Carnaval celebra 47 anos com bailinhos danças de pandeiro e comédias


 

 

Os salões das associações, como forma de manter vivo o carnaval, vão abrir as portas ao reviver desta tão popular tradição terceirense.
As sociedades das freguesias da Terceira vão ser palco da maior manifestação de teatro popular em Portugal e como já alguém o adiantou, no mundo.
Aqui pela diáspora, em nada inferior, as nossas danças, bailinhos, comédias sem dança de espada este ano, vão levar a alegria do carnaval aos palcos selecionados da Nova Inglaterra.
Tudo começou em Lowell no ano de 1973 pela mão do saudoso José Valadão, seu cunhado Francisco Meneses e Lourenço Valadão.
Estava lançado o rastilho do que passados mais de 40 anos, continua a ser, uma das maiores manifestações sócio-culturais da comunidade.
Délio Valadão, filho de José Valadão, não deixa a herança do seu pai por mãos alheias e assume a responsabilidade da promoção do carnaval. 
Com uma experiência iniciada em 1967 na ilha Terceira, chega a Lowell José Martins e com ele uma nova era carnavalesca na diáspora. 
Em 1976 dá início à sua participação no carnaval, fazendo parte de um bailinho. A sua colaboração, neste sentido, mantém-se até 1982.
Mas José Martins tinha a familia cheia de talentos, pelo que organiza um bailinho da família Martins. O José tem três filhas: Sónia, Suzana e Dília.
O Mateus tem o Mateus Jr. e a Stephanie. O João tem mais dois filhos: Jonathan e Cristina.
Para completar o ramo surge o primo, João Ângelo Martins, que é o autor dos enredos e um dos executantes.
Em 1978, Lowell, que bem se pode considerar a meca do carnaval, vê chegar o “Sapateiro”, alcunha de João Fernandes, uma das figuras mais relevantes na ilha Terceira.
Traz com ele os filhos, Leo, José e Fernando Silva.
Em 1980 o carnaval pelos EUA conhece uma nova dinâmica, com o bailinho “O ensaio da filarmónica”, da autoria de Fernando Sapateiro. Foi sucesso em alguns palcos e mal recebido em outros. Mas nada os fez parar.  

Em 1978 chega a Lowell João Fernandes, que dava pela alcunha de “Sapateiro”. Conjuntamente com os filhos, Leo Silva, José Silva e Fernando Silva. No ano de 1980 mostram o carnaval à sua maneira com “O ensaio da Filarmónica” um bailinho que fez sucesso. 
Victor Santos, que começava a dar nas vistas pelo seu entusiasmo na divulgação e projeção das tradições terceirenses, viu no carnaval mais uma forma de mostrar o que vale.
Em 1981 escreve o bailinho “A tia Mariquinhas”, no que seria o grande arranque do carnaval a sul de Boston.
Hoje já soma mais de 24 assuntos escritos para bailinhos pela Nova Inglaterra e Canadá.
Em 2003 foi um dos fundadores da Aliança Carnavalesca, que tem coordenado o carnaval ao longo dos anos. 
Tal como as famílias Valadão, Martins, Sapateiro, Victor Santos conseguiu contaminar a mulher, Maria João e as filhas Tania e Chelsea. Esta última, além de puxar a dança com a irmã, é ainda uma excelente executante de viola da terra e acordeão. Filha de peixe sabe nadar.
Depois de longos meses de ensaio, eles aí estão, bem vestidos, bem coreografados, bem musicados, a mostrar os seus talentos.
Vai ser um estímulo, aos presentes. É uma vitamina de alegria onde, pelo menos em duas noites, se esquecem os momentos mais difíceis da vida.
A febre do carnaval consegue ultrapassar a febre da gripe que este ano deu com força. 
Se o melhor é o esperar pela festa, esta do carnaval não é exceção. 
Isto é a alma do povo a pulsar nos corações dos mais jovens e mais idosos numa simbiose de sons e vozes, espírito alegre e brincalhão.
Tem de ser isto o tópico do carnaval. Se bem que mesmo a brincar, ninguém gosta de fazer má figura. Isto é sempre uma festa. Os mais novos encaram a tradição com entusiasmo, numa aposta na continuidade.
Trabalho e disponibilidade são fatores imprescindíveis ao êxito das danças de carnaval. Os salões ganham a vida própria das noites de carnaval, não obstante serem locais de convívio durante todo o ano.

Mas este fim de semana é especial. É carnaval.