Teias & Ideias ao desafio

 

        

1 -  Hello! Bom dia, apreciado Tempo! Sim, estamos vivos!

Após as badaladas da meia-noite, ficámos gratos pela partilha do generoso pão-mental da Vida. Quem nos conhece está consciente de que não andamos por aí, a deambular nas brigadas diplomáticas do carnaval étnico. Perante a proximidade da barulheira das boas-vindas ao 2018  (muralha temporal que há milhares de séculos andava, humildemente,  à nossa espera!) somos tentados a dizer o seguinte: cada novo momento é um pontapé no traseiro do momento que se lhe segue...

Palavras! Precisamos de palavras... não para camuflar o pensamento, mas para desnudar ideias e deixá-las à solta. Aproveito para repetir a conhecida frase de Saramago: “...  as palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam: são como as carraças – o trigo e o jóio. Mas só o trigo dá pão.” Afinal, somos viajantes na caravela da existência: continuamos a bordo do calendário romano do pensamento translúcido de Santo Anselmo (“Concept of Perfect Being”), passando por S. Tomas Aquino (“Primeira Causa”), até chegarmos ao “Intelligent Skepticism, de David Hume, encruzilhada da chamada “autonomia progressiva da vontade do querer humano”...

Vamos continuar a conversa fazendo uma micro-referência ao discurso profético do agnosticismo shakespeareano (vidé episódio V, da cena 5 do Macbeth): “tomorrow, and tomorrow, and tomorrow – creeps in this petty pace from day to day”...   Cuidado! Não queremos olvidar o estimado Bertrand Russell, agnóstico atomista, considerado “persona non grata” pelos adeptos da boçalidade vigilante da obediência inspirada no temor catedrático...

       

2 -  será o futuro – mero avesso” do passado?

Não custa admitir que a liberdade de expressão adoptada pelo signatário quase sempre costuma descer em paraquedas até poisar no papel branco das suas opiniões. Pudera! Vimos reparando o modo como a generalidade da opinião comunitária prefere digerir a “massagem-dita deformativa”, ao cultivo  da saudável “palmada formativa”... 

Desde 1976, comecei a entender que a expressão União Açoreana “rima” melhor com a realidade insular do que a gritaria pseudo-açórica ”Unidade Regional”. Digo isto para reacender o farol do inesquecível “episódio” revolucionário abrilista:  Açores & Madeira gozam mais autonomia política do que (por exemplo) as províncias canadianas...  Aliás, a Constituição da República Portuguesa (que só peca pela sua curvilínea redacção descritiva) continua a ser a “bíblia” revolucionária que tive (e continuo a ter) a subida honra de subscrever e proteger, não só como longínquo cidadão-imigrante, mas sobretudo como veterano parlamentar eleito (1976-1980).

Caríssimos Compatriotas –  não me peçam para vir aqui gritar o cargueiro  slogan “25 de Abril, sempre!  – 25 de Abril, sempre!”.  Em 1980, aterrei no aeroporto de Boston com a voz ainda rouca de tanto gritar o “slogan” supracitado: sim, fi-lo em várias localidades nacionais e internacionais, designadamente, na Suécia - Novembro de 1975;  Alemanha Ocidental - 1977;  República Alemã Oriental - 1978...  tudo isto sem esquecer a sessão organizada em Rhode Island (restaurante “Ilha Verde”- Abril, 1984). 

Mas há mais: não gostaria de olvidar o emocional episódio acontecido em 1997, na ridente freguesia micaelense de Fajã de Baixo, a convite do ínclito presidente, João Carlos Macedo, veterano democrata que muito contribuíu para honrar a memória do valoroso estufeiro, Carlos Ferreira, reconhecido mártir antifascista (estimado tio) – cujo nome  continua estampado numa das artérias daquela graciosa freguesia (terra natal de Natália Correia, Jaime Gama, e não só ) ...

 

3 – falas antigas com sotaque moderno

Como nota de despedida do ano recentemente arquivado, vai a lembrança da maravilhosa receita cristã:  amemo-nos uns aos outros, meigamente, sem ruídos teatrais, na senda dum não mais querer que bem-querer, para não perturbar o fôlego dos gritadores de penalty, vigilantes da grande-área da coragem alheia...

Durante o meu modesto tirocínio imigrante, tenho observado (e até comentado publicamente) que a integração cívica do emigrante açoreano na sociedade norte-americana não se processa à velocidade do galope! (Seria asneira confundir galope & cavalo).  Se quizermos metaforizar o fenómeno, vamos arricar dizendo que o processo de assimilação étnico-cultural tem algumas parecenças com a “corrida de obstáculos”...  mas com a seguinte particularidade: o rol desses obstáculos faz parte do “excesso de bagagem” étnico-psicológica do emigrante açoreano... 

Afinal, atrevo-me a dizer que as comunidades açor-lusitanas precisam de servidores democráticos das ideias. Se é verdade que a rotina esmaga a criatividade, não há que temer a mudança. Mas cuidado: não seria prudente nem necessário ignorar algo de positivo  porventura realizado pelas chamadas “brigadas do reumático”...  refiro-me aos leais missionários da Cruzada da saudade.

Viva a Esperança! Vamos acreditar que o imigrante Açoreano é legitimo herdeiro do património divino...  Haja Vida!

(o autor escreve de harmonia com a antiga grafia)