Menina e Moça do Coração em Tulare, onde tudo começou!

 

 

Ganhamos a vida pelo que recebemos,

mas vivemos a vida pelo que damos

E. Duane Hulse

 

Tulare esteve em festa no passado dia 13 de outubro. Não se atirou nenhum foguete nem tão pouco se andou a fazer grandes alaridos. Convidou-se pessoas que conheciam uma mulher extraordinária, a Lúcia Noia, assim como alunos e pais dos dursos de português das escolas secundárias e ao sabor da amizade e de uma grande admiração pelo trabalho e a dedicação da Lúcia ao mundo da justiça, da igualdade e da liberdade, apresentou-se, de uma forma pouco ortodoxa, a sua biografia: Menina e Moça do Coração, que o poeta Álamo Oliveira soube, magistralmente escrever e José Luis da Silva e Katharine Baker habilmente traduziram para inglês. A edição foi da Bridge Books de Tony Goulart e a capa do artista Rui Melo. Uma noite bonita para uma mulher que sempre soube prestigiar a nossa comunidade.

Na associação criada poucos anos depois da chegada da Lúcia aos Estados Unidos, o Tulare-Angrense Atlético Clube, realizou-se um jantar confecionado pela direção desta associação comunitária, com especial carinho pelo casal David e Goretti Borges, e falou-se da Lúcia. Celebrou-se a sua biografia e a sua vida exemplar, particularmente para as jovens da nossa comunidade, com músicas tradicionais e a presença dos nossos alunos dos cursos de português das escolas secundárias de Tulare. 

Houve uma breve alocução com memórias das vivências e dos contributos da Lúcia na cidade de Tulare. Leram-se testemunhos e a recente resolução do Congresso americano. Os alunos João Pedro Meneses, Carolina Felipe e Marta Raposo leram uma das várias peças de teatro radiofónico que a Lúcia havia escrito com o casal Joaquim e Amélia Morisson, incluída na biografia, a qual trata da problemática da saúde mental.  Foram, justamente, bastante aplaudidos. Por fim, e antes da atuação dos alunos com as modas tradicionais dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, a Lúcia Noia falou das suas vivências em Tulare. Fê-lo, como sempre o tem feio, cada vez que fala em público: falando mais dos outros do que de si própria. Esta é uma das muitas grandezas da Lúcia Noia. Na comunidade do centro da Califórnia, muitas pessoas de origem portuguesa, e não só, têm usufruído da sua intelectualidade, da sua erudição, do seu compromisso com causas justas, da sua afeição ao mundo da educação, da sua paixão pela ascensão de todos os seres humanos aos mais altos patamares da experiencia humana, e do seu contagioso espírito jovem. Fez mesmo sentido celebrar o lançamento da sua biografia com jovens!   

A nossa amiga Lúcia Noia é o exemplo clássico da célebre frase de Virgínia Wolf:  Como mulher eu não possuo um país. Como mulher, o meu país é o mundo todo. E o mundo é bastante melhor graças a pessoas como a Lúcia Noia. Tulare, que representou um segmento muito importante na sua vida, como emigrante e como mulher de sucesso, faz parte integrante da biografia, e na sexta-feira, 13 de outubro, soube estar presente. Acredito que foi apenas a primeira, de muitas outras oportunidades, que ao longo dos próximos tempos se terá para falarmos sobre a Lúcia Noia.  Uma mulher que marcou a nossa comunidade e levou, com o seu trabalho, a sua visão e a sua paixão pela justiça social, o nome de Portugal aos patamares mais elevados da sociedade americana.

 

  • Foto de Fátima Melo Fontes)