Celebrações Populares de Outono nos Açores

 

 

 

Na primeira quinzena de Outubro ocorre a Procissão de Velas em gesto de despedida à Senhora de Fátima um pouco por todas as localidades açorianas. 

O dia 1 de Novembro celebra a festa de Todos-os-Santos, mas todo o mês de uma forma geral, era dedicado aos que já partiram. Esta festa começou por ser celebrada a 12 de Maio, pelo Papa Bonifácio IV ter considerado este dia no ano de 607. Consagrou também o antigo templo pagão do Phanthéon em Roma sob a invocação de Maria e de todos os santos. No século seguinte o Papa Gregório III consagrou uma das capelas da igreja de São Pedro em Roma ao culto dos santos. Finalmente Gregório IV em 847 transferiu a data para a actual. Este culto personalizado na prática do sepultamento é tão antigo quanto a história do Homem. Modificou-se de acordo com o tempo e com o espaço desde as civilizações pré-clássicas até à época contemporânea. 
Nos Açores este momento foi fortemente influenciado pelos diversos sacerdotes, que realizavam eucaristias todos os dias, por vezes de madrugada. Os cemitérios enchiam-se de pessoas que cuidavam das sepulturas e jazigos de familiares, o que ainda hoje acontece, de forma menos acentuada, a cada feriado de Todos-os-Santos. Ao longo do ano, mas principalmente nesta altura, os cemitérios açorianos refletem a atitude do ser humano perante a morte, transmitindo a memória de determinada família, do seu pensamento ideológico ou a sua ostentação. Também as eucaristias por alma dos entes queridos intensificam-se. 

 

“Pão por Deus
Que nos dá Deus
Seja tudo pelo amor de Deus”

(Rima dita em troca de alguns alimentos quando colocados na “saquinha” de pano.)


Por estes dias ocorre também o rito conhecido como “Pão por Deus”. Consistia numa esmola aos mais pobres de cada localidade, que eram agraciados com diversos alimentos (pão, massa sovada, milho cozido, entre outros), oferecidos e colocados em pequenas saquinhas de tecidos coloridos confeccionados manualmente. Era igualmente frequente encontrar-se pão caseiro enrolado em pano, deixado num banco ou muro, a fim de saciar a fome dos famintos. Este ritual carece de estudos aprofundados, mas é possível que tenha origem pagã e celta que se alterou ao longo do tempo.
O pão ou a massa sovada foram substituídos por guloseimas oferecidas às crianças mais pequenas a partir de meados do século XX. 

A meados do mês é a vez de celebrar o São Martinho principalmente através de convívios e jantares entre familiares, amigos, e mais recentemente em momentos promovidos por juntas de freguesia e municípios. Animadas por música popular, nestas confraternizações são degustadas castanhas, caldos e vinho tinto com o intuito de recordar o milagre atribuído a São Martinho.
No final de Novembro ou princípios de Dezembro tem início o tempo do Advento que prepara o nascimento de Cristo, outrora o Natalis Invicti Solis, remontando a sua origem ao Império Romano. No decorrer do século VI era celebrada no Império Romano uma festa intitulada de Adventus, que significava “chegada”. Este período consiste em quatro domingos que antecedem o dia de Natal e cada um remete para uma reflexão e preparação para a chegada do Messias. 
Para mais informações consulte-se “A História dos Costumes” de Jean Poirier; “A terra dos homens, o tempo dos ritos e a comunicação das artes” de Rui de Sousa Martins e “O Menino de Belém: da festa do Natal à iconografia da natividade e da adoração” de Maria Isabel Roque.
 

Este texto não segue o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.