Antigas ruas, novos nomes. Quem se recorda ou já ouviu falar?

 

 

 

“Reminiscências da velha composição (Ruas) de Ponta Delgada”

                                                                 

COM O “25 DE ABRIL”, A CONQUISTA DA AUTONOMIA E A “ALVORADA DA DEMOCRACIA”, Ponta Delgada, antigo “lugarejo piscatório”, elevada a cidade, “À FORÇA”, devido à calamidade de que foi vítima, a antiga e primeira capital da ilha, Vila Franca do Campo, deu passos largos, com custos e persistência, no caminho do desenvolvimento acelerado, com a construção e funcionamento do Aeroporto João Paulo II, “chave” de todo o desenvolvimento que se tem verificado nas últimas décadas. Normalmente, pelo aeroporto, todos chegam e todos partem.

CIDADE COM ALGUNS SÉCULOS DE HISTÓRIA, a velha urbe, esteve durante longo período, paralisada, sob o “garrote” da ditadura implantada pelo nefasto “Estado Novo”.

SOLTA DAS AMARRAS DE QUE ERA VÍTIMA, livre da estagnação a que estava sujeita, os seus “responsáveis”, animados com o “ar fresco da democracia e autonomia”, prolongaram a já existente Avenida Marginal (inaugurada na década de 50 do século passado), numa 2ª fase, até à Pranchinha e, mais tarde, passou a “beijar” a freguesia de São Roque.

DAS ANTIGAS RUELAS E CANADAS, que faziam e fazem parte, por direito próprio, do seu património, da sua história, como velho “lugarejo piscatório” que foi -  a memória é a nossa reserva de referências sobre a cidade. Como a cidade é sólida, assim também são as lembranças  - outros arruamentos foram surgindo para norte da cidade. A Avenida D.João III (a velha e conhecida rua E) rompeu-se até São Gonçalo, sendo criados novos prédios, outra fisionomia foi-lhe oferecida.

O VELHO CAMINHO DE SÃO GONÇALO que, no meu tempo de menino e moço, era um “atalho” terreiro e murado por prédios de cultivo, num ambiente rural de destacar, hoje é uma artéria moderna, ampla, vistosa, com inúmeros edifícios construídos. Nos terrenos de cultivo que separavam São Gonçalo das “Fajãs”, foram abertos novos arruamentos e...  novas construções foram surgindo.  De São Gonçalo até ao aeroporto (onde em frente existem diversos apartamentos), várias outras artérias foram aparecendo, num alastrar da cidade, digno de registo, para benefício da sua população e desenvolvimento e engrandecimento da cidade. Novos edifícios, alguns já com alguns anos em funcionamento, foram construídos, para serviço e benefício dos seus utentes. O novo hospital, diversas escolas, instalações dignas para os “serviços sociais e oficiais, entre diferentes melhoramentos e construções.

NA ÚLTIMA DEZENA E MEIA DE ANOS, vários hotéis surgiram na cidade, diversos restaurantes aparecem em diferentes sítios, o cais de cruzeiros e as afamadas “portas do mar” com a sua bonita e vistosa marina, embelezando a frente marítima, colocando ao dispor do “turista” e do viajante mais atento, condições necessárias para que ele sinta interesse e prazer na sua estadia.

PORÉM, E PARA ALÉM DAS REALIDADES HOJE ENCONTRADAS NA CIDADE, É NOSSO PROPÓSITO, NESTE LIGEIRO “ARRAZOADO”, sem pretensões de “sabichão encartado” – longe de mim tal propósito  - e num “exercício de memória”, recomendado pelo médico, vincar e recordar, algumas alterações verificadas na toponímia do seu velho arruamento. (a idade arquiva conhecimentos). O “passado” é um lugar onde deve ficar-se apenas “cinco minutos” O escritor argentino, Julio Cortázaz Borges, escreveu:- “é o futuro que defende o passado”. É costume dizer-se: “o presente sem passado não existe”. O tempo passa velozmente e deixa riscos de saudade na memória e nos corações. Memórias de um tempo longínquo, a saudade é também, memória de um presente. A memória é o perfume da alma.

