Da “velhada” que continua em “circulação”! Quem se lembra ainda do saudoso pião?

 

 

 

 


- RODAVA QUE SE FARTAVA  -

“A memória das coisas passadas dá conhecimento para as do presente e avisamento das que são 
por vir”! Frei João Álvares

SABE-SE QUE O PIÃO EXISTE DESDE O ANO 4000 a.C.. Vestígios de um exemplar em argila foram descobertos na margem do rio Eufrates, que corre através da Síria e do Iraque para se unir ao Tigre, que desagua no golfo Pérsico. O PIÃO teve direito a representações nos vasos gregos e até, consta em algumas passagens na Ilíada, de Homero, e na Eneida, de Virgílio. O comediante Aristófanes era totalmente fascinado pelo PIÃO. Platão chegou a usá-lo como metáfora para o movimento. Girou e girou nas cabeças, nos poemas e na arte de gente que a História reconhece como sendo lustre.
POR CÁ, SURGIU HUMILDE, DE SURDINA, algures no tempo. Provavelmente já feito em madeira, com um famoso bico de metal. Teófilo de Braga dedicou-lhe uma canção. E assim focou como o verdadeiro e popular PIÃO português. Leve e divertido. Redondo na parte superior., adelgaçado na parte de baixo. Mais difícil de dominar do que aquilo que parece. Os mais audazes conseguiram pô-lo a rodopiar no chão, mas também na palma da mão. Enrolavam-lhe uma corda, um baraço, um guita ou um cordão, do bico quase até ao pescoço, que é o bojo.
PARA UNS, BASTAVA DEPOIS SEGURAR o PIÃO na mão e lança-lo com força para o chão, para que rodopiasse o máximo de tempo possível. Para outros, os profissionais, a brincadeira durava enquanto o PIÃO se mantivesse dentro do circulo que previamente tinha sido desenhado no solo. Nesse patamar, a proeza contava com vários jogadores que disputavam a permanência do objeto dentro da circunferência. Hoje, apesar de mais esquecido, não deixa de estar em jogo. Quanto mais não seja, rodopia na nossa memória. E gira, gira, gira.
A ALEGRIA GIRAVA À PORTA DE CASA ou nas ruas. Girava nos pátios das escolas e nos largos das aldeias. Rodopiava onde quer que fosse que as crianças se encontrassem. As alegrias que fazia soltar gargalhadas tinha o mesmo nome de hoje, PIÃO. Um objeto simples e barato que entretinha durante horas a fio. Isto se remontarmos à infância de várias gerações de açorianos que, sem esforço, se lembram bem de o segurar nas mãos ou de o guardar nos bolsos das calças ou calções. Mas, antes disso, há outras histórias para contar. O PIÃO não é só um dos mais velhos brinquedos tradicionais açorianos. É também um dos mais antigos da humanidade. A sua existência vai longa e até já esteve associado aos rituais de premonição ou à leitura de presságios. 
DO ORIENTE COM ARTE - O exemplar de PIÃO mais antigo do Mundo encontrado até hoje  data de 1250 a.C. e está em exposição no Museu Britânico, em Londres. Foi descoberto em Tebas, na Grécia, onde o objeto era muito apreciado. Convém frisar, no entanto, que muito embora os gregos e os romanos tivessem o PIÃO como um brinquedo, as culturas orientais, nomeadamente a China e o Japão, foram responsáveis pela introdução no Ocidente. Foi nessas terras que as crianças e os adultos elevaram o potencial do PIÃO, brincando com ele e convertendo-o numa verdadeira arte. A ponto de haver no Oriente diversos espetáculos dedicados ao jogo. Entre eles destacavam-se números em que os praticantes, depois de lançar o PIÃO, usam outros objetos para o fazer rodopiar na palma das mãos ou em tábuas duplas, passando-o de uma para a outra.


NOTA:- Comprei o meu primeiro PIÃO no Estabelecimento do Senhor Engº Melo Bento, situado na Rua dos Manaias!!