democrático não estava preparado e necessita adaptar-se. 
A conceção moderna da supremacia da Vida Humana está a ser – de novo – ultrapassada pela supremacia da alta finança, que tudo compra – mesmo a dignidade alheia.
Esta crise pode ter a enorme vantagem de nos obrigar a parar para pensar. Pensar e repensar o futuro dos nossos filhos, da Humanidade e do Planeta que ela habita.
Reconhecendo a gravidade epidémica que se vive, a sociedade está, no entanto, a ser manipulada pela torrente que arrasou a comunicação social e a mantém ‘de pescoço apertado’. Os responsáveis dessa manobra tenebrosa fazem-no por medo. O pânico invade as reuniões de líderes quando alguém sugere que nada deve ser informado esta semana. Os políticos nem dormem pensando nas multidões que lhes podem invadir e saquear as residências. Povo sem pão é povo suicida…
Portanto, há que continuar a traumatizar o povo.
Já se fazem sentir os resultados negativos de toda esta situação psicológica. As relações conjugais deterioraram de forma exponencial e as separações e divórcios de pessoas no clássico relacionamento a dois, duplicou desde março 2020. Também aumentaram excecionalmente as reclamações em vários sectores comerciais e industriais, nomeadamente na restauração. A escassez da paciência em ambos os lados será a causa.    
O comportamento social, em geral, está alterado – para pior – com as sensibilidades à flor da pele.
As lideranças estão confusas e as decisões atiradas ao oceano do desconhecido.
O ano de 2021 será o das réplicas ‘fortes e feias’.
Enquanto houver dinheiro público a ser distribuído para ir segurando a carroça, tudo bem. E depois? 
Afinal, este vírus é o prenúncio do excessivo desgaste planetário face aos abusos ambientais cometidos por todos nós. Avisos precursores que a Natureza nos dá e aos quais teremos de prestar especial atenção, sob pena de cada vez mais fenómenos similares agravarem a situação da vida no planeta. 

Já não vamos a tempo de repor como estava, mas iremos certamente a tempo de salvar o que resta.