LOGICAMENTE QUE; TODAS AS VELHAS RUAS CITADINAS tinham o seu “nome de batismo”. Durante estes anos de história, alguns, por diversas circunstâncias, foram alterados.

DENTRO DAS DIVERSAS ALTERAÇÕES VERIFICADAS, e do nosso conhecimento (a idade é um cofre), vamos lembrar as seguintes. A Rua de Manuel Inácio Correia ainda hoje é conhecida por Rua do Valverde. A Rua Conselheiro Hintze Ribeiro já teve os nomes de Rua Manuel Garcia e Rua do Frade, assim como a Rua Manuel da Ponte foi, anteriormente, designada, a partir da Praça da República (1º troço) por Rua do Tanque e daí até ao seu final com a Rua Machado dos Santos, por Rua da Fonte Velha, por Rua da Louça, e, até ao presente, a designar-se pelo atual nome de Manuel da Ponte. A antiga artéria conhecida por Rua do Gaspar é hoje a Rua Dr. Bruno Tavares Carreiro. A conhecida e castiça rua dos Mercadores, conheceu, em tempos idos, o nome de João Chagas. A atual rua de Teófilo de Braga também foi conhecida por rua do Cerco, e a rua do Melo ou do Provedor teve o nome de rua das Frigideiras. Paralela à rua Teófilo de Braga, foi aberta uma nova artéria à qual foi dado o nome do ilustre micaelense Engº Abel Ferin Coutinho que nasceu em 22/1/1890. Foi Diretor da Junta Autónoma dos Portos. Faleceu em 18/1/1971. Aberta em 1989. Delimitada pela Avenida Kopke (nascente) e a Rotunda de Santa Clara (poente). Também foi o nome de Manuel António de Vasconcelos (fundador do Jornal Açoriano Oriental) dado à rua existente entre as ruas de São Leandro e da Juventude

A CENTRAL E POPULAR RUA DE ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA já conheceu dois anteriores nomes: Rua João dos Santos e Rua Nova da Matriz, se não oficialmente, pelo menos, “aprovados” pela grande maioria dos seus transeuntes que passavam diariamente naquela artéria.

VÁRIAS OUTRAS MODIFICAÇÕES FORAM LEVADAS A EFEITO. Ou porque as “vereações municipais” não simpatizavam com o nome já atribuído, ou tinham necessidade de “homenagear” outra figura ilustre. Por exemplo, ao antigo Largo de São João, em frente da antiga Escola Industrial e Comercial, foi dado o nome do Dr. Francisco Luís Tavares, ilustre micaelense e a quem se ficou a dever a construção do Teatro Micaelense, inaugurado em Março de 1951.

COM A EXPANSÃO DA CIDADE E CONSTRUÇÂO DE VÁRIOS ARRUAMENTOS, no já citado espaço aberto em São Gonçalo, criou-se a possibilidade de dar às novas artérias, nomes há muito em “carteira”.

DAS ANTIGAS RUAS ÀS QUAIS FOI ALTERADO O NOME, recordamos, a Rua Padre Serrão que foi conhecida por Rua Nova. A Travessa do Perú é hoje a Rua Padre César Augusto Ferreira Cabido. O “Foral do Botelho” tem o nome do Ilustre Homem da Ciência, Coronel Chaves. A rua da Mãe de Deus já foi conhecida por rua Miguel Bombarda, assim como, a atual rua do Dr. Guilherme Poças, já teve o nome de rua Magalhães Lima e, anteriormente, chamou-se rua de Santo André. A rua do Dr. Arístides Moreira da Motta, já conheceu o nome de rua do Pao do Conde. A rua de António Joaquim Nunes da Silva já teve o apelido de rua de São João de Deus.

