No 15.º Convívio dos Amigos de Santo Espírito, ilha de Santa Maria Claudinor Salomão homenageado “Homem do Ano” e Hudson Portuguese Club distinguido na passagem dos 100 anos

 


O salão nobre do Hudson Portuguese Club,  com honras de batismo pelo Bispo D. António de Sousa Braga, natural da freguesia de Santo Espírito, a quem foi dado o nome dos marienses António e José Frias, foi palco no passado sábado para o 15.º Convívio dos Amigos de Santo Espírito, ilha de Santa Maria.
Cerca de 400 pessas honraram com a sua presença um encontro que foi fundado pelo saudoso José Figueiredo, professor universitário e das mais relevantes figuras académicas da comunidade. 
 Embora com formação universitária, nunca abandonou o seu grupo étnico. Nas festas do Espírito Santo levava a coroa. Para as aulas levava a sabedoria que foi semeando pelos alunos. Fundou no ano de 2004 o Convívio dos Amigos de Santo Espírito, freguesia da ilha de Santa Maria.
Como identificação podemos dizer ser a terra de naturalidade de D. António de Sousa Braga, Bispo Emérito de Angra.
Podemos ainda acrescentar que o então Bispo de Angra inaugurou o novo Hudson Portuguese Club, sem dúvida a mais sofisticada presença mariense em Hudson e das mais relevantes, senão a mais, entre as presenças lusas nos EUA.
A comunidade mariense de Hudson, não muito numerosa, alia-se ao ditado popular “Poucos mas bons”.
E dentro destes bons foi prestada homenagem póstuma ao professor Dennis Frias, membro ativo do Convívio de Santo Espírito. E ainda ao dr. José Figueiredo, fundador, mentor e presidente do convívio de Santo Espírito. (Consulte página 17). 
Tem havido o cuidado de inserir as celebrações no centenário, imortalizando uma efeméride que só se realiza uma vez na vida. E assim foram desfilando as festas em honra de Nossa Senhora de Fátima, banquete comemorativo, almoço de entrega de bolsas de estudo.
E aos poucos foi chegando o momento alto da noite.
E aqui começa com a deputada Kate Hogan a fazer entrega de uma menção honrosa da Câmara dos Representantes da administração do estado de Massachusetts, a Claudinor Salomão. 
Mas no decorrer da sessão solene subiu ao palco a candidata a deputada ao parlamento português, Maria João Avila, para em nome da antiga cônsul em Boston, hoje embaixadora no Chipre, Manuela Bairros, fazer entrega a António Frias e Claudinor Salomão de um exemplar o livro “Vidas com Sentido”, 225 Histórias da Emigração. 
“A minha presença tem a ver com a amizade que me liga a Claudinor Salomão. Tive o gosto de acompanhar o seu trabalho como conselheiro das Comunidades. A sua grande luta era e é o ensino de português no estrangeiro. Aqui em Hudson temos o resultado real da integração do ensino do português”.
E Maria João Avila vai mais à frente: “Temos o gosto de ter entre nós o grande coordenador do Ensino do Português nos EUA, João Caixinha”. E voltando ao homenageado, disse: “Claudinor Salomão, uma pessoa humilde, mas de grandes iniciativas e concretizações”, concluiu.
Mas numa referência ao êxito do ensino do português integrado em Hudson, na sua visita em maio de 2019, o secretário de Estado José Luís Carreiro dizia ao Portuguese Times: “Se estamos perante mais de 200 milhões de falantes da língua portuguesa no mundo temos aqui em Hudson mais uma achega de 500 alunos que aqui aprendem português”.
São estas lições reais e palpavéis que tornam esta costa dos EUA única em grandes iniciativas da preservação e projeção da lingual portuguesa. 
Antes de se proceder à entrega da distinção a Claudinor Salomão subiu ao palco  o advogado Alan Rom, que enalteceu o trabalho do homenageado.
