Joe Biden passa Thanksgiving em Nantucket

 

O presidente Joe Biden, que comemorou o 80º aniversário no passado domingo (nasceu a 20 de novembro de 1942), e a esposa, Jill Biden, voltam este ano a passar o Thanksgiving em Nantucket, turística ilha de 123,8 km² de superfície e 50 km ao largo da costa de Massachusetts.

No verão, a ilha atinge 50.000 residentes, mas nesta altura está reduzida aos 11.300 residentes permanentes e quase todos conhecem o atual inquilino da Casa Branca das suas visitas anuais, uma tradição familiar.

Foi em Nantucket que, conforme Biden escreveu no primeiro capítulo do seu livro de memórias “Promise Me, Dad” (2017), que ele e Jill Jacobs, a futura Mrs. Biden, passaram a primeira festa familiar e quando “começaram a falar seriamente sobre um futuro juntos”.

Ao tempo,1975, Biden era senador pelo Delaware em primeiro mandato e pai viúvo de dois meninos de seis e quatro anos. A primeira esposa de Biden, Nelia Hunter Biden, falecera aos 30 anos, a 18 de dezembro de 1972, num acidente de viação em Willmington, Delaware, em que perdeu também a vida uma filha do casal, Naomi, de um ano.

Os pais de Jill queriam que eles passassem o Thanksgiving em Willow Grove, Pennsylvania, e os pais da falecida esposa queriam que Biden levasse os netos para passar a quadra com eles em Skaneateles, estado de New York. Biden percebeu que “não importa qual a família que escolhêssemos iríamos ferir os sentimentos de alguém, que era a última coisa que Jill ou eu queríamos fazer”. 

Foi quando Wes Darthelmes, chefe de gabinete de Biden no Senado, que era de Boston, sugeriu Nantucket. Nem Jill nem Joe conheciam a ilha, mas decidiram ir e levar os miúdos. Viajaram no jipe ​​de Biden para Hyannis, no Cape Cod (na época a gasolina custava 57 cêntimos o galão) e embarcaram no ferry boat para Nantucket. E assim nasceu uma tradição. O primeiro jantar de Thanksgiving dos Biden foi no concorrido resturante da histórica Jared Coffin House, uma pousada na Broad Street construída em 1846 e ainda são clientes. A título de curiosidade, o restaurante abriu em 1963 com a chávena de chowder a 30 cêntimos e hoje custa 15 dólares. 

“A pequena viagem no Wagoneer transformou-se numa caravana de dois ou três carros, com os netos mudando de carro nas paragens de descanso”, escreveria Biden nas suas memórias. “Depois, havia a corrida final para apanhar o ferry e a chávena de chocolate quente ou de chowder durante a viagem”.

O grupo original de quatro – Jill, Joe e os filhos dele – expandiu-se com as noras e os netos, Finnegan, Maisy, Natalie, Hunter Biden II, Beau e Naomi.

Por sinal, Naomi casou no passado fim de semana no jardim sul da Casa Branca. É a primeira neta presidencial casada na Casa Branca, mas já houve nove filhos ou filhas de presidentes que casaram na Casa Branca, a última das quais foi Tricia Nixon em 1971. 

Daqui a nove meses, provavelmente, Joe Biden será bisavô e será um novo membro do clã do Thanksgiving dos Biden em Nantucket.

A tradição não parou quando Joe Biden se tornou vice-presidente de Barack Obama. A única diferença é que como senador viajava para a ilha no ferry do Steamship Authority’s Eagle e como vice-presidente passou a ir no Air Force Two, o avião do vice-presidente. Mas Joe procurava ser um visitante como qualquer outro. Conversava com as pessoas na Main Street durante a iluminação da árvore de Natal, ia ao cinema no Dreamland Theatre, fazia compras nos cinco quarteirões de lojas da localidade  (normalmente entra na Nantucket Bookworks e no The Sunken Ship) e chegou a dar mergulhos na Children’s Beach na manhã do dia de Thanksgiving no Cold Turkey Plunge do Atheneum destinado à angariação de fundos para a biblioteca. 