MAS HÁ MAIS SITUAÇÕES CONHECIDAS. Por exemplo: a atual rua de José Maria Raposo do Amaral era a rua do Frias. A rua Carvalho Araújo foi rua do Colégio. As ruas do Desterro e do Saco, viram os seus nomes modificados para Coronel Silva Leal e Coronel Miranda. A rua da Canada, quando Ponta Delgada era Vila, foi chamada de rua do Maranhão. Hoje é conhecida, oficialmente, por rua do Diário dos Açores até ao Largo 2 de Março, e, daí até ao Canto da Fontinha por Tavares de Resende. A Avenida Antero de Quental, já foi, rua das Gulas e Papa Terra. A antiga rua do Carvão, antes de ser rua do pintor Domingos Rebelo já tinha sido rua Engº José Frederico Ulrich.

DE ACORDO COM AS “PREFERÊNCIAS” das ilustres “vereações camarárias” a toponímia ia-se alterando. Assim, a rua de António Feliciano de Castilho, foi a rua do Lameiro, a rua Mont’Álverne, rua da Esperança e, anteriormente rua Direita, e, o hoje conhecido Largo Mártires da Pátria já teve o nome de Campo da Conceição. A rua Marquez da Praia já se chamou rua de São Braz. É bom lembrar, para ajudar a “compor o ramalhete”, que a rua Manuel Augusto do Amaral já se designou por rua das Ladeiras.

UMA OUTRA ARTÉRIA FOI CRIADA, a Rua Morgado Botelho que liga São Gonçalo ao caminho da Levada. A rua paralela ao Jardim Sena Freias é hoje, oficialmente, conhecida por rua 6 de junho. Em frente á fabrica do açúcar foi aberta uma nova rua á qual foi dado o nome de Dr.Filipe da Cunha Álvares Cabral. A rua de Lisboa foi conhecida por rua Formosa. Já ouvimos dizer -  há quantos anos isso foi - que o antigo Aterro, soterrado para dar lugar á Avenida Marginal, teve o nome de Avenida Antero de Quental. Também tivemos conhecimento que o troço que terminava na Praça da Republica lhe tinha sido dado o nome de Açougue, talvez por, no canto (onde mais tarde foi instalado o Banco Espirito Santo) ter existido um açougue.

Para ligar a travessa de São João á Avenida Infante D.Henrique foi criada uma rua com o nome do Dr.José Bruno Tavares Carreiro. Em homenagem ao antigo jornal, foi, à rua onde existia a administração e redação daquele velho diário, dado o nome de rua Diário dos Açores.

E PARA TERMINAR ESTE “AMONTOADO DE RECORDAÇÕES””, destinado ao conhecimento dos mais novos, recordamos que, com a abertura da Avenida do Infante, que possibilitou a construção das conhecidas praças e largos (Gonçalo Velho Cabral e Vasco da Gama), surgiu a possibilidade de um novo nome, a rua Nova da Alfandega, localizada por detrás dos edifícios da Alfândega e Capitania. À travessa da rua do Barão das Laranjeiras é dado o nome de Manuel de Medeiros da Costa Canto e Albuquerque.

OS VELHOS FORAIS, que ligam a rua da Mãe de Deus a São Gonçalo, os antigos e populares forais das “Cornetas” e da “Misericórdia”, foram alterados para, rua Nova do Visconde e rua Nova da Misericórdia. A antiga rua do Conde passou para Dr.João Francisco de Sousa. A Lombinha dos cães, usa agora o nome de beco do Jardim António Borges e a velha Rua da Taveira derivou para rua João Moreira.

MUITAS OUTRAS ALTERAÇÕES FORAM EXECUTADAS. Outros, com válidos saberes e profundos conhecimentos, falarão delas, com pomba e circunstância.

Quem dá o que tem e pode, a mais não é obrigado!! Os novos arruamentos entretanto criados, ficam para a “nova recruta”!!