Em Português nos entendemos

 

Na passada quinta-feira, 5 de maio, foi Dia Mundial da Língua Portuguesa, proclamado em 25 de novembro de 2019 na 40a Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), reconhecendo o papel do idioma e das culturas lusófonas para a disseminação da civilização.
Destino de imigrantes de todo o mundo, os Estados Unidos são um caldeirão de línguas, com mais de 300 idiomas falados no país e em 2019, segundo levantamento do Instituto de Políticas Migratórias quase 70 milhões de pessoas (22% da população) disseram falar uma língua diferente do Inglês em casa.
Nesse grupo, seis em cada dez imigrantes falavam Espanhol e as outras línguas principais eram Chinês (5%, incluindo Mandarim e Cantonês); Tagalog (quase 3%); Vietnamita, Árabe, Francês (incluindo Cajun) e Coreano (cerca de 2%) e o Português falado por 1,2% da população dos Estados Unidos.
O Inglês é o idioma preponderante, é falado em mais de 80 países, embora somente 14 o tenham como língua oficial. Há 1,3 biliões de falantes de Inglês espalhados pelo mundo, sendo 400 milhões como língua materna e outros 900 milhões como segundo idioma. 
Segue-se o Espanhol, a segunda língua mais falada no mundo. Os 21 países de língua espanhola representam quase 8% da população mundial: 489 milhões como primeira língua, 74 milhões têm conhecimento e 22 milhões estudam como idioma adicional. As expectativas dos especialistas é que o número de pessoas que falam Espanhol suba para 756 milhões até 2050.
Quanto ao Português, aproximadamente 285 milhões de pessoas (3,7% da população mundial) falam o nosso idioma e as Nações Unidas estimam que, até 2033, seja falado por quase 500 milhões de pessoas tendo em conta o crescimento demográfico de Angola e Moçambique.
Se considerarmos apenas falantes da língua nativa, o Português está em sexto lugar, porém é a quinta língua mais falada no mundo se considerarmos também falantes não nativos.
Nove países têm o Português como língua oficial: Brasil, 209,3 milhões de habitantes; Angola, 29,78  milhões; Moçambique, 29,3 milhões; Portugal, 10,31 milhões; Guiné-Bissau, 1,861 milhão; Timor-Leste, 1,296 milhão; Guiné Equatorial, 1,268 milhão; Cabo Verde, 546.388 e São Tomé e Príncipe, 204.327 habitantes.
Apenas 5% dos falantes de Português vivem em Portugal, a maioria mora no Brasil, que é onde mais se fala a língua portuguesa. De cada cinco indivíduos que falam Português no mundo, quatro são brasileiros.
Devido ao Brasil, o único país de língua portuguesa na América, o Português é uma das línguas oficiais de três organizações internacionais americanas: Mercosul, União das Nações Sul-Americanas e Organização dos Estados Americanos. Devido a Portugal, é também língua oficial da União Europeia e, devido a Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Principe, Guiné Bissau e Guiné Equatorial, é língua da União Africana.
A língua portuguesa é falada em todos os continentes e, por tal motivo, no dia 25 de novembro de 2019, na sua 40ª conferência geral, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura proclamou 5 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, como forma de reconhecimento pela contribuição do idioma para a disseminação da civilização e da cultura humana.
Porquê 5 de maio? A data foi oficialmente estabelecida em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização intergovernamental que reúne os povos que têm a língua portuguesa como um dos fundamentos da sua identidade específica.
A 17 de julho de 1996 realizou-se, em Lisboa, a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que marcou a criação da CPLP reunindo Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Seis anos mais tarde, a 20 de maio de 2002, com a conquista da sua independência, Timor-Leste tornou-se o oitavo país membro da comunidade. Em 2014, depois de um minucioso processo de adesão, a Guiné Equatorial tornou-se o nono membro de pleno direito.
A organização tem como objetivos a concertação política e a cooperação nos domínios social, cultural e económico. Em julho de 1998, na segunda cimeira da organização realizada na cidade da Praia, Cabo Verde, foi criado o estatuto de membro observador associado, que pode participar nas cimeiras e no conselho de ministros da CPLP sem direito a voto, mas podendo apresentar comunicações.
Atualmente, a CPLP conta com 28 países observadores associados (Andorra, Argentina, Canadá, Chile, Costa do Marfim, Espanha, Estados Unidos, Eslováquia, França, Geórgia, Hungria, Japão, Itália, Irlanda, Índia, Ilhas Maurícias, Luxemburgo, Namíbia, Peru, Qatar, Reino Unido, República Helénica, Roménia Senegal, Sérvia, República Checa, Turquia e Uruguai) e quatro organizações internacionais: Organização de Estados Ibero-Americanos, Conferência Ibero-Americana, Grupo dos Sete e Organização Europeia de Direito Público.
Segundo o Departamento de Estado, o propósito dos Estados Unidos de aderir à CPLP teve em vista aproximar o país das diásporas lusófonas no seu território, que incluem mais de 3 milhões de brasileiros, segundo estimativas do ministério brasileiro dos Negócios Estrangeiros; 1,3 milhões de portugueses e seus descendentes; cerca de 300 mil cabo-verdianos e 7 mil angolanos.
Entre 1820 e 1970, imigraram para os Estados Unidos 446 mil portugueses, a maior parte deles oriunda dos Açores e da Madeira. Mas desde 1980 a imigração lusa reduziu substancialmente e tem rondado anualmente meio milhar de indivíduos. 
De qualquer forma, hoje em dia, a população luso-americana já ultrapassa um milhão de pessoas, sendo a maior concentração na Califórnia, com 330.974 pessoas de origem portuguesa (1% da população do estado); seguida por Massachusetts, com 279.722 (4,4%); Rhode Island, 91.445 (8,7%) e New Jersey, 72.196 (0,9%). Há luso-descendentes em todos os estados norte-americanos e, curiosamente, o Português é o segundo idioma mais falado (depois do Inglês) nos estados de Connecticut, Massachusetts e Rhode Island, ultrapassando o Espanhol.
O Português tem vindo a ganhar terreno nos Estados Unidos pelo desenvolvimento das economias do espaço lusófono. O Brasil é a nona economia mundial e primeira da América Latina. Os países africanos de língua portuguesa também começam a emergir, particularmente Angola e Moçambique, e isso começa a influenciar os americanos que fazem opções de aprendizagem de uma língua estrangeira.
De acordo com estatísticas da Modern Language Association, que estuda as matrículas nas línguas estrangeiras em universidades norte-americanas, enquanto que em 1958 havia 582 alunos matriculados em cursos de Português nos Estados Unidos, esse número aumentou para 12.415 em 2013, havendo presentemente 16 universidades a lecionar Português no nível de ensino superior. 
Quatro cátedras de língua e cultura portuguesa foram criadas recentemente: a Rutgers University (New Jersey), receberá a Cátedra Três Marias, a University of Massachusetts Amherst (Massachusetts) a Cátedra Lídia Jorge, e a University of Utah (Salt Lake City) e a  Brigham Young University (Idaho) a Cátedra de Língua e Cultura Portuguesa.
Segundo uma docente, um dos problemas que está a criar entraves ao crescimento da aprendizagem de Português nos Estados Unidos é algumas universidades, caso da Universidade da Califórnia,  exigirem pelo menos 35 inscrições para formarem turmas de Português, o que é por vezes difícil conseguir.
No ensino básico e secundário, o número de estudantes de língua portuguesa nos Estados Unidos é de 18.638 alunos, havendo 406 professores e 648 cursos em 176 escolas. 
Um dos problemas é que a língua portuguesas devia ser ensinada em mais escolas públicas.
Quanto a isso, a Califórnia é um bom exemplo, além de sete escolas privadas ligadas a associações de portugueses, existem 15 escolas públicas onde se ensina a língua portuguesa, 11 das quais secundárias e que são frequentadas por 1.461 alunos. Nada mau.

