Insónia

 

Queixas de insónia continuam a ser uma das mais comuns tanto em consultórios de cuidados de saúde primários ou em psiquiatria. “Não consigo dormir” é muitas vezes uma queixa que não tem explicação fácil ou, pior, tratamento seguro. A verdade é que os padrões do sono mudam com a idade, desde o recém-nascido dormir quase o dia todo, ao padrão de pequenos períodos de sonecas dos mais idosos. Além disto, todo um conjunto de fatores médicos ou emocionais podem influenciar a qualidade do sono ou a sua duração. É frequente um ansioso não conseguir adormecer, enquanto um deprimido o faz com facilidade apenas para acordar a meio da noite e não conseguir adormecer novamente. Estes são apenas exemplos, pois fatores individuais têm grande importância nos sintomas de insónia.

O doente quer e necessita do problema resolvido e o pedido é normalmente de um medicamento hipnótico que ajude ao deitar ou se necessário a meio da noite. Este tipo de tratamento destina-se preferencialmente para um período curto, infelizmente é comum doentes usarem comprimidos consecutivamente durante meses e anos, com a consequente dependência física e psicológica.

Os primeiros conselhos a dar ao doente deverão ser sempre sobre fatores não farmacológicos que evitem a insonia. Estas são estratégias que resultam compro­vadamente:

- Exercício: O fazer exercício moderado três vezes por semana melhora o sono e contribui para a sua saúde em geral.

- Limite a cafeína: Evite as bebidas com cafeína após as 4 da tarde. Isto inclui chá verde – mesmo o des­cafeinado inclui pequenas quantidades deste esti­mulante. Um copo de vinho pode ser consumido ao jantar, mas evite-o duas ou três horas antes de deitar. As bebidas alcoólicas podem dar a sensação que ajudam a adormecer, mas causam insónia a meio da noite.

- Controle a quantidade de luz: Certifique-se que o seu quarto de cama está fresco e escuro. Por outro lado, abra as cortinas completamente logo de manhã, pois a luz solar ajuda a começar o dia, juntamente com um bom café.

- Tranquilidade: Desligue o seu telemóvel e evite a televisão ligada, pois mesmo que adormeça ver TV, a luz vai acordá-lo a meio da noite. Qualquer fonte de luz, especialmente a com tons azulados, diminui a produção de melatonia, a hormona cerebral que ajuda a dormir.

- Evite refeições pesadas ao jantar ou o uso de “digestivos” (aguardentes, schnapps, ou whisky) prin­cipalmente se sofre de refluxo gastro-esofágico, que o vai acordar mais tarde.

Se estas e outras medidas não dão resultado consulte o seu médico para avaliação de possíveis problemas do foro neuro-psiquiátrico e para outras estratégias de tratamento, medicamentoso ou não.

Haja saúde!