Taxi Driver à solta em Washington

 

- Pedro L. Almeida

 

Na terça-feira, dia 08, horas antes de ficarmos a saber quem seria o próximo presidente dos EUA, um conhe­cido meu apanhou um Uber para se deslocar do aero­porto de Providence ao campus da Brown (uma viagem de cerca de 15 minutos). O motorista pergunta-lhe o que o trazia ali. Uma conferência na universidade. O ho­mem ao volante começa a cuspir no chão do próprio carro, repetindo “os seus amigos liberais, vem visitar os seus amigos liberais da universidade…”. Não creio que esta história tenha sido um caso isolado na noite de Terça-feira. Nem nas noites seguintes. E menos ainda daqui para a frente.

No momento atual, estamos todos a tentar encontrar uma explicação para aquilo que aconteceu. É certo que iremos passar muito tempo a tentar que tudo isto faça algum sentido. Mas não é de crer que uma só resposta seja capaz de iluminar completamente as causas que levaram à eleição do candidato Trump para presidente dos Estados Unidos da América. Hoje, as várias correntes que se posicionam no espectro democrata (das outras não falo, porque não consegui até agora encontrar uma coluna séria em defesa do candidato eleito) empenham-se acima de tudo em apurar culpados e inocentes, num esforço largamente inglório de encontrar um objecto de expiação a quem se possa apontar publicamente o dedo, e, com isso, aliviar um pouco o mal-estar que se faz sentir entre todos os que, vindos de uma ou de outra tendência liberal, se posicionavam no terreno oposto ao de Trump.

É possível agrupar os argumentos que têm vindo a ser acrescentados ao debate público em dois grandes grupos: os que culpam o partido democrata e os que cul­pam o eleitorado norte-americano. O primeiro destes grupos divide-se ainda em duas orientações distintas. Uma parte considerável insurge-se contra a incapacidade de mobilização do partido, evocando insuficiências ao nível da comunicação do programa (que alguns chamam “o populismo insuficiente” dos democratas), do alcance social das mensagens que foram sendo passadas durante a campanha, de uma certa acomodação a zonas de conforto ao nível do apoio das bases, e um afastamento gradual entre o partido democrata e as populações, que teria levado a um sentimento de “orfandade” e de falta de identificação com o partido da parte daqueles que constituiriam a sua base eleitoral natural. Outros apon­tam o dedo à candidata nomeada pelo partido, Hillary Clinton, vendo nela a causa fundamental dos resultados da última Terça-feira, e trazem para o debate argumentos como a sua baixa popularidade, a sua embaraçosa pro­ximidade a interesses económicos obscuros e à alta finan­ça de Wall Street, o seu histórico de votações no Senado, a sua conivência com políticas de intervenção militar no estrangeiro, ou ainda o rol de escândalos públicos em que esteve envolvida, mencionando ou não um possí­vel desfecho alternativo caso o candidato eleito ti­vesse sido Bernie Sanders. O segundo grande grupo vê o resultado eleitoral como sintoma de mudanças na men­talidade do eleitorado, e identifica o racismo de grupos de homens brancos do sector não qualificado (blue collars), a crescente xenofobia, a misoginia que não toleraria uma presidente mulher, e, de uma forma geral, uma adesão a um fundo de valores altamente conserva­dor (branco, cristão, pró-armas, anti-aborto, e tradicio­na­lista), que até recentemente se encontrava reduzido a bolsas no Sul e no Midwest) como explicação para a eleição de um candidato como Donald Trump.

Mais uma vez, não espero que uma destas razões ilumine por completo o resultado. O mais certo é que, de diversos modos, todas tenham desempenhado um papel no processo que conduziu à presidência um can­didato que, há menos de um ano, era tido como a piada política da década, e reduzido a uma expressão de insa­tisfação com o sistema estritamente inconsequente. A equação de apuramento de responsabilidades não é, de todo, tarefa fácil, até porque, bem vistas as coisas, Hillary Clinton ganhou no voto popular, e só um sistema arcaico de “colégio eleitoral”, baseado na realidade do século XVIII, permite que seja outro o candidato eleito para a Casa Branca. Sem querer acrescentar mais razões para o resultado (o que me parece neste momento supér­fluo), talvez valha a pena procurar interpretar algumas particularidades das reacções que, de um lado e de outro, procuram trazer algum sentido aos números e aos gráficos.

