O verão do nosso descontentamento

 

Não temos prazer em aceitar as mudanças climáticas, mas aos poucos estas começam a demonstrar que o Agosto de 2021 foi mais húmido, quente, chuvoso e com dias de mar agitado, não facilitando as idas ao banho porque o sargaço era muito e, as águas-vivas compartilhavam no bloqueio à entrada nas praias e poças de banho, que no passado eram atraentes, tanto aos habitantes açorianos como aos visitantes. Contudo os turistas não deixaram de andar por todas as localidades mais acessivas, desde as montanhas às áreas com valados de característica vulcânica. Por vezes e, quase todos os dias, o nevoeiro e a chuva limitava as caminhadas por dentro dos arvoredos de grande e pequeno porte. 

No Arquipélago dos Açores onde todas as ilhas parecem idênticas, na realidade todas  têm as suas características únicas. Os vulcões deram-lhes os moldes gráficos, que foram progredindo com as atividades volcânicas desde a sua origem. Como é de esperar as ilhas maiores, ou seja, São Miguel e Terceira, têm um desenvolvimento social, industrial e comercial mais ativo e progressivo, contudo todas as outras têm progredido nas últimas décadas, aproximando-se claramente para o desenvolvimento tecnológico e digital que será o maior meio de desenvolvimento no futuro. 

Talvez, e como exemplo, é relevante a coligação de três ilhas São Jorge, Faial e Pico com o título popular de  TRIÂNGULO o que faz muito sentido. As três ilhas por si próprias tem atracões únicas, devido as suas belezas naturais. O Vulcão dos Capelinhos, por exemplo, é visitado por cientistas e curiosos que querem compreender como tudo se passou e, aprender com o mesmo. Os turistas que pretendem conhecer a caldeira onde a ilha se formou, descem há cratera pelos trilhos  que têm centenas de anos. O vale do Flamengos visto de cima da montanha é de uma beleza ímpar. As praias e as piscinas são altamente frequentadas, bem como as falésias e as fajãs. São Jorge é uma ilha longa com grandes falésias em toda a ilha que os trepadores ousados nacionais e internacionais gostam de subir e descer. Algumas das escarpas e cataratas estão ligadas com as fajãs. São Jorge é um dos maiores produtores de queijo nos Açores e, mais conhecido internacionalmente, o que encoraja os visitantes a procurar as fábricas na ilha para levar queijo consigo para os seus países. A montanha mais elevada em Portugal encontra-se na ilha do Pico sendo reconhecida como a “Majestade dos Açores”, e tem uma altitude de 2.351 metros. Hoje é visitada  por centenas, para não dizer milhares de visitantes que a sobem acompanhados por guias, treinados e conhecedores da subida, que é lenta, mas exuberante quando se atinge o topo ao amanhecer e se vê as quatro ilhas que o rodeiam Faial, São Jorge, Graciosa e Terceira. A ilha do Pico e a sua vinicultura é centenária, sendo o vinho reconhecido em Portugal Continental e outos países na europa, especialmente o vinho verdelho. A sobrevivência da ilha era e é composta pelo que a terra produz e o mar permite. A pesca artesanal era difícil, sendo a mais arriscada a caça à baleia que deixou de existir. Destas indústrias resta a do vinho que nas últimas décadas desenvolveu consideravelmente. 

O comercio e as indústrias do TRIÂNGULO têm lutado pelo seu desenvolvimento ferozmente, mas as três continuam sem aeroportos que possam suportar o desenvolvimento destas e, os barcos de serviço entre ilhas continuam a ser poucos e de pouca capacidade para as necessidades das mesmas. O mesmo acontece com as Ilhas do Corvo, Flores, Graciosa e Santa Maria, pequenas, e  ignoradas  pelo sistema político, porque os números de votos em campanhas políticas não alteram os resultados de voto por freguesia, cidade ou ilha. “Muito se fala, mas pouco se faz”, os políticos primeiramente devem pensar nos problemas do povo e da ilha e, só depois podem pensar no partido, de outro modo nunca vamos atingir o que é importante e necessário para a ilha(s). A onde estão as escolas técnico-profissionais, indústrias, politécnicas e até universidades etc.? Enquanto os jovens não forem treinados em escolas e profissões que são necessárias à indústria e ao comércio local, dificilmente o desenvolvimento económico vai progredir.  O comércio e a indústria são responsáveis pelo desenvolvimento técnico e profissional, de uma juventude hoje desesperada e, quase perdida, pensando que só a e/migração os pode salvar, o que é um equívoco.