Notas soltas e ao acaso sobre as nossas prestimosas filarmónicas

 

NUM PAÍS ONDE, FREQUENTEMENTE, NÃO SE VALORIZA A CULTURA MUSICAL POPULAR, é justo e oportuno, salientar e destacar, o papel que as SOCIEDADES FILARMÓNICAS DOS AÇORES, desempenham, como manifestações, por excelência, no campo da expressão musical amadora. As BANDAS DE MÚSICA contemplam, formas de estar na vida, maneiras de passar o tempo, processos de alimentar e defender a cultura e o desenvolvimento intelectual, ao dispor e de acordo com as limitações das épocas e do tempo, verificando-se, em vários lugares, dezenas de pessoas, á noite, em pleno inverno, ensaiando o repor­tório com que irão atuar, no verão seguinte, nos vários tipos de festivais.

NOS “BONS VELHOS TEMPOS”, a Banda de Música, fazia parte do “património” da localidade, era peça integrante no viver das populações, da sua cultura e recreio.

EM ALGUMAS FREGUESIAS mais populosas, e nas vilas, haviam, por vezes, mais de que uma FILARMÓNICA. As BANDAS DE MÚSICA, não nasciam por “decreto”, mas sim, do interesse e vontade popular. Eram constituídas pela necessidade, querer e desejo das populações (associados e simpatizantes). Por isso, tinham altos e baixos, períodos de melhor fulgor e tempos de crise.

NAS FESTAS EM HONRA DO SEU ORAGO, a “banda” era necessária nos cortejos religiosos e nos arraiais festivos.

MUITOS SE LEMBRARÃO, de que era habitual, nos “toques de alvorada”, ser a “BANDA DE MÚSICA” a primeira a aparecer no “palco dos acontecimentos”, em desfile, com os seus garbosos “porta-estandartes” á frente, tocando os tradicionais ordinários, e convidando o público á sua indispensável participação.

A CIDADE DE PONTA DELGADA não fugiu à regra. Para espanto das “novas gerações” lembro, que em décadas passadas, fez parte, do património da cidade, DUAS BANDAS DE MÚSICA. A “RIVAL DAS MU­SAS” com sede na Rua Ernesto do Canto e a “UNIÃO FRATERNAL” na Rua Tavares de Resende, para satisfação dos seus inúmeros simpatizantes e do público em geral.

NAQUELAS PROMISSORAS ÉPOCAS e saudosos tempos, tinham as Filarmónicas as suas “aulas de música”, frequentadas por inúmeros jovens, contribuindo assim, para a formação musical de dezenas de futuros músicos. Normalmente o regente era escolhido entre os com­ponentes da Banda Militar, elementos profissionais de elevada categoria técnica, muitos deles artistas de fina sensibilidade artística.

ERA GRATIFICANTE, observar as sedes das Filarmónicas repletas de jovens tocadores, recrutados entre a população. Pescadores, trabalhadores do campo, mãos rudes de árduo trabalho. A cultura, mesmo popular, tem neles uma das suas expressões genuínas. A arte está ao alcance de todos.

A UMA “BANDA” CREDENCIADA eram ofe­recidas muitas participações. Durante o verão (época alta), nas festas religiosas efetuadas por toda a Ilha, nos impérios do Espirito Santo (arraiais e coroações) ou em concertos públicos. O ponto alto de qualquer Filar­mónica era a participação nas Grandes Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, quer incorporando-se na procissão, quer intervindo nos arraiais no Campo de São Francisco.

 

RECORDAÇÕES DOS VELHOS TEMPOS em que se vivia ao “som da corneta e do tambor”!!! Hoje é diferente. São “gritos”, “jogos de luzes”, “barulho e… “brincos nas orelhas”!!!!