Uma boa parte da vida dos Biden tem a ver com Nantucket. Beau Biden, o filho mais velho, pediu a esposa, Hallie, em casamento em 2001, em Nantucket, durante a iluminação da árvore de Natal frente ao Pacific Bank e casaram na igreja de St. Mary, a única igreja católica da ilha aberta ao culto em 1897 e cujos primeiros paroquianos incluiam imigrantes portugueses e cabo-verdianos. Já agora, lembre-se que a colonização de Nantucket começou em 1669 por ingleses criadores de ovelhas que, por volta de 1700, passaram a dedicar-se também à caça das baleias cuja gordura fornecia o óleo que iluminava então a América. 

Nantucket tornou-se grande porto baleeiro cujos veleiros se reabasteciam e engajavam tripulantes nas ilhas açorianas do Faial ou do Pico, tal como os barcos de New Bedford, Martha’s Vineyard, Gloucester e praticamente todos os portos baleeiros americanos. 

Depois das longas viagens de caça à baleia, alguns desses açorianos destemidos acabavam por fixar-se nos portos baleeiros e começou assim a imigração portuguesa para os Estados Unidos por volta de 1800.

A chegada das primeiras famílias açorianas começou por volta de 1850, com  a economia baleeira já em declínio devido à descoberta do petróleo, mas apesar da depressão esses imigrantes encontraram oportunidades na agricultura, pesca e no comércio.

Em 1898, os católicos de Nantucket e o seu padre missionário receberam permissão do bispo de Providence para construir uma igreja na ilha e o dinheiro necessário foi angariado nas festas do Espírito Santo levadas a cabo pelos açorianos no Alfonso Hall construído em 1890 na Cherry Street e onde tinham também lugar as comemorações da Associação Beneficente Portuguesa Unida, uma sociedade mutualista local.

Voltando aos Biden, da primeira vez que estiveram em Nantucket, em 1975, viram uma casa na Sconset Beach com uma placa de madeira esculpida na varanda que dizia “Forever Wild” e onde a família tirou uma foto. A casa estava à venda, mas a um preço “alto demais para o salário de um senador”, escreveu Biden e nunca tentou comprar, mas habituou-se a tirar anualmente uma foto da família junto da sonhada casa, mas em 2014 as ondas atlânticas varreram a casa e a tradição da fotografia acabou. Contudo, Joe Biden diz que aprendeu que se deve tentar conseguir o que ambicionamos quando existem possibilidades, incluindo ser presidente dos Estados Unidos. E terá sido no ano em que a casa desapareceu e em Nantucket, quando já era o 47º vice-presidente dos Estados Unidos e Beau já sofria do tumor cerebral de que viria a morrer, que os dois filhos se sentaram com o pai e convenceram-no a candidatar-se à Casa Branca. 

Biden escreveu que no seu regresso a Washington depois daquela conversa pensou no destino da casa em Sconset diante do poder trovejante do Oceano Atlântico e na inevitabilidade do concorrer à Casa Branca. Já agora, lembre-se que Joe Biden foi eleito seis vezes para o Senado e concorreu três vezes à presidência, em 1998, 2008 e 2020, as duas primeiras sem sucesso. 

Os Biden passam o Thanksgiving em Nantucket há 47 anos e poucas vezes têm falhado. A primeira vez foi em 2015, quando o filho mais velho, Beau Biden, morreu aos 46 anos e a então segunda-dama Jill Biden optou por levar a família para Roma.

Em 2019 também não foram a Nantucket, falharam por causa dos compromissos da campanha presidencial de Biden. E em 2020, Joe e Jill também optaram por não ir a Nantucket por causa da pandemia de Covid-19 e passaram o Thanksgiving na sua casa na Rehoboth Beach, no Delaware, com a filha Ashley e o genro Howard Krein.

Voltaram a Nantucket em 2021 e estão de volta em  2022. Apesar das visitas anuais, Biden não tem casa própria na ilha. Habitualmente instala-se numa mansão em Abrams Point propriedade do bilionário David Rubenstein, cofundador da multinacional do Carlyle Group e cuja fortuna é estimada pela Forbes em 4,6 biliões de dólares. Biden paga renda, mas não se sabe quanto.

Joe Biden continua afável, mas com a sua eleição para a Casa Branca as visitas a Nantucket complicaram-se, passou a ser acompanhado por uma gama estonteante de 130 agentes do Serviço Secreto e outro pessoal de segurança, funcionários da Casa Branca e dezenas de membros da mídia e equipas de notícias da televisão, sem mencionar os familiares, os filhos e netos. 

