Refluxo e cancro do esófago

 

O Refluxo Gastro-Esofágico, que muitas vezes se traduz por sintomas de “azia”, é um problema comum: um em cada cinco americanos sofrem desta condição, com sintomas pelo menos uma vez por semana, e quase metade de nós sofre de refluxo pelo menos uma vez por mês. Em inglês o acrónimo clínico para reluxo é GERD, um termo que muitos certamente viram identificados na sua ficha médica.
De um modo geral todos encaramos este problema como algo benigno, produto de uma grande refeição, de um molho mais rico no bife, ou de exagerar na pimenta caseira. Tomamos uns antiácidos de venda livre na farmácia ou supermercado, e problema resolvido… Infelizmente nem sempre é assim.
O adenocarcinoma do esófago (o “tubo” que liga a boca ao estômago) mata mais de 15 mil americanos cada ano, e a sua incidência aumentou sete vezes desde os anos 70. Razões para isso são diversas, mas o aumento da obesidade é sem duvida a causa principal, a que se segue o stress da vida de hoje, e tendência para refeições grandes. O refluxo frequente dos ácidos do estômago e alimentos para o esófago, em vez de intestino causa uma mudança das células do esófago, de tipo escamoso (o normal, semelhante à nossa pele, para epitélio glandular, semelhante ao do estômago. Esta mudança chama-se Esófago de Barrett e afeta cerca de 5 por cento dos doentes com refluxo. Destes, em 10 por cento a situação evolve para cancro, o adenocarcinoma esofágico, que pode ser mortal, pois os doentes continuam a pensar que os seus sintomas são de azia simples até ser tarde demais.
Se o leitor sofre de refluxo duas ou mais vezes por semana, especialmente se nao melhora com medicação ou com certas medidas como não se deitar imediatamente depois de comer, é importantíssimo que recorra ao seu médico, particularmente a um especialista em gastroenterologia para uma avaliação detalhada. Uma endoscopia do esófago e estômago pode ser necessária, e pode salvar-lhe a vida. Se é dado a azia frequente, e especialmente se está com problemas em engolir, recorra ao seu médico imediatamente, pois este pode ser o primeiro sinal de cancro.
Em termos de medidas preventivas, o fazer refeições mais pequenas, o limitar o peso (lembre-se que um abdómen dilatado e pesado causa pressão no estômago e consequente refluxo), e manter uma dieta rica em alimentos com bastantes frutos, vegetatais, especialmente de folhas vedes, e fibras, o que ajuda a reduzir a incidência de esófago de Barret, e consequente cancro em mais de 60%. 
Haja saúde!