O coronavírus veio mudar as nossas vidas

 

 

O ano de 2020 entrará definitivamente para a história devido ao Covid-19, a epidemia de origem desconhecida que já provocou mais de 339 mil mortos e infetou mais de 5,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo uma contagem que continua a aumentar. 

Uma coisa é já bem clara, assim como o HIV mudou para sempre como fazemos sexo, os efeitos do Covid-19 também mudarão muitas coisas no nosso dia a dia e possivelmente vão transformar o nosso estilo de vida.

Por mim, não saio de casa há três meses e já percebi com clareza que, enquanto não houver uma vacina tranquilizadora, as nossas rotinas cotidianas como ir a restaurantes, cafés, bares, concertos, teatros, cinemas, bibliotecas, museus, supermercados e centros comerciais estão comprometidas por serem um risco.

Vários futuristas internacionais dizem que o coronavírus funcionou como um acelerador de futuros e a pandemia veio antecipar mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto e o ensino à distância.    

Ninguém sabe exatamente o que virá, mas com certeza o nosso estilo de vida – e muito mais – mudará e tudo indica que passaremos a ter maior uso da internet.

O que mudará? O home office já é uma realidade para muita gente, de profissionais liberais a funcionários de companhias que já adotam o modelo que tende agora a popularizar-se. É o meu caso por exemplo, há vários anos colaboro no PT, nem sequer vou ao jornal e nunca nos demos tão bem. Quando precisamos comunicar basta um telefonema ou email.

Ora isto inclui uma série de profissões que podem deixar de ter comunicação cara a cara. Para vender não é preciso ver quem compra e não foi por acaso que as compras online realizadas nos EUA aumentaram 42% entre março e abril em comparação com igual período do ano passado, segundo dados da Ebit Nielsen, que mede as transações virtuais no país e concluiu que 31% dos utentes fizeram-no pela primeira vez e vão continuar, deixando a Amazon encantada.

Em contrapartida, com a possibilidade de novas ondas de pandemia num futuro próximo, alguns negócios estão comprometidos. É o caso de bares, restaurantes e cafés, que vão ter que mudar os seus espaços para reduzir a aglomeração e funcionar sobretudo só com delivery. 

Não temos tanta certeza de como será tudo depois do coronavírus, que provocou uma revolução na nossa vida. Esse novo estilo de vida causado pela pandemia com certeza irá interferir no trabalho, na saúde, nas relações com as pessoas, no consumo e no lazer.

O marketing digital passou a ser uma ferramenta para as empresas contatarem clientes e criarem maneiras de vender.

No Reino Unido e na Suécia há muito tempo que consultas de rotina a médicos são realizadas pelo telefone. Nos EUA, os médicos descobriram agora o telefone (e a videoconferência) e muitos não querem voltar às consultas pessoais depois do término da pandemia. 

O ensino on-line também pode ter-se finalmente imposto. Milhares de estudantes  de vários níveis têm estado a estudar em casa e estão encantados. Quem não gosta da ideia são as próprias universidades, que assim deixam de poder cobrar propinas de milhares de dólares.

Talvez o Covid-19 tenha acelerado o nosso caminho para um futuro on-line. As transformações são inúmeras e passam pela economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura e até pela política.

Digo isto porque em alguns estados as lojas de venda de marijuana já foram  autorizadas a abrir, mas as barbearias continuam fechadas. Fumar marijuana é legal, mas cortar o cabelo é contra a lei.

 

 

Coronavírus no supermercado

A CNN Business disse há instantes que embora os preços nos EUA tenham baixado em quase tudo desde que as pessoas se fecharam em casa por causa da pandemia (vestuário, hotéis, carros, seguro de carro e passagens aéreas), a conta semanal do supermercado é cada vez maior.

Claro que a culpa é do coronavírus, que interrompeu a cadeia de fornecimento de alimentos, fechou os restaurantes e levou os americanos a começarem a cozinhar em casa aumentando o consumo de artigos de mercearia.

