Trump quer adiar as eleições devido ao coronavírus

 


O presidente dos EUA, Donald Trump sugeriu dia 30 de julho adiar as eleições presidenciais de 3 de novembro, advertindo sem fundamento que a votação por correspondência levará à “eleição mais imprecisa e fraudulenta da história”.
Devido a preocupações relacionadas com a  pandemia de coronavírus, cada vez mais estados pretendem a votação por correspondência, mas Trump alega - sem apresentar nenhuma evidência - que isso levará a fraudes e sugeriu que as eleições sejam adiadas até que os eleitores possam votar de maneira segura.
As declarações de Trump surgiram no dia em que foram conhecidos novos números económicos terríveis do Departamento de Comércio, que mostraram que a economia dos EUA encolheu 9,5% no trimestre de abril a junho - a pior queda trimestral de todos os tempos desde a 2ª Guerra Mundial. 
As sondagens mais recentes mostram Trump a ficar atrás do candidato democrata, o ex-vice-presidente, Joe Biden, que já tinha previsto em abril que o republicano  podia tentar adiar a eleição e não se enganou.
Trump alega que os votos por correspondência aumentam a probabilidade de fraude eleitoral, mas não há evidências de fraude generalizada dos eleitores nos  estados que já adotam essa prática.
Vários estudos, pelo contrário, apontam para números extremamente baixos de fraude eleitoral. Por exemplo, um estudo da The Heritage Foundation, um think-tank conservador, concluiu que, dos mais de 15 milhões de votos submetidos no estado do Oregon desde 1998, houve apenas 14 casos de fraude.
Apesar das alegações de Trump, republicanos e democratas mostram-se inclinados a adotar o sistema de voto por correspondência, com seis estados (Califórnia, Colorado, Hawai, Oregon, Utah e Washington) a tornarem este método universal. 
Mas, apesar do desejo expressado por Donald Trump, apenas o Congresso tem o poder de mudar a data das eleçõees, o presidente não tem poder sobre o calendário eleitoral.
As datas das eleições federais são definidas pelo Congresso e a Constituição não prevê um adiamento da posse do próximo presidente em 20 de janeiro de 2021.
A Constituição determina que as eleições presidenciais sejam realizadas a cada quatro anos na primeira terça-feira de novembro. A data consta em uma lei aprovada pelo Congresso em 1845 e só pode ser mudada pelos parlamentares.
Os americanos votam sempre na primeira terça-feira a seguir à primeira segunda-feira de novembro. É uma regra aprovada pelo Congresso em 1845 que parece complicada, mas que pode ser traduzida assim: vota-se na primeira terça-feira de novembro desde que não calhe no dia 1, Dia de Todos os Santos. 
Os EUA nunca adiaram uma eleição presidencial, nem mesmo durante a Guerra Civil, em novembro de 1864, e o Congresso, com os democratas controlando a Câmara dos Representantes, não parece disposto a fazê-lo desta vez e apenas porque Donald Trump receia não ser reeleito.