O nosso planeta está doente!

Em Junho...
Os três Santos Populares…
Todos santos são lembrados,
Nos seus dias recordados
E seus devotos conforta.
Mas, os de mais devoção,
Santo António, São João,
São Pedro, que fecha a porta!…

São os Santos Populares,
Festejados em altares,
Romarias, procissões.
Com danças regionais,
Bem vestidas aos casais,
Com arquinhos e balões!

São três Santos de folia,
Cada qual no seu dia,
O povo se manifesta.
É em Junho, folgazão,
Santo António e São João,
E São Pedro, sempre em festa!…

Santo António, é de Lisboa,
Se bem qu’ alguém apregoa
Qu’é de Pádua, no entanto,
Seja qual for o intento,
Nada muda o nascimento
Ao portuguesíssimo Santo!…

Santo António, é o primeiro,
Também o mais milagreiro,
Em  Amor e mexerico.
As moças, sem namorado,
Trazem o Santo amarrado,
Exigindo um namorico.

O pobre Santo coitado
Leva uma vida amarrado,
Sempre numa dobadoira
Ora atado com um cordão,
Ou fita de gorgorão,
Pela moça casadoira!

São João, por sua vez,
Não é Santo ortuguês,
Mas, o mundo todo o ama.
Não sabemos na verdade,
Sua nacionalidade,
Também ninguém a reclama!

O antecessor de Jesus,
Também teve a sua cruz,
O Filho do Zacarias,
Foi decapitado até, 
Pedido por Salomé,
Em trinta e um, dos seus dias.

João, o batizador,
Batizava o pecador
Com água, para que o povo
Após o seur batizado,
Fosse temente ao pecado,
Pudesse Nascer de Novo!…

Muitos anos se passaram,
Em que o Santo festejaram,
De mil feitios e maneiras,
Não sabemos o senão,
O porquê d’em São João,
Se acenderem fogueiras!…

São Miguel, na Vila Franca,
Ai a festa desbanca,
Com danças, numa euforia.
Rapazes e raparigas,
Arcos, balões e cantigas,
Música e muita alegria!

E as sortes, já tão antigas,
Rapazes e raparigas,
As vão deitar ao sereno.
E a fava, nua ou torrada,
Debaixo da almofada,
Ou o tremoço pequeno!…

A água de São  João,
Com cheirinho a hortelão,
Luiza, cedreira e flores,
Em que se lavava a cara.
E o copo com a clara,
Com castelos e vapores!…

Mas, lá na nossa Terceira, 
Festejam à sua maneira,
Dando ao povo Boas Vindas.
Com suas célebres toiradas,
Umas pomposas paradas
De ano p’ ra ano mais lindas!…

Nem só nestas duas Ilhas,
Se contam as maravilhas 
Na rua, igrejas, ou lares.
Do Corvo, a Santa Maria,
Festejam com euforia 
Os três Santos Populares!…

Quanto ao nosso Continente,
Os Santos, p’ rá sua gente,
Creio que dobra as Insulares,
Ninguém lá mais cala o bico,
Tudo cheira a manjerico,
Nas marchinhas populares!…

P’ ra vos dizer a verdade,
Na nossa comunidade,N
Os festejos são reduzidos,
Por aqui, pois que se veja, 
Festas fora dqa Igreja,
Já anda meio esquecido!…

 

P.S.

Armei p’ raqui um entrave
E o Santo que tem a chave,
Não entrou na romaria,
Quando seria o primeiro,
Por ser Ele o Padroeiro
Lá da minha freguesia!…

são Pedro, o Galileu,
Diz ter as chaves do Céu,
Da porte para o Eterno.
Pois, quem levar vida torta,
Ele, é quem lhe fecha a porta,
E, manda-lhe para o Inferno!…

Nos Açores, se festeja,
São Pedro, nem só na Igreja,
Por toda a parte, a granel.
Onde a festa mais se expande,
Na linda Ribeira Grande,
Cidade de São Miguel!

Umas festas engraçadas,
Em que entra as Cavalhadas,
Trajes de solenidade,
O rei, pajens e seus guias,
E o discurso em poesias,
Que deita Sua Majestade!

Cavalos,muito enfeitados,
O rei, com os seus bordados,
Chapéu de bico e espada.
É ver com que presunção
Cumpre o rei sua função,
Na frente da cavalgada!…

Se bem que em Ponta Delgada,
A festa é mais reservada,
Em esplanadas, salões,
Mas não deixa, todavia,
De ter a mesma alegria,
Com as suas distrações!…

Que saudades senhores
Destas festas nos Açores,
Tão bonitas, tão singelas.
Simbolo duma cultura,
Que, nem riqwuesa ou fartura,
Nos tira a ideia delas!…

 


No meu tempo, 
o Zé Povinho,
Mesmo pobre era alegrinho!...