Celebrar Portugal nos EUA

 

As celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades acontecem este fim de semana em quatro localidades: New Bedford, Fall River e Taunton (Massachusetts) e Providence (Rhode Island), com o Boston Portuguese Festival a realizar-se este ano no domingo, dia 23 de junho e ali mesmo no cen­tro da capital de Massachusetts, no City Hall Plaza.

É a celebração da nossa cultura, língua e identidade e tudo isto de forma orgulhosa e patriótica num país que nos acolheu de braços abertos e com quem Portugal mantém profundas relações históricas de amizade e para as quais muito têm contribuído os portugueses aqui residentes ao longo de mais de duzentos anos, desde os primórdios da imigração lusa para este país. As comunidades portuguesas nos EUA têm sido não apenas um instrumento de reforço para essas relações entre os dois países como também de enriquecimento e valorização individual e coletiva onde residem.

Mas celebrar Portugal nos Estados Unidos é especial: a comunidade portuguesa e lusodescendente tem essa missão dupla de afirmação e identidade cultural com um pleno sentido de responsabilidade a fazer história, preservando as suas raízes e ao mesmo tempo integrando-se numa outra cultura, de tal forma que tem dado um largo contributo para o crescimento e desenvolvimento dos EUA, como parte integrante do seu tecido económico, social e cultural. Há muitos exemplos de individualidades e coletividades que têm merecido o reconhecimento público por parte das mais altas entidades deste país, precisamente pela forma como cultivamos e incutimos nos nossos filhos e netos os mais sublimes valores e virtudes que nos elevam a uma dimensão humana de realce e isso é gratificante e enche-nos de orgulho.

É neste contexto multicultural dos EUA que deve­mos celebrar as nossas raízes, mostrar quem somos e o que queremos. Portugal há muito deixou de ser aquele espaço rectangular e dois arquipélagos no Atlântico. Hoje o Portugal moderno ganha outra dinâ­mica e dimensão com as suas comunidades da diás­pora, com a riqueza dessas vivências e experiências com outras culturas e que se têm destacado nas mais diversas áreas: da inovação, do ensino, da ciência, da arte, do desporto, etc... com o testemunho de vários exemplos.

Uma das mais úteis ferramentas para o desenvolvi­mento de Portugal é sem dúvida a língua, hoje considerada uma das quatro línguas europeias de expressão mundial e a quinta língua da internet. Efetivamente, segundo dados estatísticos do Instituto Camões, existem atualmente cerca de 270 milhões de falantes prevendo-se que em 2050 cerca de 350 milhões de pessoas deverão usar o português como idioma materno prevendo-se até que o português venha a ser a terceira língua europeia mais falada no mundo, depois do inglês e do espanhol.

Aqui nos EUA, e já que estamos com a “mão na massa”, muito têm contribuído para a expansão da lín­gua o papel dinamizador e ativo de diversas orga­nizações lusas que são berço para o ensino de Portu­guês a nível básico e elementar e ainda muitos outros agentes noutros níveis de ensino: secundário e uni­versitário. Neste campo temos assistido nos últimos tempos a uma série de vitórias. Neste aspeto (e por que não afirmá-lo) Portuguese Times tem dado o seu contributo.

Há também por outro lado uma maior conscien­cialização da importância de se falar duas línguas e isso tem sido incutido nas gerações vindouras: para além de se falar a língua de Camões como herança cultural, que deve ser preservada e perpetuada, há a vantagem económica para um mercado de hoje cada vez mais exigente e globalizado e por conseguinte esse enriquecimento cultural é uma das melhores armas de defesa e de sucesso pessoal e coletivo.

Como nota final realce-se o trabalho importante na defesa e divulgação das nossas tradições e costumes por parte de algumas das nossas organizações: ao fazê-lo estão a contribuir de forma segura, eficaz e a investir decisivamente para a sobrevivência destes sinais da nossa presença aqui nos Estados Unidos. Desempenham ainda um papel fundamental para o reforço da nossa identidade cultural e da memória coletiva e que um dia mais tarde as gerações vindouras irão certamente reconhecer esse contributo e senti­rem-se orgulhosas das suas raízes.

Celebremos com este espírito de orgulho e dever de responsabilidade o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.