Maiores riscos com o uso marijuana agora disponível

 

 

Mais uma vez venho alertar os leitores para os riscos significativos do uso da marijuana (Cannabis), não por motivos do puritanismo prevalente na cultura da Nova Inglaterra, mas pela quantidade de informação cada vez mais disponível sobre os efeitos desta droga dita “leve”. Esta é a palavra chave, pois de leve a marijuana contemporânea não tem nada. Eis um exemplo: a substância ativa da marijuana é o produto delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC), e a marijuana vendida na rua nos anos 70 tinha cerca de 1% desta substância. Com as pressões do mercado, agora legalizado em muitos estados e nações, a potência da marijuana tem vindo a crescer astronomicamente. Nos anos 90 tinha aumentado 4 vezes, e em 2012 um estudo de diversas agências americanas mostrou que o teor em THC tinha já au­mentado para 12%. Ou seja, se compararmos com a cerveja (6% álcool) e havendo um crescimento seme­lhante ao da marijuana, a cerveja desta década teria 70% de álcool, mais do que aguardente, brandy ou whisky. Mais ainda, os derivados da marijuana, como o Hashish (uma resina), ou óleos de marijuana têm hoje uma quantidade média de THC de 35 a 90%!

Em 2016, na cidade de Nova Iorque declarou-se uma “Epidemia Zombie”, em que centenas de indivíduos apareceram severamente intoxicados nas urgências dos hospitais por razões desconhecidas, só mais tarde identificadas sendo devidas ao uso de uma marijuana sintética elaborada na China e apelidada de “AK-47 24-Karat Gold”, cerca de 60 vezes mais potente que a marijuana de hoje. Mais ainda, a marijuana mais potente pode hoje ser consumida sob a forma de “comestíveis” (em bolos, rebuçados, ou bebidas) ou obtida através de “dispensários” ou mercados de agricultura.

Estas versões potentes da marijuana claramente podem não só causar uma dependência no produto, como também episódios de psicose (os consumidores frequentes têm cinco vezes maior probabilidade de sofrer um primeiro episódio), agravar doenças crónicas como a esquizofrenia, sofrer de problemas de memória e concentração e causar danos estruturais ao cérebro. Tudo isto foi indiscutivelmente documentado em muitos estudos feitos por clínicos, universidades e agências estatais.

É certo que alguns leitores me queiram lembrar a este ponto de alguns benefícios também documentados do uso da marijuana, nomedamente para a falta de apetite e náuseas de doentes em tratamento para o cancro, certas condições oculares e até neuro-psiquiátricas, um aparente contrasenso ao que já foi dito, mas o meu alerta aqui fica, pois o facto de agora “ser legal” não diminui os riscos de um produto cada vez mais potente.

Os médicos são hoje frequentemente acossados por pacientes para obter a recomendação para uso de “marijuana medicinal”, mas estes casos devem ser reservados aos que 1) sofrem de uma condição debilitante que possa claramente melhorar com o uso desta droga, 2) para os casos em que múltiplos tratamentos convencionais não deram resultado, e 3) na ausência de doenças psicóticas, ansiosas ou abuso de outras drogas.

Que prevaleça o bom senso.

Haja saúde!