Veteranos de Boston melhoram hospital em Cabo Verde

 

 

Segunda-feira foi Dia dos Veteranos, feriado federal observado a 11 de novembro para homenagear pessoas que serviram nas Forças Armadas dos Estados Unidos e que começou por ser Dia do Armistício e coincidir com celebrações realizadas noutros países para marcar o aniversário do fim da Primeira Guerra Mundial, formalmente concluída na 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1918, quando a paz com a Alemanha entrou em vigor após quatro longos anos de lutas em que perderam a vida nove milhões de soldados, dos quais cerca de 120.000 eram americanos.

Em 1954, a pedido das principais organizações de veteranos dos Estados Unidos, o Armistice Day, que originalmente distinguia os que serviram na Primeira Guerra Mundial, foi rebatizado como Dia dos Veteranos e passou a homenagear os que serviram em todas as guerras, desde a Guerra da Independência à atual Guerra do Afeganistão, que é o mais longo conflito da história dos Estados Unidos.

O Dia dos Veteranos celebra todos os militares veteranos, é diferente do Memorial Day, que honra aqueles que morreram durante o serviço militar – em especial aqueles que faleceram em combate ou por decorrência de ferimentos obtidos em batalha.

Habitualmente, o presidente vai ao cemitério de Arlington, na Virgínia, onde estão enterrados mais de 300 mil combatentes e depõe flores no túmulo do Soldado Desconhecido.

Em muitas cidades realizam-se paradas e sessões solenes, como a que teve lugar em New Bedford, Massachusetts e de que foi orador principal John G. “Buddy” Andrade, fuzileiro veterano da Guerra do Vietname.

Mas em Boston, a fundação Massachusetts Fallen Heroes, em colaboração com a Associação de Enfermeiras Cabo-Verdianas, assinalou a efeméride enviando um grupo de cerca de duas dezenas de enfermeiras, polícias, bombeiros, carpinteiros e pintores a Cabo Verde, onde passarão a semana do Dia dos Veteranos construindo a sala de jogos da ala infantil do Hospital Agostinho Neto na cidade da Praia e à qual será atribuído o nome do sargento Alberto Montrond, 27 anos, morto em combate no Afeganistão.

A ideia nasceu em fevereiro, quando o mayor Martin Walsh visitou Cabo Verde no âmbito da geminação com a cidade da Praia e Rute I. Teixeira, enfermeira do Hospital Brigham and Women e fundadora e presidente da Associação de Enfermeiras de Cabo Verde, o informou de que as enfermeiras pretendiam renovar a sala de jogos do Hospital Agostinho Neto para proporcionar um ambiente terapêutico para as crianças. Walsh recrutou então voluntários dos sindicatos de pintores e carpinteiros para ajudar no projeto, que se converteu numa homenagem à memória do malogrado Alberto Mortrond.

Natural da ilha do Fogo, Alberto D. Montrond Jr. deixou Cabo Verde em 1996 com 16 anos e fixou-se em Boston, na Marshfield Street, coração da comunidade cabo-verdiana. Frequentou a Madison Park High School e alistou-se no Exército aos 18 anos.

Era sargento mecânico de veículos e foi colocado no 7º Grupo de Forças Especiais (Aerotransportadas) e enviado para a sua segunda comissão no Afeganistão. Os americanos estiveram envolvidos numa emboscada e Montrond ofereceu-se para ir reparar os veículos dos seus camaradas atacados e afastá-los da situação ruim em que estavam.

Foi a sua bravura e altruísmo que lhe custaram a vida, quando o Humvee em que ele e mais dois camaradas seguiam passou por cima de uma mina terrestre ao norte de Deh Rawood, no centro do Afeganistão, em 13 de fevereiro de 2006.

Alberto Montrond está enterrado na Carolina do Norte. Deixou a esposa, Christl e dois filhos menores, Nazereah e Kevyn. Os pais, Alberto e Maria Montrond vivem em  Cabo Verde.

Alberto Montrond foi o primeiro militar cabo-verdiano morto no Afeganistão e, em 2015, a câmara municipal da Praia atribuiu o seu nome a uma praça do bairro da Achada Grande Frente numa cerimónia que, além das autoridades locais, contou com a presença do embaixador dos Estados Unidos, Donald Heflin, que entregou aos pais do malogrado militar um diploma assinado pelo presidente Obama.

Nos Estados Unidos, Alberto Montrond também tem sido alvo de várias homenagens. Foi dado o nome de Montrond Hall a uma sala na sede dos serviços especiais da Força Aérea em Boston e a um edifício da Glin Air Force Base na Flórida.

