Mangualdenses reuniram-se no seu 42.º convívio anual em Cumberland

 

 

“Vim aqui de viva voz para agradecer aos mangualdenses o grande apoio que têm dado aos bombeiros voluntários ao longo dos anos”
- João Soares, presidente dos Bombeiros Voluntários de Mangualde  

 

Os mangualdenses, pioneiros nos convívios regionais, reuniram pela 42.ª vez no Clube Juventude Lusitana em Cumberland.
Foi daqui que nasceu a febre dos encontros regionais, que se seguem após o período das festas e romarias dos meses quentes de verão.
Uma comissão presidida por Rui Azevedo e constituída por Albano Saraiva, Jack Costa, Jack Marques, Bruno Duarte, Sérgio Loureiro, Alcino Gomes, Mike Tente, juntou esforços, para manter ativo o encontro mangualdense, que curiosamente teve lugar onde teve o seu início.
De Mangualde e numa demonstração do apoio à iniciativa, veio João Soares, presidente dos Bombeiros Voluntários, entidade que ao longo dos anos tem recebido apoio da comunidade mangualdense radicada pelos EUA.
“Esta minha vinda neste ano de 2019 ao convívio mangualdense, tem uma razão especial. Os Bombeiros Voluntários de Mangualde celebram 90 anos de apoio às comunidades e socorro às populações. E como tal perante o ultrapassar desta data achei oportuno aproveitar esta efeméride para estar presente e deixar aqui uma palavra de gratidão a todos que nos têm ajudado. Os mangualdenses que deixaram as suas terras nunca deixaram de ser bairristas e como tal mantiveram o apoio às instituições da sua terra. E  por tudo isto e cá estou para numa forma direta e pessoal agradecer às pessoas”.

Os mais idosos recordam o edifício dos Bombeiros Voluntários, praticamente no centro da vila e hoje admiram o novo quartel na estrada de ligação Mangualde/Penalva do Castelo.

“Hoje, dispondo de amplas de modernas instalações, ali funciona uma escola de formação de bombeiros. Assim como uma base de apoio logístico aos grupos formados pelo país, para prestar socorro em todas as áreas em que há necessidades. Falamos nos locais onde os incêndios atacam mais. Esta base de apoio logistico é a única no distrito de Viseu. Embora seja uma honra, é também uma sobrecarga de trabalho, dado que temos de dar instalações e refeições. Temos alturas em que ali temos muitos bombeiros, vindos de muitos pontos do país para Mangualde”.

Sobre o número de efetivos dos bombeiros em Mangualde, João Soares deixa-nos uma ideia.
“Os efetivos em Mangualde ronda os 80 bombeiros. Dentro deste número temos 34 funcionários. E entre estes 26 dos quais são profissionais. Temos ainda uma equipa de intervenção permanente. Hoje já não é possível o bombeiro sair da sua atividade profissional e correr para o quartel e integrar a equipa que vai sair para apoio à população. Esses tempos já lá vão. Hoje temos uma equipa de intervenção permanente”.
 
Podemos concluir que todo o bombeiro em Mangualde é profissional.
“Não. Falamos num total de voluntários e profissionais. Temos uma equipa de 25 elementos, que são bombeiros profissionais. Entre os serviços que prestamos está o transporte de doentes. Somos também um posto de emergência médica. Como se depreende, este serviço não pode estar dependente do voluntariado. Mas ao mesmo tempo não podemos perder esta riqueza do voluntariado que só existe em Portugal. Vamos dar-lhes incentivos e estimá-los cada vez mais de forma a que continuem a prestar este grandioso trabalho”. 

Mas como é que se ultrapassam os encargos financeiros de um empreendimento desta envergadura?
“Vamos trabalhando para fazer face aos nossos encargos que já são muitos. Temos ajudas mas não podemos ficar à espera que tudo nos venha sem trabalho. O nosso quartel não é como antigamente. Hoje quase não existem áreas sociais. O nosso quartel é cem por cento operacional. Para dar um exemplo, só este ano, para comprar capecetes para o combate aos incêndios foram ao custo de 33 mil euros. Mas com a ajuda de pessoas de boa vontade vamos conseguindo sobreviver. Felizmente, não temos dividas”, prossegue João Soares.

Sendo as viaturas uma componente primordial, a frota pesa forte na operacionalidade.
“Não precisamos de aumentar mais a frota que temos. Teremos é de substituir algumas. Dou o exemplo de uma viatura modelo americano Internacional. Já tem 40 anos e ainda está ao serviço. Mas como uma viatura destas custa centenas de euros, a sua substituição não tem sido possível. Este ano tivemos a felicidade de nos ter sido oferecido um auto-tanque. Foi oferecida pela Patinter”.

Depreende-se que continua a haver gente de bem em Mangualde.
E a encerrar perguntámos o que ia dizer aos mangualdenses reunidos em convívio no salão do Clube Juventude Lusitana.
“Vou-lhes dizer que vim aqui de viva voz para lhes agradecer o grande apoio que têm dado aos bombeiros ao longo dos anos”, concluiu João Soares.