Mathew Borges foi condenado a prisão perpétua e será elegível para liberdade condicional dentro de 30 anos

 

Mathew Borges, 18 anos, um adolescente de Lawrence, MA, recebeu a pena máxima de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional depois de 30 anos por ter assassinado um colega de 16 anos em 2016.

No dia 13 de maio, após nove dias de julgamento, um júri (oito homens e quatro mulheres) do Tribunal Superior de Salem considerou Borges culpado de homicídio em primeiro grau pelo assassinato de Lee Manuel Viloria-Paulino, um colega de turma na Lawrence High School. A semana passada, a 9 de julho, a juíza Helene Kazanjian sentenciou Borges a duas penas de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional após 30 anos.

O homicídio em primeiro grau em Massachusetts acarreta automaticamente uma sentença de prisão perpétua sem a possibilidade de liberdade condicional, mas em 2013 tornou-se inconstitucional condenar um adolescente a prisão perpétua. Assim, Borges, que foi julgado como adulto embora tivesse 15 anos quando cometeu o crime, não podia ser condenado sem ser elegível para liberdade condicional. Assim, a  juiza sentenciou Borges a dois mandatos simultâneos de 30 anos de prisão perpétua, mas cumprida  essa pena será elegível para pedir liberdade condicional e os 948 dias de prisão preventiva já lhe foram creditados.

“Ele não é irremediavelmente depravado”, disseram os advogados de defesa de Borges, Edward Hayden e Amy Smith

O promotor do condado de Essex, Jonathan Blodgett, disse: “Este assassinato cruel exigiu mais do que a vida de Lee Paulino. A sua brutalidade foi chocante para a comunidade e destruiu o nosso senso de decência e humanidade. Acima de tudo, devastou todos aqueles que amavam Lee. É uma perda que simplesmente não pode ser medida. Entendendo que não há anos que possam reparar a perda desta família, é minha esperança que eles possam encontrar pelo menos alguma paz”.

A mãe da vítima, Katiuska Paulino, fez uma declaração emocional e pediu ao tribunal para impor a sentença máxima: “Sentimos que este criminoso merece passar a vida encarcerado, pelo menos serve para mantê-lo fora das ruas. Ele nunca deverá ter a oportunidade de matar de novo, de roubar a vida de outra pessoa como fez com Lee Manuel, de uma maneira tão horrível e triste”.

Lee Paulino foi visto pela última vez vivo em 18 de novembro de 2016, quando saiu de casa na companhia de Borges. Uma câmara de vídeo segurança filmou os dois jovens a sairem de casa ao começo da noite.

 Nessa noite Paulino não voltou a casa e no dia seguinte a família participou o seu desaparecimento à polícia. Borges foi ouvido e disse que ele e o colega tinham ido fumar marijuana juntos para a margem do rio Merrimack.

Duas semanas depois, um homem que passeava os cães encontrou o corpo de Paulino nas margens do rio Merrimack. Não tinha cabeça nem mãos. Borges cortou a cabeça para que o corpo não fosse reconhecido, mas a cabeça foi encontrada pela polícia dentro de um saco, no rio. As mãos é que nunca foram recuperadas.

O médico legista que fez a autópsia disse que havia 76 feridas. Com tantos traumas no corpo, não pôde determinar se certas feridas - inclusive quando a cabeça foi removida, se antes ou depois da morte de Paulino.

Mathew Borges foi detido um dia depois do corpo ter sido encontrado e acusado de homicídio com “premeditação deliberada e extrema atrocidade e crueldade”. O jovem, na altura com 15 anos, terá confessado o crime a colegas de escola, que o denunciaram à polícia.

Durante o julgamento, o promotor Jay Gubitose disse que havia uma “montanha de evidências” contra Borges, incluindo mensagens de texto numa rede social com amigos e interesses amorosos e um caderno com anotações aparentemente premeditando o assassinato. Gubitose disse que Borges matou Paulino por ciúmes porque ele andava com a sua namorada.

A promotoria apresentou oito dias de depoimentos, incluindo várias testemunhas e mais de 100 provas. O advogado de defesa argumentou que não havia provas suficientes para condenar o seu cliente e questionou a credibilidade dos amigos de Borges que testemunharam contra ele, alegando que nenhuma evidência de DNA foi encontrada no local do crime e que não havia provas físicas que ligassem Borges à morte de Paulino.