Tem também uma praceta com o seu nome em Dorchester, onde ele vivia, no cruzamento da Massachusetts Avenue e Columbia Road. Ainda foi inaugurada pelo falecido mayor Tom Menino e pela mãe de Alberto, que veio de Cabo Verde.

Boston rende homenagem aos militares naturais ou residentes na cidade mortos em combate dedicando-lhes as chamadas “hero squares” no cruzamento das ruas e com dados biográficos dos falecidos. A cidade já tem 1.285 “praças dos heróis”.

 

Más notícias para Trump

 

Michael Bloomberg, o mayor de New York que mais tempo ficou no cargo com três mandatos seguidos (2002-2013), apoiou a candidatura de Hillary Clinton em 2016 e considerou concorrer à nomeação como candidato do Partido Democrata em 2020, mas não avançou para não prejudicar o ex-vice-presidente Joe Biden.

Contudo, Bloomberg considera que “Joe Biden é muito moderado e Bernie Sanders e Elizabeth Warren são muito à esquerda” e, segundo o New York Times, já reuniu as assinaturas necessárias para apresentar a sua candidatura no estado do Alabama, um dia antes do fim do prazo.

A semana passada, o New York Post revelou que Bloomberg está “aquecendo os motores para 2020” e, segundo sondagem da Morning Consult/Politico divulgada no domingo, poderá derrotar Donald Trump com uma vantagem de 6%.

 

 

Pioneirismos aeronáuticos

 

Voar foi um grande passo para a história da humanidade, cada país reivindica a liderança e os portugueses também se podem orgulhar de que o primeiro engenho capaz de voar, e que está documentado, foi construído em Portugal pelo padre Bartolomeu de Gusmão, um português nascido no Brasil colonial. Tratava-se de um balão de ar quente que o padre chamou de Passarola por ter a forma de um pássaro.

Depois de duas tentativas falhadas no palácio real de Lisboa, foi feita uma terceira experiência a 8 de agosto de 1709, no pátio da Casa da Índia, e o balão voou até esgotar-se a chama, indo cair no Terreiro do Paço. Bartolomeu de Gusmão é lembrado como um dos precursores da aeronáutica, tendo precedido em 74 anos os irmãos Montgolfier, que voaram num balão de ar quente em 1783.

Outro pioneiro da aeronáutica é o brasileiro Alberto Santos Dumont que, a 12 de novembro de 1906, voou 220 metros nos arredores de Paris numa geringonça que chamou 14-Bis.

Foi o primeiro voo público de que há notícia e Dumont ficou como inventor do avião para os brasileiros. Só mais tarde os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright reivindicaram que tinham realizado às escondidas um voo três anos antes de Dumont, a 17 de dezembro de 1903, em Kitty Hawk, Carolina do Norte. Não há registos desse voo, mas os americanos convenceram quase todo o mundo de que os Wright inventaram o avião, enquanto os brasileiros dizem que é uma das maiores fraudes da história.

 

Benefícios do bilinguismo

Os políticos dos EUA nunca ligaram muito às línguas estrangeiras, poucos dominam outro idioma além do nativo e nunca viram com bons olhos o bilinguismo. Não lhes passou pela cabeça que uma pessoa falando mais do que a língua nativa tem à partida a vantagem do acesso a outra cultura.

O 11 de Setembro veio confirmar o défice linguístico dos americanos. A comissão de inquérito que investigou os atentados apurou que a Al Qaeda operava em 75 países onde são faladas centenas de línguas que poucos americanos conheciam e o congressista Rush Holt, de New Jersey, acabou por apresentar a National Security Language Act, uma proposta de lei considerando importante para a segurança nacional a aprendizagem das línguas estrangeiras.
O mais estranho é que a imigração converte ainda hoje os EUA num caldeirão multiétnico e multilinguístico. Só a cidade de New York tem presentemente mais de 200 mil alunos que falam 140 línguas.

A maioria anglo-saxónica dominante nunca ligou a esta diversidade cultural e apostou na assimilação dos imigrantes num processo conhecido como melting-pot, mas na verdade o bilinguismo não só é importante para a segurança nacional, como também é rejuvenescedor.
Segundo Ellen Bialystok, professora da Universidade de Toronto, falar uma segunda língua ajuda a proteger o cérebro dos efeitos da velhice. A cientista canadiana sustenta que as pessoas bilingues têm maior capacidade de concentração do que as monoglotas, isto é, as pessoas que falam só uma língua.

A referida senhora considera ainda que falar uma segunda língua é afrodisíaco. Falar inglês, por exemplo, será uma espédie de Viagra. Mas isso já eu sabia. Sempre que  tenho que falar inglês estou literalmente f...