Foguetórios de S. João

 

Sabem o que há de comum em todos estes artistas: Quim Barreiros, Herman José, Rui Veloso, Aurea, Carlão, Emanuel, Vanessa da Mata, Diego Miranda, Diogo Piçarra, Amor Electro, Ana Moura, Gabriel O Pensador, Richie Campbell, Matias Damásio, DAMA, Blind Zero e muitos mais que já perdi a conta?

São artistas de renome, custam caro por cada actuação e vão estar todos em S. Miguel em festivais promovidos ou apoiados por autarquias (outros tantos vão estar pelas outras ilhas).

Com um cartaz destes, o povão nem sabe para onde se virar. O problema não está nestas contratações. Está nas prioridades.

Há autarquias que durante o ano inteiro não ligam nenhuma aos artistas locais e até dificultam a vida de alguns, mas mais grave é algumas delas nem possuírem saneamento básico em condições, caminhos municipais limpos e apoios sociais dignos para as suas populações.

Em anos anteriores o cartaz de diversões era mais comedido, mas como este ano temos eleições em Outubro, os orçamentos hão-de aguentar com tanta fartura. Sinal de que a política, mesmo a mais básica, está transformada num circo.

Não sei é se, mais tarde, haverá pão...

 

E TRABALHAR?

Começam a surgir as primeiras queixas de empresários que não conseguem contratar mão de obra para a construção civil e para áreas do turismo.

Nada que surpreenda. Os programas ocupacionais estão a retirar muita gente que já poderia voltar ao mercado de trabalho, mas como já todos se habituaram ao conformismo oferecido pelas nossas autoridades, mais vale a pena passar o dia sem grandes ambições.

São 7.159 “ocupados” que, neste momento (Abril de 2017), somados aos 9.588 desempregados, resultam em 16.747 pessoas sem emprego, muito mais do que os 15.357 registados em Janeiro de 2013!

Vamos todos por um belo caminho, mas ninguém se preocupa com isto.

Há-de haver sempre por aí mais uma festinha para nos alegrar.

Com artistas de fora, claro.

 

O EXEMPLO DE CABO VERDE 

A companhia de Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) está a braços com gravíssimos problemas de tesouraria e decidiu reestruturar-se, o que implica o despedimento de 260 pessoas, praticamente metade dos seus trabalhadores.

O responsável da empresa é peremptório: “A TACV inflou e depois de vários anos chegou ao estado em que está hoje com custos operacionais elevadíssimos e, apesar de uma ocupação de 75% (no mercado interno), não é sustentável”.

Com prejuízos de 4,5 a 5,4 milhões de euros por ano, o Estado caboverdiano já tinha injectado mais de 13 milhões de euros, quando o passivo ultrapassa os 100 milhões.

Isto faz-lhe lembrar alguma coisa?...

 

MUITOS MILHÕES DEPOIS 

Todos os anos, por esta altura, temos mais uma promessa de que o combate à eutrofização na lagoa das Furnas vai ser desta. Este ano ainda não se conhece qual a milésima medida que vai ser anunciada, mas a lagoa já se apresenta como documenta a foto de um amigo furnense. No ano passado o anúncio foi de 1,5 milhões de euros para a construção do canal de desvio de afluentes da ribeira do Salto da Inglesa e de consolidação do leito e margens do canal do Salto do Fojo.

Vamos nisto há mais de duas décadas.

Os milhões continuam, mas os ambientalistas do SOS-Lagoas estão agora noutras ‘incinerações’, mais de acordo com a natureza não eutrofizada...

 

FÉRIAS DE VERÃO

Não serão ainda na lagoa das Furnas, que não se apresenta com muito bom aspecto. Mas para fugir à paisagem maculada que vai por este país e região, estas crónicas vão de férias, regressando em Setembro. Bom Verão.