Conservação e Restauro do Património Móvel em Portugal

 

 

 

A preservação do Património é considerada uma das mais nobres incumbências da sociedade contemporânea. Conservar o legado herdado dos nossos antepassados através das diversas manifestações criativas ao longo do tempo e em diversos formatos e suportes, mantém activo o elo entre o passado e o presente, perspectivando o futuro e o seu desenvolvimento ao assegurar a identidade colectiva.
Um dos principais passos dados em Portugal que permitiu a preservação dos bens móveis foi através da institucionalização dos primeiros museus e mais tarde com a criação da carreira-profissão de conservador-restaurador.
Em 1840 surgiu o Museu Portuense, actualmente Museu Soares dos Reis. Em 1884 foi criado o Museu Nacional de Belas Artes, agora Museu Nacional de Arte Antiga. As primeiras estruturas museológicas traduziam as preocupações sobre situações de degradação de várias obras recolhidas, transferidas de antigos conventos, após a extinção das ordens religiosas em Portugal.
Em 1890 iniciou-se o processo de restauro do painel Fons Vitae da Misericórdia do Porto, onde o pintor teve o cuidado de fotografar a obra antes do restauro. Em 1910 foi criada a Comissão de Inventário e Beneficiação da Pintura Antiga em Portugal, constituída por Ramalho Ortigão, Manuel de Macedo, Luciano Freire, José de Figueiredo, entre outros. No ano seguinte foi instalada a oficina de restauro no Museu Nacional de Arte Antiga.

O relatório de intervenção dos painéis da Igreja Matriz em Cascais de 1933, efectuado pelo pintor Carlos Bonvalot, compõe um dos documentos mais relevantes da história do restauro no nosso país. Assinala a passagem de uma intervenção baseada na intuição e à merce da mestria de quem a executava para uma abordagem mais cuidada e científica. Outro importante momento foi a primeira vez em que foram realizados estudos de uma pintura recorrendo à radiografia, luz rasante e raios infra-vermelhos, em 1934 com o auxílio de médicos radiologistas, na cidade do Porto.
Nas décadas seguintes o ateliê de restauro do Museu Nacional de Arte Antiga foi apetrechado com equipamento laboratorial criando as condições necessárias para a correcta análise das obras de arte. Era conhecido como “Laboratório para o Exame das Obras de Arte”, mais tarde passou a designar-se por “Instituto José de Figueiredo”. Simultaneamente a carência de espaços adequados para o estudo e intervenção, fez-se sentir, tal como a formação de futuros colaboradores, que imponham a construção de raiz de um edifício dedicado unicamente às oficinas e laboratórios de restauro. O instituto albergou também as oficinas de pintura, mobiliário, têxteis, arquivo e documentação. Desenvolveram-se contactos internacionais com outros restauradores e conservadores no quadro da UNESCO e do ICOM que favoreceram a troca de experiências e abriram novos horizontes de trabalho.
O Instituto José de Figueiredo procedeu à conservação e restauro dos bens móveis que estavam quer na posse do Estado, autarquias locais, quer na posse de privados. Assegurou a investigação e aplicação de técnicas. Promoveu, fomentou e assegurou o ensino das mesmas, através da formação profissional, sendo a única instituição estatal especializada na área. Assim participou em campanhas de trabalho por todo o território nacional quanto a retábulos, pinturas em tectos, pintura mural, esculturas, mobiliário e têxteis.

O Decreto-Lei nº 342/99, de 25 de Agosto precedeu à criação do Instituto Português de Conservação e Restauro em 2000. Desta forma o Ministério da Cultura visava cumprir dois objectivos: incentivar a investigação e afirmar a responsabilidade do Estado na preservação do Património Cultural.
Em 2007 surgiu o Instituto dos Museus e da Conservação que uniu o Instituto Português de Museus e o Instituto Português de Conservação e Restauro. Contribuiu para a definição e afirmação de uma ética de preservação activa do património cultural móvel; interveio directamente sobre os bens culturais classificados como de interesse público e nacional; e ainda supervisionou tecnicamente a preservação dos bens de especial relevância artística, histórica, propriedade de museus e outras entidades.
Finalmente em 2012 teve lugar a Direcção-Geral do Património Cultural, resultado da fusão de vários institutos com a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo.

Para mais informações consulte-se os endereços do Museu Nacional de Arte Antiga e da Direcção-Geral do Património Cultural.


Licenciada em Património Cultural e mestre 
em Património, Museologia e Desenvolvimento 
pela Universidade dos Açores/ SIAA.

 

Este texto não segue o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.