Herança Portuguesa na Índia

 

 

Durante o século XVI os portugueses dominaram o Oceano Índico e controlaram Goa assinalando através da sua acção o início da Época Moderna, com a fixação de população nativa e também europeia, assim conseguiram marcar a sua tão desejada presença no Oriente. 
Inicialmente o mais importante era garantir a supremacia marítima e comercial, através de alianças nos principais portos e de feitorias que guardavam algumas especiarias.
Afonso de Albuquerque foi o responsável pelo impulso que a cidade de Goa sofreu, devido ao importante comércio estabelecido entre o Oriente e vários países europeus. 

Além da educação ocidental, as missões católicas tiveram uma importante acção no que diz respeito a cuidados médicos, serviço social e desenvolvimento das próprias línguas indianas. Alguns dos primeiros dicionários e gramáticas foram compilados e publicados por missionários.
A conversão ao Cristianismo por parte dos indianos reflectiu de uma forma mais consciente a injustiça da hierarquia social hindu. No caso do islamismo a conversão foi muitas vezes em grande escala através da força das armas. Quando isto não se verificava, partiam das castas consideradas inferiores dominadas e exploradas pelas castas superiores como a brâmane. Ao Cristianismo converteram-se deste modo pessoas essencialmente das castas mais baixas da hierarquia social hindu: sudras (servos) e párias (intocáveis/impuros). O Hinduísmo ao contrário do Cristianismo é uma religião politeísta e hoje é possível afirmar que na Índia são adoradas mais de três mil divindades, no entanto, o Hinduísmo situa-se em torno de três divindades principais: Brahma, Vishnu e Shiva. 
Numa paisagem marcada pelos sinais de uma religião diferente são as igrejas, conventos, ermidas, cruzeiros, pelourinhos e edifícios civis e domésticos que mostram a forte influência portuguesa.
Devido à necessidade defensiva e de segurança instalaram-se cidades na Índia e no Ceilão. O processo foi semelhante ao norte de África com a construção de fortalezas estratégicas ao longo da costa e feitorias, cujas pedras iam frequentemente aparelhadas e prontas para sua construção. Fortalezas isoladas, fortalezas em volta de cidades já existentes, cidades ocupadas e também feitas de raiz.
Segundo Paulo Pereira as primeiras viagens tinham o objectivo de estabelecerem simplesmente “(…) feitorias em locais cedidos pelo Rajah, junto ao mar, em cabos, penínsulas, ilhas ou enclaves delimitados por rios”. Devidos às necessidades a engenharia militar portuguesa testou novas técnicas de concepção e de construção nas estruturas defensivas e posteriormente no urbanismo em geral.
Nos séculos XVII e XVIII as Novas Conquistas não tiveram um cariz de expansão, mas sim de segurança: “(…) quando o poderio naval português declinou e o império Maratha cingiu pelo interior o minúsculo território de Goa” o oceano Índico foi dominado pelos muçulmanos, pois o império turco fazia estender as suas acções expansionistas ate à Índia, mostrando os portugueses como inimigos religiosos e como ameaçadores do seu comércio.
No caso de Baçaim que foi cedida em 1534, logo se iniciou a edificação de uma feitoria e mais tarde uma fortaleza. Houve implantação de equipamentos e de edifícios principais, ruas abertas e pavimentadas. Quanto a Goa a sua fortaleza representava uma grande importância estratégica, porque barrava o acesso da frota muçulmana ao Golfo de Cambaio. Em Damão a muralha era de estrutura simples, que se fundia com a paisagem e a sua localização permitia uma evacuação sob ameaças territoriais.

Para mais informações note-se as obras História da Arte Portuguesa de Paulo Pereira, Goa e as Praças do Norte Revisitadas e No Trilho dos Descobrimentos Portugueses: Estudos Geográficos de Raquel Soeiro Brito, Aspectos e Problemas da Expansão Portuguesa de Orlando Ribeiro ou A Índia de Raghavam.

 


Este texto não segue o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.

 

Licenciada em Património Cultural e mestre em Património, Museologia e Desenvolvimento pela Universidade dos Açores/ SIAA/creusamsr@gmail.com