Estados d’alma

 

1. – DEVEMOS TRAZER NO OLHAR A TRANQUILIDADE. Há sonhos grandes e sonhos pequenos? Apenas sonhos que nascem diariamente, a cada hora ou a cada minuto que se vive. Sem o perce­bermos, um sonho nasce dentro de nós. Sonhos que nos motivem a viver, a continuarmos o caminho. Na verdade, vivemos na procura da realização dos nossos sonhos. Às vezes, pessoas que estão à nossa volta tentam matá-los com palavras pessimistas e actos menos dignos socialmente. Acham que, se não podem realizar os seus sonhos, também os outros não merecem realizar os seus. Puro egoísmo. Muitas vezes, um pouco cansados, pensamos que jamais conseguiremos realizá-los, que estão muito distantes de nós ou pensam que não mere­cemos, porque somos “ninguém”. Se não acreditare­mos, perdemo-los. Temos de retirar da arca os sonhos, caso contrário envelhecem e, desse modo, jamais conseguiremos realizá-los. A sua realização vem pela luta, pelo esforço e pela persistência.

FAZER O CAMINHO AO LADO DAS PES­SOAS, que nos motivam a continuar a sonhar e a persistir nos nossos sonhos, é muito importante. É um passo para a sua realização. Mesmo que “tudo” leve a pensar que parece impossível, não devemos desistir do nosso sonho, procurando forças no mais recôndito do nosso ser, acreditando que tudo pode acontecer quando o desejamos desde bem fundo de nós. Há uma passagem na Bíblia que diz: “Tudo posso naquele que me fortalece. Tudo, não apenas algumas coisas”. O que é necessário é acreditar na beleza dos nossos sonhos e na capacidade de os podermos transformar em reali­dade. Somos capazes, devemos sonhar sempre, e pode­mos dizer um dia que, apesar de todos os percalços encontrados pelo caminho, conseguimos vencer. E saibamos também perdoar, porque o perdão é a cura das memórias, a assepsia da alma. É uma necessidade vital e uma condição indispensável para podermos ter uma vida em paz, que nos permita continuar a lutar pelos nossos sonhos.

2. - NAS ASAS DO “AÇOR” – SONHA-SE O PARAÍSO. Ele existe. Basta conhecer e visitar os AÇORES para confirmar tal realidade. Visitando o Arquipélago ficamos subjugados pela magnificência das paisagens. Anda-se sem medo, por entre as assustadoras fumarelas, levando-se instintivamente a mão à terra para comprovar que está quente mesmo. Come-se o inesque­cível “cozido” e roem-se as deliciosas maçarocas cozi­nhadas no borbulhão da lava. O açoriano é um povo que traz no olhar a tranquilidade de quem ganhou a terra prometida, porque, é ali que encontra, no negro das rochas, o branco que procura. Porque é no verde das pastagens, que lança a esperança que precisa. Porque é no azul dos azuis que mergulha o medo que o atormen­ta, e é nas asas do “AÇOR” que voa o sonho que o alimenta.

POVO QUE APRENDEU, AO LONGO DOS TEM­POS, A CONVIVER, naturalmente, com o horror do sismo, que pode acontecer, com a memória do acordar dos vulcões, mas, nem por isso, perde a tranquilidade e a doçura do olhar.

OS CAMPOS DE CULTIVO, SÃO JARDINS FLORIDOS; por isso, quando se come o produto da terra, entre tanta beleza criado, é á alma que se mata a fome, que de amor andamos esfomeados, e as cores que o AÇOR transporta em suas asas em flor, são as hortên­sias à beira do caminho, a enfeitar o olhar de quem lá passa. Palmilhando a terra chegamos sempre á beira de uma nova surpresa, por vezes esmagadora. Ou á profundidade misteriosa de uma lagoa colorida que nos leva a mergulhar, no eco do seu silêncio, onde se perde a noção do tempo e das distâncias. Ou a um campo primorosamente retalhado e de contornos floridos.

E, QUEM SABE, TALVEZ POR ISSO, AS VACAS NASÇAM, vivam e morram ao relento, dentro do mesmo serrado, para não perderem de vista a paisagem deslumbrante!

A generosidade de Deus, nestes pedaços de terra, foi cumprida, e o ilhéu, reconhecido, agradece, enfeitando, aqui e ali, lindas Igrejas dedicadas a Nossa Senhora e enaltecendo o culto do Divino Espirito Santo.