 

A lusodescendente Danielle Steel


Danielle Stone, 74 anos, é talvez a mais prolífica romancista americana que lhe valeu um pé de meia líquido de 600 milhões de dólares. É autora de 190 livros, que estão traduzidos em 43 línguas e publicados em 69 países. É a autora viva mais vendida e a quarta autora de ficção mais vendida de todos os tempos, com mais de 800 milhões de cópias vendidas. É mais conhecida por romances como “The Promise” (1979), “Once in a Lifetime” (1982) e “Until the End of Time” (2013), mas também publicou livros de poesia e as séries infantis “Max & Martha” e “Freddie”. Mais de 20 dos seus romances foram adaptados a filmes ou séries de TV. Danielle Steel nasceu Danielle Fernandes Dominique Schuelein-Steel em 14 de agosto de 1947, em New York, filha de mãe portuguesa e pai alemão, John, que era descendente de Joseph Schülein, dono da cerveja Löwenbräu, enquanto Norma era filha de Gil da Câmara Stone dos Reis, diretor da Casa de Portugal em New York e natural da Ribeira Grande, ilha de São Miguel. 
John e Norma divorciaram-se quando Danielle tinha 8 anos, e ela foi criada pelo pai em New York, graduou no Lycée Français de New York, em 1965. Talvez por isso a França decidiu conferir-lhe a Ordre des Arts et des Lettres, enquanto Portugal ainda não deu por ela embora seja uma ilustre lusodescendente.

 

Batata-doce torna viagem


A batata-doce, também conhecida dos açorianos como batata da ilha, faz parte dos hábitos alimentares açorianos e um açoriano passa por ser o introdutor do cultivo deste tubérculo nos EUA ou pelo menos na Califórnia.
Em 1888, o açoriano João B. Ávila comprou 20 acres de terra perto de Merced e iniciou o cultivo da batata-doce que depois se espalhou por outras áreas
especialmente no Vale de Sacramento e San Joaquin. 
Ao que parece, as batatas utilizadas pelo Ávila para iniciar a plantação terão vindo dos Açores e, se assim foi, tratou-se de um regresso às origens, uma vez que a batata-doce é nativa da América. 
A batata doce já era cultivada pelos índios do México e do Peru muito antes de Colombo ter chegado ao continente americano. Foi depois levada pelos portugueses para Angola e Moçambique, de África à Europa e o Ávila trouxe-a de volta à América do Norte. 

 

Coca-Cola em Angola


A empresa angolana de refrigerantes Refriango foi designada engarrafador oficial em Angola a partir de 1 de julho de 2022 passando a ser responsável pela preparação, embalagem e distribuição da Coca-Cola, Fanta, Sprite, Minute Maid e Schweppes, os refrigerantes da marca.
A Coca-Cola é o refrigerante preferido dos angolanos. Nos tempos coloniais, a Coca-Cola era consumida em Angola, mas proibida no Puto, como Portugal era conhecido dos angolanos e só começou a ser consumida pelos portugueses depois do 25 de Abril. Por alguma razão Salazar sempre impediu a entrada da Coca-Cola em Portugal. 
Talvez desconfiasse de refrigerante que também serve para desentupir cano.