Logo no rescaldo do resultado, o sentido do voto foi dissecado em espectros raciais, de sexo, origem geográfica, estado civil, escolaridade, orientação sexual, idade, entre outros. O processo de identificação de culpados seguiu este padrão, tendo apurado como menos responsáveis pelo resultado as mulheres negras, e como altamente culpáveis, não sem surpresa, as mulheres brancas de meia-idade. Os exercícios de geometria da culpa multiplicaram-se, explorando todas as combinatórias possíveis destes factores, desembocando quase sempre na constatação de que jovens, latinos, negros e LGBTQ rejeitaram maci­çamente Donald Trump, enquanto brancos, de baixo ou médio rendimento e baixa escolaridade respondem maioritariamente pelo resultado da eleição. De resto, já du­rante a campanha (com a eventual excepção das se­manas finais) os democratas haviam conotado o perfil público das suas fileiras com jovens urbanos, altamente escolarizados, racialmente diversos, e com elevados níveis de identificação com as chamadas “minorias”.      

Para alguém que, como eu, se habituou a um espectro de partidos de esquerda cuja pedra-de-toque é o conceito de “massas” — nas várias formulações que essa ideia adquiriu desde a Revolução Francesa, do “povo” aos “cida­dãos”, passando pelas noções de proletariado, trabalha­dores, bases, etc — estranha-se, desde logo, que a esquerda norte-americana tenha como núcleo de significação política e intervenção social a ideia de “minorias”. E se é verdade que uma não colide necessariamente com a outra, não se pode negar que o convívio entre massas e minorias como fonte de legitimação da representatividade produz tensões dificilmente sanáveis no quadro de uma eleição de alcance nacional para quem quer que seja o líder do partido democrata. Vale dizer, de resto que por esta altura este não é um assunto exclusivamente norte-americano, como demonstrou o voto no Brexit, as tendências xenó­fobas da Hungria de Viktor Orban, ou as tensões sociais em França com a comunidade muçulmana, cujas conse­quências políticas todos já antevemos no horizonte. Mas também importa referir que o facto de o conceito de “minoria” assumir uma saliência pública na esquerda norte-americana que não adquire provavelmente em ne­nhuma outra parte do mundo não quer dizer que as mino­rias tenham aqui uma existência política mais firmemente garantida, ou que se encontrem mais ameaçadas em geo­grafias onde não é esse o pilar da gramática política da esquerda. Dito de outro modo: não existe uma relação de proporcionalidade directa entre o lugar que cabe à mobi­lização política do conceito de “minorias” e a sua efectiva representatividade política, traduzida em maior integra­ção, e na crescente igualdade entre as “minoriais” e “o resto”. Se houvesse ainda dúvidas acerca disto, o resultado de Terça-feira passada tratou de as liquidar.   

Mas nada disto é particularmente novo. Haverá antes aqui um diálogo com um processo histórico de aversão a análises sociais transversais (conotadas com ideias socia­listas), e de dissolução da ideia de classes nos EUA, ideia da qual os únicos sobreviventes são hoje os sindicatos. A consequência mais acabada deste processo será por­ventura a noção de “classismo”, já perfeitamente integrada no glossário académico, que postula que a divisão dos ci­dadãos por rendimentos resulta numa forma de precon­ceito (a par, e lado a lado, com o racismo, sexismo, homo­fobia, e outros ismos com que partilha o sufixo). A subs­tituição de uma interpretação da sociedade desde factores económicos por uma outra, verticalizada, e focalizada a partir da ideia de “identidades” é simples­mente o sub­produto académico destas transformações (e não o con­trário, como poderá parecer a alguns). 

As reações que se têm feito sentir ao longo dos últimos dias, de ambos os lados, parecem confirmar o alargamento do fosso existente entre os que votaram no candidato Trump e os que votaram na candidata Clinton. Logo nas primeiras horas multiplicaram-se as manifestações anóni­mas de ódio, dando corpo ao subconsciente virulento da campanha de Trump, como a pintura de muros com men­sagens racistas, a ocorrência de assédio e insultos xenó­fobos nas ruas, o aumento imediato de visibilidade de grupos de extrema direita com programas de matriz fascizante, entre outras manifestações do que já chamam “whitelash” (um trocadilho com “backlash” e “white”). Por outro lado, multiplicaram-se também as declarações (como tudo, nas redes sociais) de que este presidente “não os representa”, as manifestações nas ruas de repúdio do resultado, e várias universidades liberais (entre elas algumas Ivy Leagues e outras escolas de elite) já vieram solicitar que o seu campus seja declarado “santuário” para os alunos, a fim de ficarem a salvo da entrada de agentes de imigração, caso seja colocado em prática o plano de deportação que foi apresentado por Trump na campanha. Não nos enganemos: nem todos os eleitores de Trump subscrevem condutas criminosas, discursos de ódio, e manifestações de abjecção, assim como nem todos os eleitores de Clinton defendem a secessão do seu Estado (ou da sua escola ou local de trabalho) do resto do país. Mas ações como estas revelam a extensão do fosso que separa os vários grupos, e explicam, melhor do que qualquer comentador, os resultados de Terça-feira. Não creio, pessoalmente, que se possa aceitar qual­quer espécie de “equivalência moral” entre as acções — a meu ver, de um lado são legítimas acções de defesa (ainda quando de eficácia muito discutível, e ainda quando, no fundo, percebemos que têm uma função essencialmente de catarse colectiva), do outro, ataques que uma democracia não se pode permitir tolerar. Mas explicam por que chegámos até aqui, e dão uma ideia, ainda que vaga, de dois países, que talvez nunca tenham estado tão incomunicáveis, embora vivam lado a lado. 

