Obesidade e depressão

 

 

Um interessante artigo do “Kaiser Health News” abordou recentemente este assunto. Apesar dos livros de medicina não associarem os dois problemas, é claro que há uma associação entre a obesidade e a depressão. De acordo com os “Centers for Disease Control” do Governo Federal, 43 por cento das pessoas deprimidas são obesas, enquanto apenas um terço da população em geral sofre de peso a mais.
Por outro lado, os obesos têm 55 por cento maior probabilidade de vir a sofrer de depressão, e os deprimidos têm 58 por cento maior tendencia a serem gordos. 
Dito isto, é certamente recomendável que quando um paciente se apresenta ao consultório com obesidade e depressão o médico trate simultaneamente os dois problemas. Ambos têm grandes semelhanças: são doenças crónicas difíceis de tratar, e necessitam de intervenções de saúde mental e fisioterapia a longo prazo.
O problema é que os médicos de cuidados de saúde primários não têm capacidade de tempo ou treino para tratarem o problema psiquiátrico e a maioria dos médicos psiquiatras não foi treinada em controlo de peso.
Claramente, tratamento que inclua para além de médicos e enfermeiros, outros técnicos de saúde como dietistas e fisioterapeutas terá maior sucesso. A prova está em estudos efetuados no Cooper Institute (Texas) e pela Duke University que mostrou que quando os médicos receitavam também exercício semanal, quando os doentes tinham ajuda com pequenas mudanças de estilo de vida e consultas dietéticas, as taxas de depressão ficaram por metade.
Infelizmente, este tipo de intervenção multidisciplinar não é ainda a norma, e perde-se muito tempo e dinheiro com intervenções isoladas que não produzem resultados. 
Claramente os médicos e enfermeiros necessitam de mais treino nesta área para benefício dos seus doentes e fundamentalmente manter nos seus pacientes a confiança de que com intervenção multidisciplinar e tempo muito se pode fazer para corrigir tanto o excesso de peso como a depressão.
Haja saúde!