O Carnaval do meu tempo uns noventa anos atrás!

 

Há 90 anos atrás,

Diferente do que hoje se faz,

Mas tinha a mesma alegria.

É uma Festa lembrada

Em certas nações, honrada

Por uns dias de euforia!…

 

Conhecemos, de certeza,

O Carnaval de Veneza,

Com sua fama cunhada.

É um grande festival 

De fama bem mundial,

Ainda hoje, bem falada!…

 

Lá no nosso Continente,

Cada vez mais excelente,

Cada ano aumentando.

E o povo se manifesta

Conforme pode, na festa,

Mas todos vão festejando!…

 

Na Madeira, atualmente,

A Festa, é bem diferente,

Fazem uma festa brilhante.

Com seus trajes coloridos

E motivos divertidos,

P’ró  turismo, cativantes!…

 

O Brasil, não há quem bata,

Suas vestes, a mulata,

E os seus carros históricos

O Mestre Sala, os tambores,

As rainhas, os cantores,

Pondo-nos todos eufóricos!…

 

Nos Açores, o Carnaval,

É uma Festa anual

Com festejos a granel.

Cheia de alegria e vida,

Festa, muito divertida

E longa, em São Miguel!…

 

Tradição já dos antigos,

Após o Dia de Amigos,

( Sempre num a quinta feira,) 

Vêm amigas e compadres,

Domingo magro e comadres,

Numa pura brincadeira!…

 

Mas, o que nos lembra mais,

São os três dias finais,

D’ um gozo piramidal.

Três dias de barafunda,

Domingo Gordo e Segunda

E Terça de Carnaval!…

 

Na quinta-feira precisa,

Cada qual confraterniza.

Os amigos, no seu Dia!

As amigas, tal e qual,

E, os outros em geral

Tem seu Dia de Folia!

 

Comem, bebem divertidos,

Amigos, todos unidos,

Nas ruas casas salões.

Com as belas petiscadas,

E também as mal- assadas,

As filhós e coscorões!.

 

À noite, era os serões,

Festas, bailes nos salões,

Expõem os seus costumes.

Cocotes e serpentinas

E, os rapazes nas meninas,

Usavam o lança perfumes!…

 

E nos dias mais lembrados,

Pelas ruas, mascarados,

Homens, mulheres e crianças,

E as danças regionais,

De cadarços e outras mais…

Que lindas aquelas danças!…

 

Correndo todo o local,

Ia o Rei Carnaval

Com a Raínha a seu lado,

Mantendo o seu personagem,

Dentro d’ uma carruagem,

Num coche improvisado!…

 

E, os assaltos combinados,

Onde íamos mascarados,

Às casas bem conhecidas,

Pouca despesa lhes dávamos

Porque todos nós levávamos

Desde de os docer às bebidas!…

 

Eram lindas, meus senhores,

As batalhas de flores,

No Campo de São Francisco.

Lá dentro, batalhas finas,

Limas, flores, serpentinas,

Mas, cä fora… Era o corisco!…

 

Ninguém entendia nada,

A seringa, a caldeirada,

E a lima de parafina.

Os ovos, de casca dura,

Saquinhas de serradura,

Ou de areia mais fina!…

 

Na terça-feira eram certas

As camionetas abertas,

Com bidões d’água e mangueira,

Andar por todas as bandas,

Esguichando p’ rás varandas,

A refrescar as sopeiras!…

 

E, lá pelas freguesias,

Brincavam naqueles dias,

A Maria mais o Zé,

Usando, além de alguns pós,

De farinha ou de narroz,

Fuligem da chaminé!…

 

À noite, no Coliseu,

Ou sala do Ateneu,

Havia, port sua vez

As danças, com gente em paca,

De colarinho e casaca

E laço, um quarto p’rás três!…

 

Isto, não era para a malta, 

Mas, somente a gente alta,

Dita “Alta Sociedade”

Dos que, após bem bebidos,

As mulheres e os maridos

Se trocavam à vontade!…

 

Quanto à malta, neste dia,

Tal e qual, se divertia,

Com entrada menos cara.

Gozando a noite fora,

Lá na Velha Promotora,

Ou sala do Santa Clara!…

 

Alguns salões, nas festanças,

Havia, entre suas danças,

Uns concursos pitorescos,

De crianças e casais,

Com trajes regionais,

E também carnavalescos!…

 

Também eram muito usados

Os bailes de mascarados,

Que depois, foram proibidos,

Porque ao usarem viseira

Faziam muita asneira,

Alguns casos atrevidos!

 

Nas danças, eram usados

Além de papéis picados,

As serpentinas bonitas,

Enquanto os pares dançavam

Rodavam e se enrolavam

Naquelas bonitas fitas!…

 

As festa se prolongava,

E só quando o sol raiava,

Se ponha um fim à Festa.

Bem regados de cerveja,

Ninguém entrava na Igreja,

Mas, tinha a cinza na testa!…

 

Algum, até se dizia,

Que a maré tanto enchia,

Dando ele cada lote,

Trazendo o grão na asa,

Só lembrava entrando em casa,

Da mulher no camarote!…

 

 

 

 

 

Eu sei que aconteceu

A alguns, 

no Coliseu!