Os novos medicamentos para perda de peso funcionam mas quem os paga?

 

Segundo um recente artigo da Harvard Medical School, após décadas de falhanços, os medicamentos para o controlo/perda de peso parece que finalmente funcionam. O mercado farmacêutico para medicamentos deste tipo ronda os 12 mil milhões (biliões) de dólares, refletindo a severidade do problema da obesidade neste país, mas a previsão é que chegue a 54 mil milhões em 2030.
Este entusiasmo tem todo o mérito, já que os novos medicamentos oferecem uma melhor perda de peso e maior tempo de duração desta perda, e muita da população poderá beneficiar destes novos tratamentos. Neste momento só 3% da população que teria direito a ser tratada para a obesidade severa toma estes novos fármacos, todavia o uso mais vasto destes tratamentos só poderá acontecer se os médicos conseguirem ultrapassar várias barreiras existentes ao seu uso.
Estes novos medicamentos são habitualmente injeções semanais que imitam as hormonas naturais que promovem a saciedade, mas ainda há muito que fazer no campo da segurança e eficácia a longo prazo. Um exemplo é o medicamento Wegovy aprovado pelo FDA em 2021 e o medicamento Mounjaro, que se espera seja aprovado no próximo ano, que aparentemente ajudam a perder 15 a 20% do peso corporal, com todas as vantagens que essa perda pode trazer à saúde cardiovascular, diabetes, artrites, cancros, etc.
Os resultados recentemente publicados parecem representar uma eficácia 2 a 3 vezes maior do que os medicamentos previamente existentes, que também não eram exemptos de desagradáveis efeitos secundários (como sindromas diarreicos) ou mesmo efeitos colaterais perigosos (aumento de risco de ataques cardíacos ou cancro).
A população está inquieta para poder usar estes tratamentos, mas as listas de espera nos centro de tratamento da obesidade são enormes (só no Mass General Hospital a lista de espera é de 4 mil doentes), e até as companhia farmacêuticas estão com dificuldades em dar resposta à procura. Por outro lado, no caso do Mounjaro, este medicamento só tem aprovação do FDA para uso em diabéticos, carecendo ainda de aprovação para o tratamento da obesidade. 
 Outro problema parece ser a relutância dos médicos de família em receitar estes novos medicamentos, mas na realidade a maioria não é treinada em tratar o excesso de peso e outros ainda aderem à noção de que a obesidade é um problema de estilo de vida e não um problema com raízes médicas e psicológicas. 
Finalmente, uma barreira importante parece ser o preço, pois o Wegovy custa cerca de $1600 por mês e a cobertura pelas companhias de seguros tem sido fraca, mais em alguns estados do que noutros. Na Pennsylvania, por exemplo, uma tentativa de lei que daria acesso a estes medicamentos pagos pelo Medicaid tem-se mantido no limbo legislativo há muito tempo.
Mais ainda, só quando um medicamento começa a ser usado em larga escala é que tipicamente aparecem os efeitos secundários não detetados nos estudos preliminares, portanto não temos ainda a certeza da total segurança destes tratamentos. Dito isso, para muitos dos obesos que ainda não conseguiram tratamento para o seu sofrimento, estes novos fármacos parecem dar uma “luz no fundo do túnel” a quem padece de grande excesso de peso e suas terríveis consequências.
Haja saúde!