A origem dos símbolos de Natal

 

 

 

(continuação)

 

Em meados do século XIX, na época de Natal, o inglês Sir Henry Cole costumava escrever a uma grande quantidade de pessoas a desejar-lhes Boas Festas. Na tentativa de criar um processo mais simplificado criou um postal com uma imagem e uma mensagem de Natal. A imagem que utilizou foi tão falada que o conceito acabou por se generalizar.

 

A estrela de Natal, também conhecida como a estrela de Belém, tornou-se num ornamento típico das nossas casas na época de Natal. É colocada no topo da árvore de Natal ou no presépio e lembra-nos a estrela que guiou os três Reis Magos até ao local onde o Menino Jesus nasceu. A estrela característica possui quatro pontas que representam os pontos cardeais (norte, sul, este, oeste) e uma cauda luminosa, fazendo lembrar um cometa. Também se usa a estrela de cinco pontas lembrando o ser humano. A estrela de Natal para além de ter orientado os Reis Magos, representa a luz do mundo: Jesus Cristo. Um dos pontos de partida para a associação da luz ao cristianismo é enunciado por São João: “N’Ele estava a Vida e a Vida era a luz dos homens” (Jo 1, 4). Esta triangulação entre Cristo, a luz e a vida é confirmada pelo próprio discurso cristológico: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). A referência bíblica da estrela de Natal é feita no Evangelho de Mateus, onde relata a vinda de sábios do oriente para visitar o Messias recém-nascido. Como não sabiam onde se encontrava Jesus, os três Reis Magos perguntaram na corte do Rei Herodes, mas sem sucesso. Herodes ao saber do nascimento do Rei dos Judeus, pediu-lhes que assim que encontrassem Jesus, o informassem. Os Magos vendo surgir no céu uma luz intensa, seguiram-na, encontrando em Belém o Menino Jesus.

A primeira representação do presépio é atribuída a São Francisco de Assis em 1223 na floresta junto ao burgo medieval de Greccio, na Umbria em Itália. Com a permissão do Papa Honório III criou um presépio com figuras humanas e animais, recreando o local de nascimento de Jesus, que serviu de pano de fundo para a missa de Natal daquele ano. A palavra “Presépio” deriva do latim praesepium, que significa curral, estábulo ou lugar. Em Portugal por vezes é montado no início do Advento sem a figura do menino Jesus, que será colocada na noite de Natal, após a Missa do Galo.

 

A árvore de Natal tem a sua origem na tradição típica dos países da Europa do Norte, datando as primeiras referências do formato actual no século XVI, mas esta tradição é também uma recordação da festa nórdica, celebrada pelo solstício de Inverno e posteriormente pela influência germânica e pelo gosto vitoriano que chegou até nós. Caracterizava-se por uma planta ou pequena árvore de forma triangular, que representava a Santíssima Trindade, decorada com velas e no cimo com uma estrela, representando a visão que Martinho Lutero terá vislumbrado na floresta. Podia igualmente ser decorada no topo com o Menino Jesus ou por um Anjo. Na Alemanha era frequente as famílias decorarem um pinheiro com papéis coloridos, frutas e doces, e a partir da Revolução Industrial com pequenos objectos em vidro. A tradição espalhou-se por toda a Europa e Estados Unidos durante o século XIX, também, graças ao contributo do príncipe consorte Albert ao introduzi-la em Inglaterra.

Na manhã de Natal as crianças correm para debaixo da árvore, a fim de descobrir os presentes deixados pelo Pai-Natal. Esta figura compila novamente duas tradições distintas: a de um “(…) lendário velhote de barbas brancas, com carapuça e capote vermelho e umas botas que facilitavam o caminhar na neve, que de noite pela chaminé, nas meias e sapatinhos ao pé da lareira, deixava brinquedos e guloseimas (…)”  e a de “(…) São Nicolau ou Santa Klaus que se deslocava num trenó puxado por renas (…)”. São Nicolau, bispo de Myra na Turquia, nascido entre o século III e IV é associado a diversas lendas que o referem como um benfeitor de crianças e jovens. Viajou para o Egipto e Palestina, onde se tornou bispo. Existem inúmeras lendas em seu redor, como a ressurreição de crianças, ou a de ser um homem rico através da herança de seu pai e que assim conseguia auxiliar jovens casadoiras com a oferta de bolsas de ouro, como dote, colocando-as nas janelas ou pela chaminé. É mencionado por vezes que se deslocava num burrinho e por outras num trenó puxado por renas, trazendo um saco repleto de presentes. Esta compilação de lendas e estórias serviram de inspiração a um desenhista de uma conhecida marca de refrigerantes, já no século XX, que criou a imagem que nós hoje conhecemos como o Pai-Natal.

 

Para mais informações note-se as obras “O Menino de Belém: da festa do Natal à iconografia da natividade e da adoração” de Maria Isabel Roque; “Dicionário das Religiões” de Giovanni Filoramo; “A história dos Costumes” de Jean Poirier e “Dizionario Universale del Natale” de Cláudio Corvino.

 

 

Este texto não segue o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.