Alguns hotéis de Nantucket estão totalmente reservados, caso do White Elephant (Serviço Secreto) e do Veranda House (imprensa). O pessoal do Serviço Secreto que têm a refeição tradicional de peru na Sconset House, dos residentes de verão Jill e Scott Kelley e em que são servidos perus preparados pelos chefes de vários restaurantes – Bill Puder do Faregrounds Restaurant; Joseph Keller da Company of the Cauldron; Patrick Ridge da Island Kitchen e Devon Francis da Bartlett’s Ocean View Farm e outros.

Devido à visita presidencial, entram em vigor restrições nos voos para a ilha. O Serviço Secreto e a Força Aérea declararam Nantucket “zona proibida” e todos os voos para Nantucket estão sujeitos a inspeção prévia no Aeroporto Logan em Boston e no Aeroporto Westchester em White Plains, NY.

Joe Biden tenta manter os seus velhos hábitos do Thanksgiving em Nantucket, mas tem problemas sobretudo nos restaurantes.

Um desses problemas é almoçar ou jantar com a esposa, os filhos e os netos no The Tap Room, na cave da Jared Coffin House. Por razões de segurança, o restaurante agora enche-se de agentes do Serviço Secreto e ninguém pode entrar ou sair.

Depois do almoço, Biden, acompanhado de alguns dos netos, costumava passear pelas ruas de paralelepípedos do centro de Nantucket, e comprar vários presentes antes de participar na cerimónia de iluminação da árvore de Natal, mas agora já não pode conviver com as pessoas como fazia anteriormente.

Os Biden também eram clientes do restaurante Faregrounds, do casal Bill e Kim Puder, e que por sinal está à venda. Há mais de 20 anos que o Faregrounds preparava a ceia de Thanksgiving dos Biden. Tradicionalmente, Jill telefonava a encomendar seis lagostas, vieiras envoltas em bacon, camarão cozido, peru com recheio e todos os acompanhamentos e diversos tipos de tortas e Joe ia buscar, pela porta da traseira do restaurante. Da primeira vez que isso aconteceu, Bill Puder notou que conhecia aquela cara da televisão, mas não sabia que era um senador.

Depois de Joe ter sido eleito vice-presidente, Jill Biden continuou a telefonar a encomendar as lagostas e o peru, e Joe continuou a aparecer no Faregrounds e a deixar-se fotografar com os presentes. A única diferença é que passaram a ter agentes do Serviço Secreto por toda a parte, até na cozinha.

Agora que Joe é presidente, o casal Puder não sabe quando é que Jill voltará a telefonar. Mas pendurada na entrada do Faregrounds há uma foto emoldurada de Joe na Casa Branca e com a seguinte dedicatória: “Até ao próximo Dia de Thanksgiving”.

 

Black Friday chegou a Portugal

A temporada de compras natalícias nos Estados Unidos tem início com a Black Friday, considerada o maior dia de compras do ano e que se estende do Maine ao Hawaii. Black Friday é termo criado pelo comércio retalhista para um saldo de liquidação que acontece sempre na última sexta-feira de novembro depois do Thanksgiving. A expressão terá tido origem no início dos anos 60 em Filadélfia, cuja polícia local chamava de Black Friday o dia seguinte ao Thanksgiving porque se formavam aglomeramentos enormes à porta das lojas com saldos especiais que abriam com horas de antecedência e era dia de muitos incidentes.

A intervenção policial ainda hoje é necessária para evitar tumultos e até mesmo tiroteios. Em 2008, em New York, um empregado do Walmart foi esmagado pelos clientes quando abriu a porta.

O Black Friday tomou proporções tão grandes que deixou de ser apenas um dia de promoções, as vendas ultrapassam o bilião de dólares tanto nas lojas como na internet. A moda dos descontos da Black Friday alastrou a outros 65 países, Portugal é um deles e tornou-se uma das melhores épocas do ano para encontrar descontos em vários produtos e serviços.

A maioria dos portugueses quer aproveitar os descontos da Black Friday para fazer compras tanto nas lojas físicas como online. Os produtos de tecnologia são os mais procurados, com os portugueses a tencionarem gastar, em média, 326 euros este ano.