EUA e Portugal disponíveis para apoiar Moçambique a combater grupos armados

 


A província moçambicana de Cabo Delgado, norte de Moçambique, tem sido palco de um drama humanitário que está a chocar o mundo: os ataques terroristas que eclodiram em outubro de 2017 e já fizeram mais de dois mil mortos e mais de 670 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, para além de deixar um rasto de destruição severa nas infra-estruturas sociais e económicas públicas e privadas. 
Há crianças que estão a ser assassinadas. A organização Save the Children denunciou esta situação, revelando que as vítimas têm entre 11 e 12 anos e são decapitadas por grupos terroristas pertencentes ao Estado Islâmico.
Os EUA consideraram o Estado Islâmico de Moçambique (ISIS-Mozambique), também conhecido por Ansar al-Sunna e Al-Shabab, como uma organização terrorista. 
A classificação do grupo como organização terrorista serve para ‘expor e isolar entidades e indivíduos e negar-lhes acesso ao sistema financeiro dos EUA’ e qualquer instituição ou indivíduos que se envolvam com ela estarão sujeitos a sanções americanas e a possíveis acções de agências policiais americanas.
Em comunicado, o Departamento de Estado avisa ainda que ‘é um crime fornecer intencionalmente apoio ou recursos’ a essa organização ‘ou tentar ou conspirar nesse sentido’.
O comunicado adianta que desde outubro de 2017, ISIS-Mozambique, liderada por Abu Yasir Hassan, já matou mais de 2.300 civis.
O governo norte-americano está disponível para ajudar Moçambique a combater os grupos armados, tanto mais que os ataques têm tido lugar numa região onde as petrolíferas norte-americanas Anadarko e Exxon Mobil lideram investimentos em curso para extrair gás natural dentro de quatro a cinco anos, a partir daquelas que são consideradas as maiores reservas do mundo.
“Os EUA estão empenhados em apoiar Moçambique com uma abordagem multifacetada e holística para combater e prevenir a propagação do terrorismo e do extremismo violento”, diz uma nota da embaixada em Maputo.
Cerca de 100 militares norte-americanos iniciaram dia 15 de março um programa de formação de fuzileiros moçambicanos na prevenção da propagação do terrorismo e do extremismo violento que se prolongará pelo menos por dois meses e designado Formação Conjunta de Intercâmbio Combinado (JCET). No lançamento do programa participou o vice-comandante do Comando de Operações Especiais dos EUA para África (SOCAFRICA), coronel Richard Schmidt, em representação do Departamento de Defesa.
Portugal também enviou para Moçambique um contingente de 60 militares portugueses, das forças especiais, para auxiliar na formação e preparação das tropas moçambicanas no combate ao terrorismo.
A cooperação técnico-militar entre Portugal e Moçambique existe desde 1988. Quanto aos locais de trabalho, está previsto que os militares portugueses permaneçam no sul do país, perto de Maputo, e no centro, segundo disse o ministro da Defesa português.