Desde que seja “moda” e apetecível venha tudo!!

 

NOS VELHOS E TRISTES TEMPOS já passados, havia, numa determinada localidade, um tasco chamado “ O Petisco do Povo”. Nele parava o povo. Reformados pobres, estivadores, pedreiros, operários, lavradores (dos campos em volta), etc. ”Copofónicos”.!! 
UM DIA, O DONO DA LOJA (VIVAÇO), conhecedor do que a “casa gastava”,  do tipo do que, “tudo o que vem á rede, é peixe”, resolveu experimentar uma “novidade”, nos seus “afamados” petiscos e, para isso, foi a um descampado próximo, e caçou a maior ratazana das que ali havia, bem alimentada. Ratazana do campo, completamente vegetariana. 
ESFOLOU-A E ARRANJOU-A, como se fosse coelho (o tamanho era o mesmo), pô-la em “vinha d’alhos”, a marinar um dia ou dois, e serviu-a à clientela, estufada, acompanhada de sopas de pão, em molho apetitoso. A sempre interessada e esfomeada clientela, chamou-lhe um “figo”.
“QUE BOM QUE ESTÁ ESTE COELHO”, comentavam os mais apreciadores. Mais acalmada a situação, e passado o tempo conveniente, o taberneiro confessou-lhes a origem do afamado e delicioso prato, e ….. não houve rejeição, mas pedidos de repetição!!
ESTE ACONTECIMENTO, demonstra que, além de cultural, o comer é uma questão de paladar. Ou, falando á moda do “zé povinho”: “Todo o burro come palha, o importante é saber dar-lha”.
VEM ISTO A PROPÓSITO do anúncio que apareceu na imprensa nos últimos dias, de que, nos próximos tempos, dará entrada, nos nossos costumes gastronómicos, de novidades, como larvas, gafanhotos, grilos e besouros, matérias-primas já licenciadas. 
DE CARACÓIS, já sabíamos haver quem goste, tal como de crocodilo, canguru, búfalo e outras espécies exóticas que por ai se anunciam. Por mim tudo bem. Cada um come do que gosta.
MAS, POR CAUSA DAS COISAS, doravante, vou andar atento, quando visitar qualquer restaurante e me apresentarem novidades culinárias, não vá aparecer um empadão de larvas ou besouros disfarçados. DISPENSO. Continuarei fiel ao bacalhau e especialidades afins!!