Festa do Espírito Santo no Corvo

 

A  festa do Espírito Santo na ilha do Corvo remonta remonta aos primórdios do povoamento da ilha e tem características muito próprias.
A sua organização está a cargo de dois Mordomos e sete Cabeças, escolhidos através de um sorteio efectuado entre os homens adultos da ilha. Os Mordomos são os responsáveis máximos por toda a organização da Festa, os Cabeças colaboram e auxiliam nas várias tarefas inerentes às festividades, de forma a que tudo corra com o maior brio possível.
No início, no dia da Festa eram celebradas duas missas: a «Missa Primeira» e a «Missa Solene».
A chamada «Missa Primeira» era realizada logo ao amanhecer. Uma missa sem festejos, destinada aos mais idosos, aos doentes, aos viúvos e aos enlutados. A «Missa Solene» acontecia às 10 horas e integrava o sacerdote que transportava a Coroa, os Mordomos, os Cabeças. A Banda Filarmónica Lira Corvense e um grande número de fiéis completavam a Procissão, formando um imenso mar de veneração, respeito e adoração pela Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
A carne e o pão constituem desde sempre um dos momentos mais simbólicos, apreciados e característicos das Festas. No Domingo anterior ao da Festa, é feito o «Rol da Carne», tradição que ainda se mantém. Os Mordomos, os Cabeças e alguns fiéis, sempre acompanhados pela Coroa, por algumas Bandeiras e pela Banda Filarmónica Lira Corvense, percorrem todas as habitações da vila para saberem quantos quilos de carne cada família deseja adquirir.
Na Quinta-Feira anterior ao Domingo da Festa, sempre acompanhados pelas Insígnias do Divino Espírito Santo, os Mordomos, os Cabeças e muitos outros devotos, deslocavam-se em romaria para a Cruz do Rego D’Água, local onde era escolhido o gado que, posteriormente, havia de ser abatido, cortado e vendido à população.
No Sábado, logo pela manhã, depois de ser benzida pelo sacerdote, era distribuída pela população.
Todas estas cerimónias eram acompanhadas pelas Insígnias do Divino Espírito Santo, nomeadamente, a Coroa e as Bandeiras. Durante vários anos, a distribuição desta carne também era um dos momentos de grande alegria e convívio, principalmente entre as crianças e adolescentes.
A carne, depois de benzida, era colocada em tabuleiros vermelhos, transportados por jovens para as casas das pessoas que a tinham arrolado. A acompanhar estes tabuleiros seguiam outros de cor branca, onde as pessoas colocavam um pão que era, posteriormente, depositado na Casa do Espírito Santo, benzido e distribuído pela população.
Intimamente ligada à parte religiosa está a profana, que constitui momentos de grande diversão e alegria. Segundo os relatos orais, a Festa sempre se realizou no largo do Outeiro. Nos seus primórdios consistia apenas na distribuição de pão pelas famílias mais carenciadas e pelas crianças. Com o passar dos anos, o pão foi substituído pela massa sovada e pelas rosquilhas. A partir dos finais dos anos sessenta do século passado, começaram a surgir as arrematações, a Quermesse com o bazar, onde eram vendidas as sortes que faziam as delícias das crianças.