O grande ditador do tempo que quase tudo controla e define a cadência dos dias

 

NO PULSO, NO TELEMÓVEL, NA PAREDE DA COZINHA, NOUTRA QUALQUER DIVISÃO DA CASA, OU NA TORRE DA IGREJA, num lugar publico, seja onde for, não há quem não olhe para o RELÓGIO, bem mais do que uma vez por dia. Afinal, são eles, os RELÓGIOS, que nos ditam o compasso incontornável do tempo, e nos definem a cadência dos dias. 
AS ORIGENS DO RELÓGIO REMONTAM à época em que as horas foram definidas enquanto tal. Há 2 000 anos Antes de Cristo (AdC), sumérios e egípcios pensaram quase em simultâneo numa forma de definição diária do tempo. E inventaram o relógio do sol, que, através de uma pequena vara espetada no solo, permitia indicar o avançar do dia através das sombras. A técnica era aparentemente simples: quanto menor fosse a sombra mais se estaria no aproximar do meio-dia; se fosse maior sinalizava as manhãs e as tardes. Historiadores e arqueólogos afiançam que o sistema era de tal forma eficaz que a margem de erro era praticamente nula. Os atrasos ou adiantamentos do relógio do sol em relação ao que seria a hora real, nunca andavam para além, respectivamente, dos 16 e 14 minutos.
MAIS TARDE, PELO ANO 600 AdC, surgiram os RELÓGIOS de água e as ampulhetas. Mas a Humanidade pedia ainda mais precisão no cálculo das horas. E forma de conferir o andar dos dias. Foi um Papa, o francês Silvestre II, o mesmo que introduziu nos hábitos europeus, o árabe ábaco para cálculos matemáticos, quem, em 996, pensou e construiu aquele que foi considerado o primeiro RELÓGIO mecânico de sempre, pontapé de saída para que nos séculos seguintes, as igrejas passassem a ostentar com destaque autênticos guias temporais para as comunidades que serviam. 
O RELÓGIO PORTÁTIL, esse só apareceu no início do século XVI, também na Europa. A responsabilidade foi do alemão Peter Henlein, que elaborou uma espécie de caixa onde se colocava um RELÓGIO mecânico, a qual podia ser guardada no bolso, e que se tornou popular num abrir e fechar de olhos.
UM SÉCULO MAIS TARDE, o matemático francês Blaise Pascal, responsável, por exemplo, pela primeira máquina de calcular, adaptou o RELÓGIO a um uso ainda mais prático. Bastou diminuí-lo em tamanho e atar-lhe uma pequena corrente em couro que o fizesse cobrir o pulso para assim lhe conferir uma maior e mais prática facilidade de uso e consulta.
AGORA QUE, PARA MUITOS, AS FÉRIAS se aproximam do fim, escusado será recordar que o RELÓGIO voltará a fazer parte inclemente do dia-a-dia. Regressam os horários, e há que obedecer a esse grande ditador do tempo, que quase tudo controla, sem pedir licença. E que nunca sai de cena, mesmo que pouco se dê por ele.
“Senhor de responsabilidades imensas, o RELÓGIO tem papel preponderante desde tempos imemoriais. Sempre presente, marca ritmos e faz girar a organização dos dias”. 
-  DAR HORAS DEBAIXO DA PELE:- Como serão os RELÓGIOS do futuro? A pergunta foi já antecipada por diversos fabricantes. A Cartier, por exemplo, possui actualmente uma equipa de 135 engenheiros especialmente dedicada a estudar o RELÓGIO de amanhã. Materiais como o silicone e a fibra de carbono têm sido equacionados como primordiais. A ciência também está atenta e avança que daqui por uma décadas, ainda neste século XXI, começará a ser comum ver RELÓGIOS que mais não serão do que simples chips. Colocados debaixo da pele, além de outras tarefas, terão o nobre papel de darem aos humanos a noção precisa do tempo. Afinal a sua tarefa de sempre!!