Mais idade, mais experiência… e muito mais

 

 

 

Desta vez não me vou ficar pelo simples conselho prático ao nosso leitor ou leitora, e gostaria de abordar uma causa que há muito tenho recomendado: o grande valor dos mais experientes (e mais velhos) em qualquer empresa e o facto de que o manter-se mentalmente ativo “dá anos de vida”. Isto vem agora a propósito do lançamento de um livro de Rich Karlgaard, “Late Bloomers”, revisto numa edição recente da publicação Forbes. Essencialmente há 3 mensagens a reter:

— Temos que nos livrar da mentalidade destrutiva de que “se você nao chegou a grande sucesso enquanto novo, nunca vai chegar a nada”.

— Temos que encorajar uma cultura que “celebre a completa variedade das habilidades humanas e diversos calendários para os sucesso e conquistas individuais”.

— A sociedade de hoje está a esbanjar enorme talento por causa do modo que tratamos os indivíduos com mais idade.

A verdade é que a cultura de hoje glorifica obcecadadamente os prodígios da juventude e ignora o fato de que muitos só chegam ao seu potencial máximo bastante mais tarde. Todos sabemos que a melhor escola da vida é a tentativa e erro, e demora anos a desenvolver talentos reais. Infelizmente, a cultura de hoje faz com que quem não seja ostensivamente bem sucedido no princípio da sua carreira sentir-se inade­quado, e depois cria barreiras ao progresso de quem procura o seu próprio caminho de sucesso.

Uma destas manifestações é a pressão de que os pais sentem em enviar os filhos para as escolas mais prestigiosas, gastar rios de dinheiro em tutores tentando um aumento de 50 ou 100 pontos nos SATs, até aos escândalos recentes com as admissões às universidades. Tudo isto esquecendo-se que o que realmente conta para a satisfação de cada um é o que você faz na vida real, de trabalho.

Em vez da celebra­ção dos “meninos-prodígio” a sociedade devia adotar um relógio ou calendário mais gentil para todos, e lembrar que a idade sempre confere cada vez mais atributos, como a sabedoria, discer­nimento, curiosidade, compaixão, criatividade, com­postura, e principalmente uniformidade de temperamento, o que é essencial para resolver situações difíceis. São essas as razões porque a maior parte dos empreendedores são pessoas de meia-idade ou mais.

O autor do livro é bastante otimista, refletindo a cultura da nossa sociedade, e de todos os imigrantes, de nunca desistir da busca de uma vida mais feliz. É certo que perdemos algumas faculdades enquanto ama­durecemos, mas o que ganhamos em experiência supera consideravelmente o que se perdeu. Os empre­gadores mais astutos reconhecem que as carreiras não seguem sempre a mesma trajetória, e criam mecanismos para aproveitar esse talento muitas vezes pouco reconhecido. Em vez de gradualmente se verem livres dos seus empregados mais velhos só para fazer lugar aos mais novos, as empresas devem aproveitar a oportunidade de manter percetores e mentores a longo prazo, especialmente porque estes trabalhadores têm toda a credibilidade e não precisam de competir para promoções – esta parte da sua carreira já acabou.

E para si, leitor, mantenho o mesmo conselho que tenho dado há anos: mantenha-se física e mentalmente ativo, continue a busca dos seus sonhos e objetivos seja em que idade for, e com um pouco de sorte será recompensado com felicidade e saúde.

Pessoalmente não estou sequer perto da idade de reforma, mas duvido que seja capaz de parar por completo quando lá chegar.

Haja saúde!