É grave para a história de Portugal que não se entendam

Os resultados das legislativas são inequívocos. A Coligação Portugal à Frente arrecadou 36.83% do total dos votos; PS 32.38%; BE10.22%; PCP-PEV 8.27%, etc. Estes são os números que traduzem a vontade dos portugueses e portuguesas, por mais voltas que se queira dar aos resultados.

Num país moderno, com políticos preocupados com os destinos do seu povo, o óbvio seria vermos as duas maiores forças partidárias (Coligação e PS) unidas, agradecidas ao povo português pela confiança ma­nifestada, trabalhando na constituição de um governo que sirva Portugal e não interesses particulares de pessoas que querem o poder a todo o custo.

Esperava-se também que essas duas forças mais votadas, num gesto de exemplaridade sem par (re­dundância propositada), estivessem a convidar outros dois partidos com relativo significado eleitoral (BE e PCP) a partilhar algumas das responsabilidades governativas. Assim, o povo ficaria tranquilo e orgulhoso dos seus políticos.

Infelizmente, não é a isto que assistimos. Pelo contrário, usando de estratagemas que a todos nos cansam, assistimos a jogos de bastidores que nos querem fazer acreditar que a direita mais votada, afinal, nada vale, pois juntando os votos do PS com as migalhas de outros partidos a vontade de Portugal é ter um governo de esquerda.

Como estas negociações inter e intra partidárias vão acabar ainda não sabemos. Mas sabe o povo que contrariar a sua vontade não é boa política. Mais cedo ou mais tarde, quem ousa confundir a mais elementar matemática terá o castigo merecido. E o castigo será implacável quando os portugueses e portuguesas virem com clareza que, afinal, as diferenças ideológicas entre a Coligação e o PS são menores do que as clivagens ideológicas profundas existentes no quadrante de esquerda.

Se assim é porque insistem as duas maiores forças partidárias a desentenderem-se? Precisamente porque deste desentendimento depende a sobrevivência de cada uma delas.

No dia em que constituírem um governo único e criarem sinergias comuns, em prol do povo que os elegeu, mostram ao país que não se justifica mais a existência desses partidos em separado.

O clima de desentendimento, alimentado ao extremo pelas máquinas partidárias, serve, a bem da verdade, aos políticos e à sua sede de poder, mas não serve o país. As discussões mais acesas entre fações distintas galvanizam as hostes e dividem as populações, fazendo crer que os políticos entre si são inimigos e que nem se cumpri­mentam.

Que ilusão a nossa em darmos, como Povo, cobertura a esta encenação.

Mostra-nos a realidade que a verdade é bem diferente. Dando largas à liberdade individual, os filhos do PSD casam com as filhas do PS; as filhas do Bloco de Esquerda casam com os filhos do CDS e assim por diante.

Os políticos de fações partidárias distintas são compadres e comadres entre si, almoçam e jantam juntos em amena cavaqueira, frequentam a casa uns dos outros e, na hora da verdade, lá estão disponíveis para arranjar emprego ao seu amigo, independentemente das diver­gências assumidas nos órgãos de comunicação social para gáudio do povo.

Portugal vive tempos difíceis. O povo português está em crise, necessitando de desenvolvimento, de progresso e de sucesso. Precisamos de emprego para acabar com a fome que avassala milhares de famílias em Portugal. Não precisamos de mais eleições, nem de ameaças de políticos que não vão votar no Orçamento de Estado, sem sequer terem lido o mesmo ou terem dado um contributo para a sua redação.

Na qualidade de candidata às Presidenciais, gostaria que Portugal, fazendo uso do desafio que as Legislativas colocaram nas mãos dos políticos, servisse de exemplo internacional de como se deve fazer política nos tempos modernos.

O poder deve sempre colocar-se ao lado dos povos (como muito bem referiu o Papa Francisco) e nunca servir interesses de quem tem a obrigação de zelar, proteger e cuidar do seu povo.

Caso o entendimento entre os partidos mais votados seja de todo impossível, devido a desavenças pessoais ou a assimetrias ideológicas, as máquinas partidárias têm a obrigação moral de afastarem os seus líderes do futuro governo e convidarem para o executivo cidadãos e cidadãs, altamente qualificados e com provas dadas no terreno, que gozam de isenção e de imparcialidade junto do eleitorado.

Um governo de interesse nacional não precisa ne­cessariamente de refletir as cúpulas das máquinas partidárias. Os partidos podem e devem convidar individualidades da sua esfera política com carisma, saber e “alma” para integrar o futuro governo. Aos cargos devem ser chamados e chamadas os melhores de Portugal e das nossas comunidades emigrantes, espalhadas pelo mundo. A isto dar-se-ia o nome de colocar os interesses do país acima de qualquer suspeita. Tenhamos a coragem de enfrentar a realidade, que clama por um governo de união nacional, e Portugal ficará na História desta velha Europa como o país que ofereceu ao mundo uma Revolução ímpar e a cons­tituição pacífica de um governo que a todos deu voz. Façamos a diferença, pela positiva, pois só assim sere­mos respeitados fora e dentro das nossas fronteiras. Só assim salvaguardaremos a nossa Soberania Nacional.

 

  • candidata às Presidenciais 2016