Tonturas e Vertigens

 

As “tonturas” são umas das queixas neurológicas mais comuns num consultório médico, e necessitam de um exame adequado, principiando com a avaliação destes termos usados indiscriminadamente pelo paciente. Tonturas e Vertigens têm significados muito diferentes e etiologias diversas. Os textos médicos definem tontura como uma sensação de perda de equilíbrio, sem ser acompanhada de dor, e que pode ter origem em problemas de visão, de tensão arterial, de disfunção do ouvido interno, ou até do sistema gastro-intestinal. Uma Vertigem, por outro lado, dá uma sensação de rotação, aparece em forma de ataques, muitas vezes acompanhada de náuseas e vómitos, palidez, e incapacidade para o doente se manter de pé. 
Para além das causas acima indicadas, as tonturas podem também ter uma origem psicogénica, como é o caso de um ataque de ansiedade ou pânico. A origem desse sintoma está nestes casos relacionada com respiração exagerada ou demasiadamente rápida, o que baixa os níveis de dióxido de carbono causando a tontura. Corrige-se fazendo com que o indivíduo respire para um saco de papel, de modo a aumentar os níveis de dióxido de carbono para valores normais.
No caso das Vertigens podem haver essenciamente três origens: A Vertigem Benigna Posicional, que é a causa mais comum, é de curta duração, e não afeta a audição. Outra causa é a Doença de Ménière, que tipicamente tem início abrupto e cujo ataque pode durar até um hora. Este sindroma é frequentemente acompanhado de acufenos (zumbidos) e perda temporária da audição. Finalmente, uma terceira causa é a Neuronite Vestibular, uma condição mais rara mas que pode causar sintomas durante vários dias, até semanas.
O diagnóstico diferencial nem sempre é fácil, e deve ser feito por um especialista, pois pode necessitar de técnicas especializadas. Em boa parte as pistas são dadas pelo doente, que frequentemente sabe bem a constelação de sintomas, duração, e - muito importante – o que o paciente faz para minimizar os sintomas.
Os tratamentos evidentemente variam com a etiologia das tonturas ou vertigens, mas incluem períodos de descanso deitado, e o uso de vários agentes anti-histamínicos, entre estes a Dramamina, a Meclizina (Antivert) ou prometazina (Phenergan). Em caso de vómitos persistentes, o tratamento pode ser dado em forma de supositório. A vertigem benigna posicional não necessita de tratamento, mas as causas mais severas de vertigem podem necessitar de intervenção cirúrgica.
No caso do leitor sofrer frequentemente de episódios de tonturas ou vertigens, aconselho-o/a a consultar o seu médico/a ou enfermeiro/a de família que fará as avaliações necessárias e o encaminhamento para um especialista se for necessário.

Haja saúde!