Portuguese Times e o compromisso com os leitores e patrocinadores

 

Afinal não somos os donos disto tudo

O mundo vive atualmente momentos verdadeiramente dramáticos com o surto do novo coronavírus, o Covid-19.
De um momento para o outro tudo mudou. Os nossos hábitos (e vícios) quotidianos, a nossa maneira de encarar a vida e, mais do que isso, a realidade e constatação de que na verdade somos pequeninos perante uma força superior e supernatural, que deve ser o epicentro das nossas vidas. Afinal não somos os donos disto tudo. Nesta sociedade consumista, materialista, do capitalismo selvagem, da lei da sobrevivência, esquecemo-nos que há uma escala de valores e princípios morais fundamentados nos conceitos da fraternidade, humanismo e solidariedade. Devemo-nos orientar por estes valores.
Investimos demasiado tempo em futilidades e outras coisas supérfluas que em nada condizem com a nossa condição humana e em vez disso temos líderes em todo o mundo obcedados com o poder, ganância de domínio total perdendo-se demasiado tempo a investir em armas e sustentando guerras quando todo esforço deveria ser canalizado para a ciência, educação e saúde.
É nestes momentos que devemos ser solidários, fraternos e termos um sentido de comunidade mais forte e de entreajuda.
Apraz-nos também registar que, por aquilo que nos é dado constatar no dia a dia no percurso de casa para o trabalho e vice-versa, que as pessoas estão a obedecer rigorosamente às orientações e normas restritivas das autoridades no sentido de se manter esta distância social e de preferencialmente ficarem em casa até que esta tempestade passe. Tomem conta de si e dos seus. Unidos de mãos dadas sem as dar.

 

Sejamos solidários

Portuguese Times, como semanário de língua portuguesa de vocação comunitária, tem estado sempre atento ao que se passa na comunidade, na sociedade de acolhimento, no país de origem e um pouco pelo que se passa no mundo. Temos dados espaço a diversas iniciativas sócio-culturais da comunidade de língua portuguesa, a histórias de sucesso (e também de inuscesso), a momentos históricos que têm indelevelmente marcado o percurso da comunidade aqui por Terras do Tio Sam. Mesmo em tempos crise vamos continuar a trabalhar para que o PT seja a sua companhia semanal. Louve-se o esforço desta administração do jornal, que foi peremptória a dar continuidade, semana após semana, à sua publicação, quando há dias chegou a ser colocada a hipótese da suspensão temporária por algumas semanas até que esta tempestade passasse. “Não senhor, o jornal tem de sair, nem que para isso tenhamos de publicar edições reduzidas no seu conteúdo e páginas... Temos um compromisso com os nossos leitores e com os nossos patrocinadores”, sublinhou Eduardo Sousa Lima.
E de facto, é nestas alturas que os leitores e assinantes mais precisam de informaçao assertiva, acutilante, clara, não especulativa e não populista. E neste período de crise a informação é uma chave importante no combate ao pânico e aos medos e estes veículos não podem ser interrompidos. 
Toda a comunicação social nos EUA (e a portuguesa em particular) enfrenta neste momento tempos difíceis e aqui é justo salientar o apoio de algumas firmas comerciais que têm tido um papel fundamental para que o jornal saia à rua, sem esquecer, claro, os nossos assinantes e leitores.
Há alguns anos, num encontro de órgãos de comunicação social em Portugal perguntavam-me qual o principal desafio do jornal. Sem hesitar um segundo, referi: a sustentabilidade económica, que é garantida, semana após semana pelos nossos patrocinadores, que apostam neste veículo de informação da comunidade para divulgarem e expandirem o seu leque de serviços e produtos bem mais longe. Claro que há outros desafios importantes, como o de manter esta publicação em português, numa altura em que se aposta cada vez mais na nossa língua, não apenas como uma questão cultural e de herança mas também pelas vantagens económicas e de oportunidades.
Muito obrigado a todos. Sabemos por outro lado que alguns dos nossos patrocinadores apoiam o jornal baseado sobretudo nesse espírito de manter vivo um património cultural luso da comunidade. Bem hajam.
Finalmente um apelo aqui deste lado: neste momento difícil é importante apoiarmos de diversas formas algumas das iniciativas comerciais portuguesas, algumas das quais têm sempre apoiado a nossa comunicação social, eventos de diversa ordem e mesmo campanhas de benemerência. É altura de retribuir. Impõe-se agora esse espírito de comunidade. Referimo-nos particularmente à restauração, que vive também momentos difíceis.
Um abraço grande a todos, daqueles que tocam na alma. Mantenham-se saudáveis. E, como diz Pedro Abrunhosa: “... a tempestade há-de passar, toma de conta de ti e toma conta de mim!...”