Lavoura, agricultura e pesca

 

 

A agricultura e a pecuária desempenharam desde sempre um papel primordial na economia da ilha do Corvo. A área agrícola ocupa cerca de 17,5% da área do concelho.
Como atrás foi referido, ambas as actividades são essenciais na economia dos corvinos, contudo, a separação entre a agricultura e a criação do gado é bem nítida. Enquanto o «cerrado», localmente designado por «terra» é exclusivo da agricultura, os pastos referem-se à criação do gado. 
As “Terras de baixo” diferenciam-se das de “cima”, pela sua localização, pela sua dimensão, pelos produtos cultivados e pelas técnicas de fertilização do solo.
Em relação à agricultura, a classificação das unidades de ocupação do solo são as seguintes:
1)- Terras ou cerrados, onde se incluem as “Terras de Baixo” e as de “Cima”.
2)- Pastos ou relvas.
3)- Baldio.
As “Terras de Baixo» localizam-se na vila. São pequenos terrenos divididos por muros de pedra, trabalhados principalmente pelas mulheres, embora alguns trabalhos sejam efectuados pelos homens, como lavrar, semear, ceifar os cereais ou desfolhar e apanhar o milho.
Durante muitas décadas, o principal fertilizante utilizado nestas terras era o estrume, apanhado no pátio do porco e transportado em carros de bois. Por outro lado, era frequente utilizar-se urina humana, transporta por mulheres, logo de manhã cedo em «canecas», recipientes de madeira. Esta urina servia essencialmente para fertilizar as combradas, minúsculos pedaços do terreno junto às paredes da terra.
As mulheres, além de auxiliarem os homens nos trabalhos atrás descritos, semeavam, cavavam e apanhavam as hortaliças.
Nas «Terras de Cima» semeava-se milho, feijão, tremoços, batatas brancas e doces, trabalho efectuado quase exclusivamente pelos homens.
Nas últimas duas décadas, registou-se uma intensificação da importância da pecuária de gado bovino, o que originou uma conversão dos espaços agrícolas em espaços de pastagem.
A pesca foi até recentemente uma actividade complementar para a população da ilha. Só a partir de meados dos anos oitenta é que adquiriu uma maior importância económica, com a exportação do pescado em frio.
Reconhecido por especialistas e população em geral, o mar em redor do Corvo é dos mais ricos quer em qualidade quer em quantidade de espécies. Abundam os gorazes, os pargos, as vejas, os chernes, a que se juntam as lapas e os polvos. A ilha é um verdadeiro santuário para os amantes da pesca.