Sordidez

 

Ainda com espanto, foi como ontem recebi a notícia da denúncia anónima ao redor da aquisição da casa de família de Fernando Medina, em Lisboa. Claro está que de pronto percebi o que esteve ali em jogo, porque já se percebeu que Fernando Medina irá vencer a eleição lisboeta, quase certamente, com maioria absoluta. E, embora não podendo garantir a fonte desta calúnia, aposto comigo mesmo que sei quem terá sido o autor desta, que acho do mais térreo nível moral. É bem mais simples que resolver uma equação do segundo grau com coeficientes reais e soluções do mesmo tipo.

De quanto veio já a público, mormente em matéria documental, percebe-se que Fernando Medina teria de ser alguém mentalmente muito limitado para se determinar a operar uma jogada como a que pretendeu induzir-se junto dos eleitores através da carta anónima em causa. O grande e central problema é o que se refere atrás: a evidência da sua vitória com maioria absoluuta, porventura temperada com uma tremenda dor de corno.

Claro está que este caso é mais um, porque sucedem-se já, quase a um ritmo diário, casos de suposta corrupção, ou de algo que pode assim ser aparentemente interpretado. O que mostra o grau de desagregação moral a que Portugal foi conduzido por parte daqueles que se viram obrigados a aceitar a dita democracia, mas desde sempre contra a sua mais íntima vontade.

Assiste-se, no presente momento, ao desenvolvimento veloz de uma espécie de reação em cadeia, procurando organizar as forças que odeiam a democracia e o atual Governo, com o seu suporte democrático e da Esquerda, a fim de enfraquecerem o regime constitucional que surgiu na sequência da Revolução de 25 de Abril, pondo também em causa o próprio Sistema Político. A mais recente e perigosíssima ideia é a dos partidos regionais, na peugada, como facilmente se percebe, das candidaturas ditas independentes.

É à luz deste clima, com a finalidade de enfraquecer o atual Governo e o próprio PS de António Costa, que agora surgiu este mais recente caso ao redor de Fernando Medina, dado que se percebeu que este irá vencer a eleição lisboeta por maioria absoluta, restando saber a sua dimensão. Para mal dos homens de Abril, cada dia mais vai mostrando a razão de Salazar nesta matéria, sendo sempre de recordar o que foi a realidade histórico-política da I República. Está de volta o tempo da sordidez política.