A ausência de uma visão de todo, de uma narrativa que não decorra de um processo de exclusões, e que assente numa visão inclusiva e decorrente de uma iden­tificação positiva cria um espaço vazio onde se instalam narrativas perigosas como a que venceu as eleições. Levou a processos de isolamento dos dois lados em dis­puta, e, no limite, a uma total incomunicabilidade que ficou bem clara em jantares de família e locais de encontro de amigos por todo o país. Os dois blocos passaram a definir-se pelo ódio ao adversário, e queima­ram as pontes de diálogo que permitiam, até aqui, um convívio mais ou menos pacífico entre a esquerda pro­gressista e a direita conservadora. Os liberais pensaram (e eu também) que depois de 8 de Setembro Hillary seria presidente, e nunca mais teríamos de voltar ao assunto, e, portanto, seria apenas uma questão de esperar mais algum tempo até que o tema ficasse definitivamente enterrado. Os conservadores (imagino eu) terão pensado que uma derrota (provável) não os iria afectar mais do que já afectara assumirem publicamente o seu alinha­mento com Trump (vale recordar aqui, a propósito disto e daqueles votos inconfessáveis que nem o marido saberá jamais, que todos fomos, eu incluído, uma espécie de bullies durante alguns meses de quem se atrevesse a dizer que iria votar no tal senhor).

No genial “Taxi Driver”, de Martin Scorsese, o declí­nio de Travis não é uma consequência da sua instabi­lidade mental e do trauma de guerra, que o levam a ter dificuldades de adaptação à sociedade novaiorquina. Travis também não é apenas um produto da incompre­ensão dos outros (embora sofra com isso, como quando percebe que não pode levar uma jovem educada e de classe média a um filme pornográfico sueco como pro­grama de um primeiro encontro). Travis é o que sobra quando todos preferem ignorar o elefante na sala de estar. Ele é, paradoxalmente, um subproduto das cam­panhas políticas onde Betsy se empenha, e, ao mesmo tempo, o que essas campanhas se esforçam por não reconhecer. O motorista de táxi com um profundo ódio à “escumalha”, e que não cabe no discurso ortopédico dos partidos convencionais, pode não ser representativo de uma maioria desfavorecida. Pode até não ser tão desfavorecido quanto isso, e simplesmente não se dar conta dos muitos que estão abaixo de si. Mas a consciência de ser ele o alvo (nunca confessado) de todos os ódios, o reverso de todos os brios, e aquele que, sem que nunca tal seja dito, todos preferiam que não existisse (“white trash” é um rótulo especialmente infeliz que engloba toda esta repulsão magnética), faz dele uma força de polarização enviesada do campo: ele está sozinho, contra todos os outros. Quando é assim, não pode acabar bem.

