Projeto Sensibilizar, de Flávia Medeiros: a leitura como universo de tolerância

 


Sete. São sete. Sete livros que emocionam. Sete. São sete. Sete livros que sensibilizam. Sete. São sete. Sete livros que nos levam até ao outro. E esse outro são as crianças. E esse outro são crianças particulares, mas crianças como todas.
Este é o projeto de Flávia Medeiros: Sensibilizar. Num inigualável trabalho de educação cultural e cívica, a escritora, também conhecida por Galáxia, leva o leitor para outros universos: o das crianças com necessidades especiais. E, em sete distintos livros, vai-nos apresentando histórias que nos marcam pela descoberta do desconhecido, que nos dão uma visão outra da realidade dessas crianças, que nos fazem aceitar a diferença, com naturalidade. 
Mais: estes livros são fruto de uma dinâmica de promoção da leitura que leva as crianças ditas “normais” de várias escolas dos Açores a formar-se de tolerância, de aceitação da diversidade, de melhoria como pessoas em crescendo. Estes livros têm, assim, um mérito imenso, porque promovem a inclusão. 
E, para além destes ensinamentos, contribuem igualmente para o desenvolvimento da criatividade das crianças, pois são elas que, através de trabalhos de artes plásticas, ilustram quase a totalidade dos livros. 
Sete. São sete. Sete livros que tratam, cada um, uma “dificuldade”: Orvalho (2017) aborda a deficiência auditiva; Especialmente (2017), um livro de belos poemas, explora a dislexia e a discalculia; A Grãozinho de Arroz (2018) toca a deficiência visual; Pena de Pássaro (2018) foca-se na hiperatividade; Princesa sobre Rodas (2018) dedica-se à deficiência motora; Cúpulas (2019) destaca a Síndrome de Tourette; Zuim (2019) ilustra a sobredotação. 
Sete. São sete. Sete livros que enriquecem o Plano Regional de Leitura de Cidadania, de participação cívica, de educação para os afetos. 
Sete. São sete. Sete livros editados em três anos. Só pode ser perfeito! Três é a conta que Deus fez, logo é perfeição; sete é conotação de um ciclo; três associado ao sete só pode ser explosão de magia, big bang sentimental. E, de facto, o último livro, Zuim, é dedicado ao exaltar das emoções perante a descoberta de novos mundos. Isso só pode ser o Paraíso. E é nele que habitam as crianças, a quem devemos o Bem do/no nosso mundo…


Paulo Matos
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