O presépio da Lagoa, de Roberto Medeiros, conquistou os EUA e pode ser visitado e admirado na Casa da Saudade em New Bedford

 

 

O tradicional presépio da Lagoa, que foi apresentado nos EUA, por Roberto Medeiros, celebra 15 anos de exposição pública, na sala principal da Casa da Saudade sediada ao sul de New Bedford. 
A sua aparição aconteceu em 2004. Portuguese Times estava lá. Aliás, até nem é de admirar, dado que tem acompanhado o nascimento e evolução da maioria das iniciativas lusas nesta costa dos EUA. 
O ambiente era de cultura. Até podiamos ir em buca da letra da canção do Baile da Biblioteca. O baile é de noite entre os autores das mais diversas obras. E durante o mês de dezembro, o baile aumenta. Ali vão dançar, São José e Nossa Senhora. Não ficam admirados, vimos recentemente no “Miracle of Christmas”, que foi à cena no Sight & Sound Theatre, em Lancaster, Pennsylvania. Ali numa brilhante apresentação natalícia houve grande alegria. Da mesma forma que a inauguração do Presépio da Lagoa também foi em ambiente de festa, tendo por fundo a Casa da Saudade, não matando a saudade, como nos princípios, dadas as grandes facilidades das comunicações atuais, mas mantendo o exemplar trabalho de manter vivas as tradições das origens, como esta do presépio de Roberto Medeiros. Apostou-se no primeiro ano. A aposta foi ganha. E anualmente é revivido naquele recanto cultural da comunidade, a cena da natividade.
Estando numa biblioteca, onde o factor primordial são os livros. Poderá parecer estranho. Mas foi com livros que em anos passados se fez o presépio. O resto desta iniciativa pode ser recordada num livro que alberga a cena da natividade e um outro que alberga os três reis magos montados em camelos, no presépio exposto na Casa da Saudade. 
Durante a quadra natalícia, tire uns minutos ao atarefado da quadra e pare na Casa da Saudade em New Bedford e admire o presépio da Lagoa.
Mas se é natural da Beira Alta, vai encontrar um presépio idêntico ao que se fazia por aquela província.
Penalva do Castelo, Mangualde, Viseu mostravam quer em espaços públicos, quer em moradias particulares, o presépio constituído pela cena da natividade, bandas de música, procissões, pastores, rebanhos, pontes, rios, pescadores. Elevações cobertas de musgo, arrancado das paredes ou das matas.
Mas tudo isto se desenrola sob um pinheirinho, que se cortava numa mata próxima. Os bonecos de barro eram comprados na Feira dos Santos, Mangualde, onde oleiros vindo de Molelos, vila onde havia oficinas da fabricação do mais diversos objetos de louça entre os quais as figuras do presépio.
Ao vermos Roberto Medeiros com todo o entusiasmo falar do seu presépio e dos bonecreiros da Lagoa, recordamos o nosso presépio que era montado na sala principal da nossa casa. E ali lá estavam expostas figuras semelhantes ao que nos é dado observar no presépio da Casa da Saudade. 
Mas as demonstrações natalícias ganhavam uma nova dimensão com um presépio em movimento que anualmente era montado no seminário em Viseu. Esta obra de arte merecia a visita de milhares de pessoas. 
Queremos com tudo isto dizer que o presépio é uma tradição que se vive e revive no mundo católico. 
Aqui pelos States teve uma nova dimensão, quando Roberto Medeiros, apostou em fazer aqui viver a tradição. Foi uma aposta ganha e que pode ser admirada na Casa da Saudade em New Bedford.

  

• Fotos e texto de Augusto Pessoa