Fado no Good Morning America da ABC

 

O Good Morning America da ABC é o programa matinal de televisão mais visto pelos americanos. Estreou em 1975, é emitido de segunda a sexta entre as 7h00 e as 9h00 e desde 2012 que ultrapassa o célebre Today da NBC como líder de audiências neste período da manhã.
Quanto à ABC (American Broadcasting Company) foi fundada em 1943 como network radiofónico (66 rádios), comprada em 1948 pela Paramount Pictures, converteu-se numa das maiores cadeias norte-americanas de televisão (242 estações) e desde 1996 que pertence à Walt Disney Company.
Não sei se terá sido propaganda paga pelo governo português, mas o Good Morning America transmitiu dia 24 de junho várias reportagens sobre Portugal apresentadas por Robin Roberts a partir do Palácio da Pena, em Sintra.
“Portugal é um dos destinos mais acessíveis na Europa e mais de dois milhões de norte-americanos aproveitam para lá passar férias todos os anos”, disse o apresentador do programa George Stephanopoulos (por sinal nascido em Fall River), antes de Robin Roberts entrar no ar.
A viagem por Portugal começou no Algarve, com Roberts entrando na famosa gruta de Benagil, em Portimão, ponto de partida para falar das praias portuguesas que tanto atraem os turistas norte-americanos.
Seguiu-se o Norte, representado pelo vinho do Porto, e Lisboa com Robin Roberts a procurar entender porque é que tantos norte-americanos – cerca de 10 mil – vivem atualmente em Portugal.
“Há tanto para ver e fazer aqui”, elogiou Robin Roberts, que parece ter ficado ela própria encantada com a beleza natural do país e, finda a reportagem, ficou por lá uns dias de férias.
Ainda a partir do Palácio da Pena, Robin Roberts, apresentou diferentes doces típicos portugueses, desde a doçaria de Sintra, com os travesseiros e as queijadas da famosa Piriquita, até Lisboa com os tão apreciados pastéis de Belém representados por Miguel Clarinha, herdeiro da família que comprou a confeitaria em 1834, a impingir a lenda da receita do frade do Mosteiro dos Jerónimos mantida em segredo pela família. É difícil de acreditar nesta história quando quase todas as pastelarias portuguesas produzem diariamente milhões de pastéis de nata e muitos deles melhores que os de Belém.
Houve ainda ocasião para falar da cortiça – metade da produção mundial é portuguesa – e dos produtos que podem ser fabricados a partir dela (malas, carteiras, calçado e artesanato), com ofertas aos colegas de Robin Roberts que estavam no estúdio (George Stephanopoulos, Lara Spencer e Michael Strahan).
Durante o especial, não faltou música portuguesa com a atuação em direto, a partir do Palácio da Pena, do Grupo Folclórico de Barcelinhos e da fadista Carminho entoando “O Quarto”, canção de sua autoria que interpretou no filme “Poor Things” e que valeu o Óscar de melhor atriz de 2024 à protagonista Emma Stone.
Pode ser que me engane, mas penso que terá sido a terceira vez que o fado foi cantado num grande network norte-americano de televisão.
A primeira vez foi em 1953, Amália Rodrigues cantando “Coimbra” (que então começava a internacionalizar-se como “April in Portugal”) no programa “Coke Time with Eddie Fisher” da NBC.
A segunda vez foi em 11 de outubro de 2007, Mariza cantando magistralmente “Gente da minha terra” (letra de Amália Rodrigues) no programa de David Letterman na NBC e deixando o apresentador com cara de parvo.
Não me atrevo a dizer que desde então o fado tenha conquistado os norte-americanos, mas Mariza volta este ano aos EUA, dia 9 de outubro cantará em Los Angeles no Walt Disney Concert Hall e dia 25 de outubro em Newark no New Jersey Performing Arts Center.
Quanto a Carminho, também está de volta aos EUA e, em 24 de novembro, canta no Town Hall na cidade de New York.