Sépsis

 

Se o leitor quiser resumir a sua leitura desta infor­mação ao mais importante, este é um caso fácil de se pôr em sumário: a Sépsis é uma situação clínica poten­cialmente gravíssima e mortal. Trata-se de uma resposta anormal a uma infeção sistémica que se inicia num órgão ou sistema isolado mas que se propaga a múltiplas partes do corpo. Lembro-me da expressão usada aonde cresci, era o “envenenamento do sangue”, errada mas que tem o mérito de indicar o enorme grau de gravidade.

A Sépsis nao é uma doença, não é causada por um só agente, nao é restrita a um órgão. É uma condição fisiológica, uma resposta anormal a uma infeção, tipi­camente bacteriana, mas podendo também ser causada por fungos, vírus ou parasitas, durante a qual o orga­nismo se vira contra si próprio causando grandes estra­gos nos tecidos e órgãos. Se o diagnóstico não é feito atempadamente e o tratamento apropriado iniciado imediatamente os orgaos começam a falhar, a pressão sanguínea desce e a morte ocorre dentro em pouco. Os mais afetados são os idosos, os recém-nascidos e os imunodeficientes, mas qualquer pessoa pode ser afetada, mesmo os mais saudáveis.

Vejamos alguns números: a Sépsis é a causa principal de morte nos hospitais americanos, causando uma morte em cada dois minutos. É também a razão principal para admissões ao hospital e custa à saúde 24 mil milhoes (billions) por ano. Cerca de 1,6 milhoes de pessoas são afetadas todos os anos, das quais 250 mil morrem. Dos que não morrem, muitos sofrem amputações, cerca de 40 por dia, e a sépsis é a terceira causa de morte nos EUA, mais do que o cancro da próstata, mama e SIDA juntos. As infeções comuns que podem degenerar em sépsis incluem as dos pulmões, infeções urinárias, do intestino e da pele.

O que pode o leitor fazer para evitar ser mais uma vítima desta situação clínica? Como de costume inicio os meus conselhos com generalidades: Tente-se manter o mais saudável possível fazendo exercício regular, mantendo um bom controlo da sua diabetes ou tensão alta, evite o sedentarismo e a obesidade, alimente-se com variedade e bastantes vegetais, peixe e fruta. Seguidamente, siga os conselhos do seu médico ou enfermeiro de família. Se está a tratar uma infeção, tome o antibiótico exatamente conforme as instruções do farmacêutico. Muitas vezes os doentes não faziam o tratamento completo por desconfiarem da dose ou outros motivos, algo que constatei muitas vezes quando de serviço à urgência do Hospital de Ponta Delgada, e claro não melhoravam e corriam riscos acrescidos de uma infeção disseminada. Finalmente, e se tem o infortúnio de ser hopitalizado por motivos infeciosos, mantenha os enfermeiros e médicos que o tratam continuamente informados dos sintomas que o afetam. Um alto grau de suspeita para os riscos de sépsis é a maior solução, mas está nas mãos dos técnicos de saúde, e o leitor pode apenas ajudá-los no diagnóstico. Haja saúde!