Entrevista com Cristóvam, cantautor açoriano

 

 

Cristóvam, o grande vencedor dos IPMA deste ano, ao Portuguese Times:
“Foi uma grande honra ter vencido duas categorias no IPMA deste ano e um dia espero cantar para as comunidades lusas da América do Norte”
O cantautor açoriano tem atuado em vários países da Europa e ao lado de grandes nomes da música internacional

 

Flávio Cristóvam, natural da ilha Terceira, é um dos mais conceituados músicos e compositores açorianos da atualidade.
Na edição deste ano do International Portuguese Music Awards (IPMA), que decorreu em cerimónia virtual, Cristóvam foi o mais premiado ao vencer duas categorias:  canção do ano e música pop com o tema “Burning Memories” e que PT na altura deu conta.
Desde muito novo, aos 11 anos de idade, começou a tocar guitarra e, pouco tempo depois a compor as primeiras canções.
“A minha envolvência no mundo da música começou através da família, já que o meu avô foi durante vários anos radialista no Rádio Clube de Angra e nesse ambiente aprendi e apaixonei-me pela música”, começou por referir ao ao Portuguese Times, via telefone, a partir do seu estúdio em Angra do Heroísmo, o cantautor açoriano, que apresenta já um percurso rico no mundo do espetáculo, tanto nos Açores como em Portugal Continental.
Ao longo da sua carreira foi distinguido por diversas vezes com prémios de composição musical.
Mas foi em 2012 que lançou o primeiro disco, “The Closing Doors”, integrando a banda October Flight, com a qual pisou diversos palcos nacionais e internacionais.
“As minhas influências vão desde Mark Knopfler ou Bob Dylan a Bryan Adams ou Gregory Alan Isakov, num universo musical Indie-Folk”, refera Cristóvam.
O seu primeiro trabalho discográfico a solo foi em 2015, em Lisboa, onde encontrou o músico Pedro Varela, nos estúdios Namouche. O realizador que se encontrava a recolher imagens para a série “Os Filhos do Rock” ouve então acidentalmente a sua música e é a partir desde primeiro contacto que nasce uma relação de amizade e trabalho que foi dando frutos até aos dias de hoje.
“Este contacto com o Pedro foi muito importante para a minha carreira, que ganhou novas energias para a concretização de alguns projetos que tinha em manga”, sublinha ao Portuguese Times o músico açoriano da ilha Terceira.
Em 2018 edita o disco “Hopes and Dreams”, no qual se afirmou em absoluto como um verdadeiro escritor de canções. As suas letras, sinceras e profundas, denotam uma maturidade incomum, ilustrando de forma sólida as composições musicais.
O single de apresentação retirado de ‘Hopes and Dreams’ foi ‘Faith and Wine’, tendo-se-lhe seguido ‘Red Lights’ e ‘Walk in The Rain’. Este último integrou a banda sonora do filme ‘A Canção de Lisboa’ a convite de Pedro Varela, tendo sido também nomeado para os International Portuguese Music Awards (IPMA) na categoria de Pop Performance do ano com “Burning Memories”, tema recentemente utilizado para sonorizar uma campanha publicitária.
Nas colaborações que manteve com o realizador destacam-se composições para filmes publicitários de grandes marcas nacionais e internacionais.
“Nos ultimos dois anos, tendo atuado na Europa, em países como Portugal, França, Holanda, Alemanha, Polónia e Bélgica e tendo acompanhado na estrada artistas como Stu Larsen, Tim Hart (Boy & Bear) e Scott Matthews.
Em 2018 Cristóvam torna-se no primeiro artista nacional a atingir o primeiro lugar no prestigiado International Songwriting Contest. A canção “Faith & Wine” foi escolhida entre outras 16.000 a concurso como vencedora da categoria de artistas independentes (“Unsigned Only”) com um painel de jurados composto por artistas como Tom Waits, Grant Lee Phillips, Keane, entre muitos outros.
Este ano de 2020 tem sido extremamente positivo para Cristóvam, que além de ganhar duas categorias na edição do International Portuguese Music Awards, como acima referimos, arrecadou uma menção honrosa International Songwriting Competition, desta vez com o tema “Lifeline”.
Recentemente, Cristovam escreveu, compôs e gravou a canção “Andrà Tutto Bene”, que ficou conhecida agregada a um poderoso filme do realizador Pedro Varela. A canção e o filme viralizaram à escala global, somando airplay em mais de 300 rádios internacionais e milhões de plays no Youtube / Facebook e Instagram. “Em apenas cinco dias, eu e o realizador Pedro Varela criámos esta canção, que se espalhou pelo mundo como um hino em tempo de pandemia”, afirma ao PT.
Considerada já por muitos como um hino dos nossos tempos, “Andrà Tutto Bene” figura em playlists editoriais de Spotify e Apple Music em Portugal, Espanha, Bélgica, Brasil, Hungria, República Checa, Grécia, Israel e Eslovaquia. Agora pretende, com os lucros que dela gerar, reunir ajudas para uma associação humanitária que, na Guiné-Bissau, combate a Covid-19.
Tem colaborado na produção de “Os Mal Amanhados – Os Novos Corsários das Ilhas”, da RTP.
Por tudo isto, Cristóvam apresenta-se assim no panorama musical português como um dos mais bem guardados segredos que é urgente descobrir.
“Foi uma grande honra para mim ter vencido duas categorias no IPMA deste ano e um dia espero cantar para as comunidades lusas da América do Norte”, concluiu ao Portuguese Times, Flávio Cristóvam.

 

- Francisco Resendes