Sobre o Dia de Portugal

 

 

Vêm estas notas a propósito do que ainda se fala e escreve por aqui sobre as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. E já começam os preparativos para o ano que vem – o que é indubitavelmente um bom sinal.  Mas, e ainda antes que finde o ano ( e não está muito longe) pensei que talvez não viesse a despropósito partilhar com os leitores e leitoras as palavras que proferi, como Grand Marshal, na cerimónia da abertura oficial das comemorações do Dia de Portugal, na State House, em Providence. O que se segue é o meu testemunho, que aqui vos deixo com o intuito de que ele sirva para o aprofundamento da reflexão sobre tão importante acontecimento que de ano para ano se vai repetindo na nossa comunidade:   

“Excelentíssimas autoridades do Governo Federal e Estadual; Dra. Filipa Menezes Cordeiro, vice-Cônsul de Portugal em Providence; Senhor João Pacheco, membro do Conselho das Comunidades; Senhor Presidente, Orlando Mateus, e membros da Comissão Organizadora das Comemorações; Caro amigo e ‘’Homem do Século’’, Senhor Pedroso; ilustres convidados; membros de todos os clubes e organizações culturais; representantes da comunicação social; professores e professoras; jovens, meninos e meninas das nossas escolas, portuguesas e americanas; senhoras e senhores; amigos e amigas. Aproveito a oportunidade para saudar a todos e desejar-vos um Bom dia de Portugal, com um abraço luso-americano.

Permitam-me uma palavra de agradecimento à comissão do Dia de Portugal, aos que me escolheram para esta função, e aos que me aceitam em participar nesta grande  festa. Com toda a humildade, aceito com muito gosto a honra de me terem escolhido. Obrigado, com os meus parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido ao longo destes anos.

Aqui estamos reunidos para celebrar o que somos, donde viemos e o que queremos ser neste espaço que, e por nosso próprio mérito, é também a nossa casa. Somos portugueses, por nascimento ou herança, viemos de um país, a nossa pátria primeira, Portugal. Aqui estamos, não de costas viradas para o passado, antes, com o imprint e a convicção da nossa valiosa herança, a fazer deste lugar a nossa outra pátria, a América de todos nós. Temos, por isso, razões para celebrar.

Antes de alinhavar estas palavras, pedi ao meu filho - que é tão português como eu e americano com dever cumprido em duas missões no Iraque e no Afeganistão – para  sugerir alguns tópicos a abordar nesta brevíssima mensagem. Claro que antes disso, veio o aviso: “Papá, esquece-te da tua portugalidade e não leves muito tempo a falar.’’ Eu prometi seguir à risca o conselho do meu veterano.

Em primeiro lugar, partilho convosco estes versos que ele me entregou, como registo da nossa presença secular, em experiência de vida que vai moldando a nossa identidade em direcção ao futuro. Cito:

From the pastures of Northern California

to the shores of New England,

we are woven in the fabric of Old Glory...

with that said,

let us never forget the cloth

from which we all are cut from…

O segundo ponto que me foi sugerido, e muito a propósito, diz respeito ao ensino da língua portuguesa e processos de manutenção e vivência dos traços indeléveis da nossa herança cultural. E aqui, e dada a minha pessoal responsabilidade como educador e professor, deixo-vos um apelo: vamos continuar, e mesmo redobrar, o esforço para manter e implementar os programas do ensino da Língua e Cultura Portuguesa, não só apoiando as escolas portuguesas, mas, e sobretudo, fazendo ver, a quem nos governa e representa, que, no mundo em que vivemos, falar duas línguas, não deve ser excepção. E nunca se deve esquecer que a melhor escola começa em casa.

Ainda a propósito, o terceiro ponto que me foi sugerido tem a ver com a importância da comunidade falante do Português. É dia de Portugal, dia da Língua Portuguesa, pelo que me seja permitido dirigir o mesmo apelo a todos os nossos irmãos da mesma fala: do Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor Leste, São Tomé e Príncipe. Para todos, um abraço e um Viva a Língua Portuguesa!, com toda a riqueza das suas diferenças.

Termino,  utilizando a última  sugestão do meu filho: “Papá, shed some light on the youth, they are the torch bearers of the continuity necessary to maintain our culture.”  Sim, os jovens estão aí como testemunhas do nosso trabalho, do nosso esforço para nos adaptarmos e vivermos uma cidadania responsável. É a juventude que levará por diante a chama bem viva do que constitui a nossa identidade de homens e mulheres empenhados na construção de uma sociedade em que possamos celebrar em paz as nossas diferenças. E assim, esta nova terra americana será sempre o cantinho onde se há-de acolher um Portugal sem idade.

Muito obrigado

God bless America! Viva Portugal!”