Enfrentando o coronavírus


 

 

Comunidades ativas gradualmente vão anulando temporáriamente as atividades  acolhendo a imposição da recolha ao lar.
Começamos na área do Fox Point, onde “A Loja do Senhor Pedroso” (Friends Market), estava encerrada.
Não é muito vulgar. Diremos, raríssimas vezes. Ali existiu o bom senso, como medida de precaução. Não podemos esquecer que o proprietátio  Manuel Pedroso já completou 100 anos e como tal, considerado idade de risco, perante o coronavírus. Ali apostou-se em prevenir, em vez de remediar. 
Um pouco mais acima, os arruamentos contíguos à Brown University em Providence, que ainda há bem pouco respiravam vida através da juventude estudantil que as percorria, viram-se repentinamente desertas. É desolador. Mas será uma das formas mais viáveis de parar a contaminação do vírus. Ficar em casa. Até quando. Os casos aumentam.. Os estados traçam fronteiras. É proibido ultrapassar as linhas imaginárias da divisão. Tudo se faz para evitar a propagação do vírus. Na sua invisibilidade espalha a dor. A morte. 
Atravessamos o que se pode chamar de cidade universitária. Até quando esta desertificação. Mas afinal, ninguém desertou. Foram obrigados a desertar. Eles queriam ficar. Subir o podium e receber o diploma da formatura. Não o vão perder. Vai adiar. Até quando. Quem o sabe. 
Mas há mesmo quem esteja assustado. Não é para menos. O homem vai fazer 100 anos. É Arthur Medeiros, maestro. A festa está agendada para 10 de maio de 2020. José Ponceano, presidente da banda Nova Aliança de Pawtucket, da comissão organizadora, chama Márcia Sousa e diz-lhe “O Arthur Medeiros já não quer a festa. Disse-me que ele é o primeiro a não vir”. Não nos admira a decisão, diz-nos Márcia Sousa, “sendo (100 anos) uma idade de grande risco, o homem prefere continuar a somar anos, do que fazer a festa dos 100, apanhar o vírus de gravíssimas consequências”.
Mas a campanha de ficar em casa, não se limita a Providence. 
O centenário Phillip Street Hall, sob a responsabilidade de Manuel Sousa, encara a situação com a responsabilidade a que tal obriga.
“O nosso restaurante encerrou, seguindo as ordens da governadora. Apenas servimos no sistema de “Take Out” através do telefone (401) 434-3224.
Tinhamos agendada a apresentação da comissão de festas e casal do ano para 28 de março de 2020, mas já tivemos de cancelar tudo. E as festas com que se abre o ciclo anual das festas do Espírito Santo em maio, também nos parece levar o mesmo caminho, do cancelamento”, diz-nos Manuel Sousa, que sem querer contribuir para um clima de pânico, mas do encarar a situação com responsabilidade tenta fazer o melhor para os associados do Phillip Street Hall e consequentemente a comunidade de East Providence.  
Subimos o Main Street e dirijomo-nos ao Cube Juventude Lusitana em Cumberland. Um aviso na porta dizia: “Informamos que estamos encerrados até 30 de março de 2020 em cumprimento de regras impostas pelo Town Hall de Cumberland e pela governadora do Estado de Rhode Island”, diz Henrique Craveiro, presidente do Clube Juventude Lusitana.

Herberto Silva, presidente dos Amigos da Terceira, encara a situação com toda a responsabilidade.
“Estamos fechados. A festa de apresentação da raínha para 28 de março foi cancelada. Encerramos por imposição estatal as atividades, junto dos Amigos da Terceira.
Vamos rezar a todos os santinhos para que o 17 de abril já possa ver realizado o jantar da despedida da atual direção. E o 19 de abril a tomada de posse da nova direção para a qual fui (Herberto Silva) reeleito”, conclui o presidente dos Amigos da Terceira, que vem mantendo uma administração exemplar.
Se bem que a faceta do associativismo da comunidade tivesse sido retratada, fomos ver como se desenrolava a parte religiosa.
Prosseguimos viagem e paramos na igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Não se via, “viv’alma”. A porta prlncipal estava fechada. E ostentava o dístico “Caros paroquianos, devido ao perigo do coronavírus, a Missão Quaresmal desta semana do próximo domingo está cancelada, até mais informação. Por favor protejam-se. Padre Fernando Cabral. 
É este o cenário que reina no seio da comunidade de que trazemos estes exemplos. 
Restaurantes encerrados, só em sistema de “take out”.
Barbearias (algumas) encerradas, salões de beleza encerrados. Consultórios de dentistas encerrados. Por sua vez as farmácias, estações de gasolina, supermercados e padarias mantêm-se abertos.  
Tudo isto é feito com a finalidade de tentar travar o movimento destruidor do coronavírus, cujas consequências são desastrosas. 

 

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa