Jerusalém

 

Cada vez me convenço mais que o presidente Donald Trump tem aversão à paz mundial, harmonia, compreensão e bem-estar entre os povos.

Vem isto a propósito da decisão polémica que tomou dia 07 de dezembro de mudar a embaixada americana em Telaviv para a Cidade Santa de Jerusalém, que considera (erradamente) a capital de Israel.

Donald Trump, certamente, não faz a mínima ideia da controvérsia e descontentamento que isso já está a originar na Palestina, nos países árabes e, mesmo, à escala mundial.

Esta sua ação negativa e prepotente do quero, posso e mando, irresponsável foi o mesmo que atirar mais “achas para a fogueira” que vinha ardendo lentamente, há quase 70 anos, entre palestinianos e israelitas. Já se passou este tempo todo sem que os líderes mundiais, a ONU e os beligerantes de ambos os territórios conseguissem uma resolução deste grave problema, que começou com o famigerado acordo assinado em cima do joelho a 15 de maio de 1948 - altura em que os responsáveis internacionais reconheceram Israel como Estado soberano e independente, enquanto que à Palestina foi-lhe atribuído o estatuto de território Autónoma subjugado às decisões ditatoriais dos governos israelitas.

No início desse acordo, os líderes de então ainda pensaram que Jerusalém fosse governada por uma entidade independente. Mas essa decisão gerou uma enorme discórdia entre Israel e Palestina. Depois resolveu-se dividir a Cidade Santa de Jerusalém em duas partes: a zona oriental pertencia à Palestina e a sul a Israel; comprometendo-se mutuamente a respeitarem as Mesquitas dos palestinianos e as Sinagogas dos israelitas.

Mas isto nem sempre foi respeitado por Israel e quando se deu a guerra dos seis dias em Junho de 1967.  Israel apoderou-se da parte oriental palestiniana da Cidade Santa, bem como de grande parte da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e também dos países vizinhos que ligam com Israel, alargando assim as fronteiras deste país, mesmo contra as medidas da ONU, acentuando-se ainda mais a discórdia e o ódio entre os dois povos, originando, de vem em quando, ataques suicidas pelos palestinianos contra Israel, que respondia com incursões violentas do exército contra a Palestina, destruindo muitas casas e causando muitas vítimas mortais palestinianas.

O Presidente Donald Trump parece que ainda não compreendeu que tanto palestinianos como israelitas têm o mesmo direito de viver em paz, lado a lado, e também por parte de Israel respeitar as fronteiras terrestres estabelecidas pelas Nações Unidas em Outubro de 1967, assim como os Templos Religiosos de parte a parte, o que nunca foi respeitado por Israel, porque julga-se dono e possuidor do Médio Oriente. E, por isso, pode fazer o que lhe apetecer.

Já no ano de 2000, o falecido poderoso e contorverso general Ariel Sharon entrou numa Mesquita em Jerusalém acompanhado de meia dúzia de guarda costas profanando esse Templo Sagrado muçulmano, o que originou a segunda Intifada, com ataques de ambos os lados, morrendo centenas de pessoas e outras tantas feriadas mas em maior número da parte dos palestinianos. Este ódio e vingança de olho por olho e dente por dente é inadmissível em pleno século XXI, mas vai acontecendo aos olhos do mundo!

O atual primeiro ministro Benjamim Natanyahu é um ditador e fanático pelo poder que, nestes quase 14 anos de governo, não tem o mínimo respeito pelos direitos do povo palestiniano.

E como exemplo temos o assalto a um navio turco, em julho de 2010, pelas tropas israelitas. O assalto ocorreu no Mar Mediterrâneo, em águas internacionais, matando nove tripulantes e ferindo 19, quando o navio se dirigia à Faixa de Gaza com carregamento de mantimentos, roupas e remédios. A embarcação não transportava nenhuma arma de fogo, como anunciado pelo primeiro ministro israelita Benjamim Natanyahu. Como a opinião mundial o condenou veementemente por este ataque bárbaro e o considerou um criminoso de guerra, ele veio à televisão afirmando que o dito navio levava um carregamento de armas, um perigo para a segurança e estabilidade do Médio Oriente.

Como se isto não bastasse, poucos dias depois do ataque do navio turco, tornou a atacar no mesmo Mar Mediterrâneo e perto da Faixa de Gaza uma lancha palestiniana com pescadores, matando seis e com dois desaparecidos. Além disto, continua a construir colonatos nos terrenos palestinianos, ao norte de Jerusalém, Cisjordânia e, também, já mandou construir um muro muito alto, com alguns quilómetros de comprimento.

É um tal de transgressões e provocações à paz naquela região por parte de Israel, que, também, nunca tem respeitado as resoluções imparciais da ONU, a única organização

internacional que merece respeito e credibilidade.

Em face disto, o Presidente Donald Trump deveria demarcar-se completamente deste político controverso e contrário a todos os acordos para o Médio Oriente. Mesmo sendo aliado dos EUA ele não pode ser prepotente e tem que cumprir os compromissos assumidos perante as altas Autoridades Internacionais, a fim de terminar as ações suicidas pelos palestinianos, que recorrem a este meio em virtude de não possuirem poder bélico capaz de enfrentar a pontentosa máquina de guerra de Israel.

Por outro lado, o Congresso Americano, que é composto em ambas as Câmaras por vários congressitas de origem judaica, deve reconhecer o tremendo erro que cometeram em 1995 ao assinarem uma Lei arcaica, desadquada e contraprudecente que autoriza os EUA a mudar a sua Embaixada de Telaviv para Jerusalém o que não faz qualquer sentido.

Os empresários milionários americanos de ascendência judaica devem, também, abster-se de enviar para Israel muitos milhões de dólares, o que nada contribui para a paz e estabilidade no Médio Oriente, e até à escala global.

Desejo sinceramente que o Ano Novo de 2018 mude as mentalidades dos políticos teimosos e irresponsáveis e que a Paz vença a Guerra!

Manuel Esteves - East Providence, RI