O desequilíbrio entre oferta e a procura ficou ainda mais difícil quando produtores de carne tiveram que fechar fábricas em todo o país devido ao facto dos seus trabalhadores terem contraído Covid-19 e agora o país enfrenta carências de carne. Com a agravante de que os clientes que fazem compras em pânico e estão comprando muita comida que não precisam comer imediatamente. 

Portanto, é a economia a funcionar: o abastecimento de alimentos é baixo, a procura é alta e isso faz os preços subirem.

Há que fazer contas. Se pensa fazer uma omelete para o pequeno almoço de amanhã, anote que os preços dos ovos subiram 16,1% o mês passado.

Mudar o pequeno almoço para cereais não ajuda. Os preços dos cereais matinais subiram 1,5%. O mesmo aconteceu com o leite, o pão e os sumos, com aumentos de 1,5%, 3,7% e 3,8%, respetivamente.

Se gosta de muffins saiba que aumentaram 4,7% e os cookies também custam 5,1% a mais em abril do que em março.

O cafezinho matinal também está mais caro. Os preços do café torrado aumentaram 1,2% e o café instantâneo 2,5%.

Quanto ao almoço, se porventura quiser uma sopinha convém saber que lhe custará 2,6% a mais.

Se lhe apetecer um refrigerante, saiba que as bebidas carbonatadas aumentaram 4,5%. 

Que tal fruta para sobremesa? Os preços das frutas subiram 1,5%, liderados pelas maçãs (4,9%) e laranjas (5,6%). Toda a categoria de citrinos subiu 4,3%.

Para o jantar é melhor não pensar em carne, os preços subiram 3,3%. Então, talvez queira tentar outra coisa? Carne de porco também custa mais 3%. Frango disparou 5,8%. O peixe fresco subiu 4,2%. E se você quer grelhar hot dogs saiba que estão 5,7% mais caros.

As notícias não são muito melhores, mesmo se você tentar ser vegetariano. Os legumes subiram 1,5% e os vegetais enlatados 3,6%.

Segundo o Bureau of Labor Statistics, os preços dos supermercados subiram 2,6% em abril e foi o maior aumento de um mês para o outro desde fevereiro de 1974.

Estes aumentos ocorreram num mês em que mais de 38 milhões de americanos perderam o emprego, levando uma em cada cinco famílias à insegurança alimentar.

O Covid-19 tem enchido os cemitérios e os hospitais, mas está também a deixar os centros de desemprego sem mãos a medir. Nas últimas semanas, um em cada 10 norte-americanos ficou desempregado. Mas os números parecem não assustar Donald Trump. Numa entrevista ao canal Fox News, o presidente minimizou a alta do desemprego como “totalmente esperada, não é surpresa”. Quanto à economia, prometeu “trazê-la de volta”.

A verdade é que os EUA registam a maior taxa de desemprego desde 1948. O nível de desocupação saltou de 4,4% em março para 14,7% em abril, o equivalente à eliminação de 20,5 milhões de postos de trabalho, segundo dados oficiais que  ficaram um pouco abaixo da expectativa de especialistas. Portanto a cifra real provavelmente é maior.

Antes da pandemia, mais de 150 milhões de americanos estavam empregados, e a taxa de desemprego registava níveis historicamente baixos. Mas em abril o desemprego saltou para 15% em abril e os números reais podem ser muito maiores. A própria Casa Branca já alertou que o desemprego pode alcançar 20% até junho, equivalente a alguns dos piores números registados durante a Grande Depressão, nos anos 1930, quando a taxa chegou a 25%. 

As coisas estão sérias. Tudo indica que o vírus vai passar, mas as consequências económicas vão permanecer por meses e meses. E, caro leitor, são uma razão para que, sempre que formos ao supermercado, montante do recibo ser cada vez maior.