As Sete Maravilhas do Mundo Antigo

 

 

 

As sete maravilhas do Mundo Antigo são uma famosa lista referida na Antiguidade Clássica como obras de excepção no mundo conhecido à época. Constituem-se por obras arquitectónicas e artistas de grande relevo com proporções colossais e de proeza técnica, referenciadas num poema do poeta grego Antípatro de Sídon (viveu por volta de 100 a. C.) e, mais tarde documentadas no livro De Septem Orbis Miracullis do engenheiro e matemático grego Filão de Bizâncio (séc. II a. C.).

A conquista grega de grande parte do mundo ocidental conhecido no século IV a. C. proporcionou aos viajantes helénicos o acesso a diferentes civilizações e lugares: Egipto, Pérsia e Babilónia. Impressionados e cativados pelas belezas artísticas das várias terras estes viajantes decidiram criar uma lista do que viram para memória futura. No entanto, o termo utilizado pelos antigos gregos não era o de “maravilhas”, mas sim de theamata (θεάματα), que significa “vistas”, ou seja, belezas a serem vistas.

O número sete, número da sorte, tal como o número três, indivisível, assumiu grande importância nos rituais mágicos e religiosos antigos. Sete elementos como limite, mas não limitados em si. Um grande número convidaria à sua divisão, encorajando até que os objectos da lista fossem colocados por ordem de importância. Um número menor certamente forçaria os objectos de igual mérito a serem excluídos, criando a controvérsia da escolha que poderia nunca ser resolvida. Para além dos Sete Pecados Capitais (gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e orgulho); dos Sete Sábios da Grécia (Tales, Pítacos, Bias, Solon, Cleóbulo, Mison e Quílon); do Memorah de Jerusalém (candelabro de sete braços) e das sete filhas do deus Atlas e de Pleiones, estrelas nomeadas pelos antigos gregos como Pleaides (Alcíone, Asterope, Electra, Maia, Mérope, Taigete e Celeno) a lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo tomou o seu lugar na História da Humanidade: Pirâmide de Quéops; Farol de Alexandria; Jardins Suspensos da Babilónia; Colosso de Rodes; Estátua de Zeus; Mausoléu de Halicarnasso e o Templo de Ártemis, que correspondem geograficamente ao Egipto, Iraque, Grécia e Turquia, respectivamente.

A maior parte de nós sabe que esta lista existe, mas provavelmente poucos a sabem nomear imediatamente e na totalidade, ou então desconhecem na sua grande maioria, quem foram os seus autores e onde se localizavam. A verdade é que das sete, seis foram destruídas pela acção da natureza ou pela mão humana. A única maravilha do Mundo Antigo que permanece até aos nossos dias é a Pirâmide de Quéops, no Egipto, construída há cerca de cinco mil anos.

Representações das sete maravilhas em esculturas e em moedas possibilitaram um vislumbre da glória do seu tempo de ouro, no entanto, é graças ao trabalho realizado nos campos arqueológicos que chegou até nós a localização das mesmas, devolvendo-lhes o antigo esplendor. Durante o século XX o conhecimento das sete maravilhas permitiu distanciar a realizada da ficção sobre os monumentos e os seus criadores através das diversas escavações. O saber moderno do Mundo Antigo tornou-se muito mais completo e realístico do que as pinturas e gravuras das sete maravilhas desenhadas até então.

Peter Clayton e Martin Price defendem que os monumentos e obras de arte de hoje serão futuramente fragmentos do mundo actual, e que a lição das Sete Maravilhas do Mundo Antigo são uma lição intemporal.

 

Para mais informação note-se as obras “The Seven Wonders of the Ancien World” de Peter Clayton e Martin Price; “Seven Wonders of the Ancien World” de Paul Jordan; “Antigo Egipto: Arte, História e Civilização” de Maria Cristina Guidotti e Valeria Cortese e “Encyclopedia Britannica”.

 

Este texto não contempla o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.

Licenciada em Património Cultural e mestre em Património, Museologia e Desenvolvimento pela Universidade dos Açores/ SIAA /creusamsr@gmail.com