Ausência – “avenida com dois sentidos - Velhos valores – novas ideias

 

 

    
… vejamos: a emotividade gerada no armazem psicológico de quem vive longe do respectivo native habitat,  tal como acontece ao signatário, nas últimas quatro décadas) nem sempre obedece ao rigor das leis do senso-comum. Não seria porventura justo exigir aos sofredores de emotividade cronista, a tarefa serena de inventariar os atropelos à dignidade humana.
A decorrente tragédia virulenta não inspira o aplauso à sinologia chinesa. Há cerca de 100 anos, o planeta Terra foi pesadamente sacudido com a chamada “praga-espanhola” que vitimou milhões, repito, milhões de seres humanos (incluindo os meus avós – casal que deixou o meu saudoso pai orfão aos 8 anos de idade)…
Aqui, no sudoeste da Califórnia, zona particularmente visada pela violência cíclica dos abalos-de-terra, as pessoas não falam muito no assunto…  Todavia, preparam-se!
Obviamente, não é preciso confirmar que os milhões de ilhéus espalhados no seio da  diáspora açoreana não vivem indiferentes às cruéis consequências da decorrente tragédia mundial: o demorado duelo entre a menoridade humana e o gigantismo da natureza…

– afinal, em que tipo de turismo se deveria investir?
Partilho da opinião de que o Turismo, para além da sua componente empresarial, é uma indústria cuja actividade desagua no grande oceano da cultura popular. Não vale a pena redescobrir a pólvora: as respostas alinhadas à supracitada interrogação não devem assentar em teimosias políticas inerentes ao regionalismo doentio. As respostas deveriam assentar nos pedestais da oferta e da procura.  Aliás, no Turismo, há um mandamento central que recomenda: primeiro, servir – o lucro vem depois…    
Quando se trabalha em mercado aberto, tanto a oferta como a procura podem ser reorientadas pelas prioridades locais, e reforçadas pelo capital privado. Quando os cruzados turísticos estão à mesma distância da lei, a palavra mágica será só esta – competição. Como quem diz:  mesmo no seio duma democracia empresarial, o cidadão comum está sempre à mercê de dois tiranetes: o prazer e a dor…
De resto, não faz nenhum sentido humano ou empresarial fazer da pobreza um cartaz de turismo!  Seria boa ideia apoiar a preservação das características originais do meio rural, sem cair no regionalismo piegas, piroso, que confunde ruralismo com a exibição cruel de quadros de miserabilismo trabalhoso…

– quem vive sob a metralha do perigo, sente-se mais  perto do Criador?
Como há pouco comentava, a decorrente barulheira mundial não dá para aplaudir o narcisismo politico. O ideal seria observar confiadamente o vocabulário da Vida, para compreender com serenidade as leis da Natureza.
Vou continuar a conversar, confiante na habitual empatia dos apreciados leitores:  atrevo-me a cotejar alguns pingos poéticos “acontecidos” há 20 anos:
… trinados solitários na escadaria da espera
pingam gotas fadistas na erva da memória:
sou mendigo de estrelas, cercado por longes
condenado à vala-comum da quietude
romeiro-imigrante disfarçado entre monges
de sentinela ao lume que me arde de virtude.

…/…

Luta contra todo o mal
faze o bem e logo esquece
a vida é missa-campal
quando a justiça acontece

Após esta breve aragem poética, vou encerrar esta “ausência – avenida com dois sentidos”,  relembrando que Turismo é uma indústria que pressupõe a prestação de um serviço em prol da proximidade cultural ; não são os milionários que viajam em grupos – são as classes trabalhadoras que são muito sensíveis à exploração desenfreada do desconhecido. 
Dito isso, vamos decifrar algumas das sinuosidades financeiras da mentalidade empresarial norte-americana… 
Antes de voar atrás das ideias, é aconselhável refrescar tácticas:

Cultivar o sentido das proporções: a vaidade das mentalidades pobres arrasta por vezes ao gigantismo injustificado;
Planear, estudar o potencial do mercado turistico;
Copiar (com inteligente humildade) a experiência alheia;
Dignidade na aposta; honestidade no servir;
Trabalhar no duro - o trabalho livre não pode ser visto como sinal de tragédia pessoal;
Turismo pode e deve transformar o Oceano Atlântico como “ponte” entre os dois continentes. Cuidado: indústria turística não deve ser identificada como “jogo do rapa” (tradição judaica). 


 

(*) o autor permanece indiferente ao recente acordo gráfico.