E a hora chegou. Subiu ao palco Claudinor Salomão. Veio para os EUA em 1968. O seu batismo como força trabalhadora foi na S&F Concrete, dos irmãos Frias. Foi a abertura do sucesso nos EUA. Do empresário António Frias recebeu os tópicos de como vencer nos EUA. Foi para a General Motors. E nunca mais parou. Mas a preservação e projeção integrada da língua portuguesa era o seu sonho. E foi realidade. Recentemente o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, pôde constatar pessoalmente a grande vitória de Claudinor Salomão, ao entrar numa aula no High School de Hudson. O homem não sabe estar parado. Já recebeu distinções e condecorações.
E agora “Homem do ano” no encontro dos Amigos de Santo Espírito.
Foi entre todo este contexto que o Hudson Portuguese Club abriu as portas no passado sábado ao 15.º Convívio dos Amigos de Santo Espírito, que se revestiu de grandioso êxito.
Este encontro regional estava inserido nas celebrações do centenário, que têm vindo a decorrer ao longo do ano.
A comunidade portuguesa de Hudson é apoiada pela igreja de São Miguel de cujo padre Ren, esteve presente para benzer a comida do encontro.
Tal como sucede em todas as iniciativas de caráter sócio-cultural que sobem ao segundo andar do Hudson Portuguese Club, contam sempre com as mais diversas personalidades dos mais diversos quadrantes. Sendo assim estiveram presentes o comendador e empresário António Frias; o comendador Claudinor Salomão, coordenador do Ensino de Língua Portuguesa nos EUA, João Caixinha; o presidente do Hudson Portuguese Club, Kevin Santos; candidata a deputada ao Parlamento português, Maria João Ávila e ainda a deputada estadual de Massachusetts, Kate Hogan. O mestre de cerimónias foi, como já bem sendo habitual, António Dias Chaves, para quem a comunidade de Hudson não tem segredos, pelo que esteve à vontade no desempenho das suas funções. 
“Este convívio, além do encontro de amigos é símbolo de aproximação dos espirituenses que aqui se congregam anualmente”, sublinhou António Chaves.
E no decorrer do encontro subiu ao palco Diana Chaves, da comissão organizadora, que referiu:
“Quero agradecer a presença de todos vós. Podemos ter muito boa vontade a organizar, mas só com esta bonita moldura humana é que se atinge o êxito. 
Por sua vez, Aura Cabral, presidente do convívio, acrescenta: “A todos quantos aqui se reuniram vão os meus profundos agradecimentos. Uma palavra extensiva aos patrocinadores, pois que sem eles não seria possível ultrapassar os encargos financeiros”.
O encontro espirituense contou com a presença de oriundos da ilha de Santa Maria e radicados em New York, Flórida, Canadá (Cambridge, Ontário). Sem esquecer East Providence, East Bridgewater, Taunton e Cambridge.
Mas estes encontros, como acima se refere, são o fruto de um conjunto de boas vontades, que nos bastidores preparam o jantar: António Manuel Santos, António Edmundo Braga, António Câmara e Gervásio Leandres.
Mas as travessas das loirinhas malassadas foram o fruto de hábeis senhoras que se apuraram para servir a sobremesa: Conceição Braga, Inês Monteiro, Maria Rosa Braga, Maria Rosa Carvalho, Noémia Braga, com o apoio de António Edmundo Braga. 
E já que falamos em equipas não podemos deixar de fazer referência ao numeroso grupo responsável pelo 15.º Convívio dos Amigos de Santo Espírito:
António Câmara, António Manuel Santos, Aura Cabral, Diana Chaves, Eva Chaves, José Figueiredo, Juvenália Chaves, Kevin Santos, Maria Câmara, Maria Leandres, Noémia Braga. 
São todos estes, e ainda bem que existem, que ao longo dos anos vão calando as aves agoirentas que vêm vaticinando o fim da comunidade da língua portuguesa. Serão eles os primeiros a acabar, porque a comunidade ainda tem muito para viver. Claro que tudo acaba. Mas o fim já o temos vindo a ser vaticinado, mas parece que quem o sabe ainda não o disse.

 

• Fotos e texto de Augusto Pessoa