Um genocídio na União Europeia

 

Sou um daqueles que chegou a acreditar que os seres humanos, de um modo muito geral, seriam capazes de aprender com os erros históricos do passado. Infeliz­mente, enganei-me. Uma realidade que pode hoje perce­ber-se com o verdadeiro genocídio que está a ser pratica­do no espaço da União Europeia, deixando entregues à fúria dos elementos muitas centenas de milhares de refugiados, desde velhos a novos, de homens a mulheres, de crianças a grávidas ou de doentes a ainda saudáveis.

Lamentavelmente, quase todos na União Europeia falham neste domínio, desde os dirigentes políticos desta famigerada estrutura, aos dirigentes políticos nacionais, ou mesmo à Igreja Católica Romana e às restantes, menos visíveis. A própria OTAN lá se vai entretendo a preparar a próxima guerra mundial, tudo fazendo, com mentiras e meias mentiras, para pôr em causa a Rússia e todos os que não queiram viver um novo conflito mun­dial, nomeadamente no espaço europeu. A própria ONU também se continua a mostrar paralisada, sem ao menos conseguir levar um tal tema de tão grande gravidade ao Conselho de Segurança e sem os seus responsáveis irem para lá de uma ou outra referência circunstancial. Um comportamento que nos traz o Ruanda ao pensamento...

As Nações Unidas, de facto, pouco fazem para atacar uma tal realidade, que se constitui, objetivamente, numa atitude potencialmente conducente a um genocídio. A título imediato ou a prazo, com as sequelas que terão de ficar nos que vierem a sofrer os efeitos do inverno que está a viver-se por todo o espaço do Leste da União Euro­peia. O silêncio é quase total, muito menos se observando uma ação minimamente capaz.

Os Estados da União Europeia, com atitudes diferentes perante esta realidade desumana, pouco vêm fazendo. E se os Estados assim procedem, os decisores supremos da própria União Europeia seguem-lhes as pisadas, fazendo lembrar aquela minha definição do modo português de estar na vida: não viu, não ouviu, não sabe, não pensa, obedece.

Por fim, as organizações religiosas, muito em particular a Igreja Católica Romana. Se é verdade que o Papa Fran­cisco tem chamado a atenção para esta realidade, tendo mesmo pedido que cada paróquia recebesse uma família, a indiscutível realidade é que raros foram os que materiali­zaram o seu pedido. No fundo, são os tais papagaios que se vão limitando a recitar orações, como ontem mesmo referiu.

Duvido, muito sinceramente, que, para lá da presença de alguns apoiantes individuais, de uma refeição diária e da ausência direta de execuções, as condições hoje vividas nos locais onde se encontram os refugiados sejam menos más que as experimentadas nos campos de concentração nazis. De resto, também nesse tempo a Comunidade Internacional assegurou que tudo era como lhe foi mostrado em certa visita formal, anteci­pa­damente preparada. Sendo verdade que não se executam hoje os refugiados, também o é que o estado em que se encontram materializa, de facto, uma morte lenta.

Seria muito interessante vir a seguir o futuro dos que vierem a sobreviver, de molde a determinar a distribuição do tempo de vida, bem como acompanhar o estado clí­nico dos que por ali estão a passar. Quem diria, há uma meia dúzia de anos, que a União Europeia, os seus Esta­dos, as estruturas religiosas e a própria Comunidade In­ter­nacional, se iriam deixar envolver num genocídio desta dimensão?! Adaptadamente, a História repete-se.

E já agora: que é feito do papel denunciador de um tal crime por parte da grande comunicação social, mor­mente a televisiva? Terá esta temática sido tratada no re­cente congresso de jornalistas? E então? Tudo como dantes?