Num país que se vê de novo confrontado com os seus próprios fantasmas, vale a pena lembrar que tudo isso nunca deixou de estar aí. Talvez não dentro do campo de visão dos que escrevem na imprensa, talvez numa rua atrás da sua, num bairro diferente, num outro estado. Ou num país longínquo, em qualquer “recanto escuro do planeta”. Mas nunca deixou de estar aí. Enquanto esta consciência se adensa em todos nós, e enquanto reconhecemos a necessidade dos movimentos que sob o rótulo de “activismo” (como aqui são chamados, e em boa medida herdeiros do movimento dos Civil Rights dos anos 60) desempenham um papel político que na Europa é desempenhado (ainda) pelos partidos políticos mais à esquerda, parece-me importante reconhecer que algo tem vindo a falhar no modo como esses movimentos dão corpo a aspirações políticas de grandes sectores da população. Mais do que questionar a fundo a relação que se deseja entre “maiorias” e “minorias” — reflexão onde cabem muitos dos artigos publicados nos últimos dias a cilindrar o conceito de “white working class” — , e sem negar a necessidade dessa reflexão (que, já agora, deveria começar por esclarecer que coisa vêm a ser essas tais “minoriais” e “maiorias”, para além dos rótulos e dos chavões), os factos empurram a esquerda norte-americana numa direcção que ela parece não estar disposta a encarar de frente: um palco dividido entre alta política (realpolitik) e baixa política, onde aquela decide, sem obstrução, da gestão da coisa pública, aplicando um radical programa neoliberal, e esta encena transacções simbólicas ao nível dos valores, jogando com os cadernos reivindicativos das ditas “minorias”, capitalizando o descontentamento popular, e agenciando a mobilização (e desmobilização) dos sectores engajados da sociedade. Enquanto o nível inferior apela a políticas identitárias, galvaniza estados emocionais colectivos, organiza a intervenção política dos sectores intelectuais e ocupa quase a totalidade do espaço mediático (incluindo aqui, com lugar de destaque, as redes sociais), a realpolitik segue de modo discreto o seu rumo, sem fazer grande alarde. O poder executivo manipula habilmente o equilíbrio entre ambas, fazendo as concessões necessárias na política identitária para que continue sendo possível, sem resistência, implementar um programa de desarticulação do welfare state e servir de bandeja aos grandes interesses económicos e financeiros o monopólio da gestão da economia.       

Para compreender a eficácia desta disposição, basta abrir um qualquer dos jornais online de maior alcance hoje entre os progressistas americanos (o que equivale ao maior número de partilhas nas redes sociais): da New Yorker ao Huffington Post, da Slate ao Mother Jones, o tom é unânime — todos se concentram (e bem) na denúncia do racismo, da misoginia, da islamofobia, da transfobia, e de outros -ismos e -fobias de Trump, enquanto o seu plano para desregulamentar por completo a economia, a política salarial, a liquidação fiscal para empresas, e a destruição das estruturas de organização de trabalhadores não passam, na melhor das hipóteses, de notas de rodapé aos artigos.  

Hoje (Quarta-feira, 16 de Novembro) assisti à primeira grande manifestação de estudantes no campus da Brown pós-eleições. Após uma marcha acompanhada por palavras de ordem e cartazes com mensagens repudiando o racismo no campus, a ideologia de “supremacia branca”, a discriminação de alunos LGBTQ+ e a cultura de estupro, os organizadores da marcha organizaram um comício de microfone aberto, convidando todos os que o desejassem fazer a tomar a palavra, usando o megafone da organização. Sucederam-se as intervenções, variando no tom, no conteúdo e no formato, desde discursos elaborados acerca do “racismo estrutural” e da alegada conivência da administração da universidade, às intervenções de menos de dez palavras, onde nem sempre os oradores conseguiram conter as emoções. Em comum, todas as intervenções apresentavam o mesmo tom marcadamente pessoal, centrando-se no testemunho de um aluno sobre o seu sentimento como membro de um grupo identitário com o qual se identifica. O alvo das intervenções era — e alguns tornaram isso explícito — o “tio misógino” com quem irão passar o Dia de Acção de Graças, a “avó homofóbica” que irão visitar no fim de semana, o “colega intolerante [bigot]” que diz algo estúpido, ou o “amigo da família” racista que votou no Trump e que vai estar lá em casa no próximo Domingo. De repente, o objecto do ódio tem um rosto, um nome, é identificável na rua, é acessível, e até vai lá a casa. É fácil perceber o apelo que exerce esta possibilidade sobre quem se sente frustrado hoje. Eu próprio, que cresci resignado à ideia de que os inimigos de um mundo mais justo e de uma sociedade menos desigual, aqueles que lucravam com a injustiça e a ignorância, e cujos interesses específicos o sistema capitalista servia desde sempre não estavam na minha lista telefónica, e provavelmente nunca partilhariam comigo uma mesma sala de jantar, consigo apenas imaginar o fascínio despertado pela possibilidade de uma transformação do mundo ao alcance de um jantar de família, uma pequena discussão, ou um post no Facebook.

Um campo político organizado deste modo produz consequências de compreensão difícil para quem esteja habituado a outro tipo de formulações. Num primeiro momento, torna-se óbvio que os assuntos em discussão convocam uma reacção fortemente emotiva, afastando-nos do paradigma mais cerebral (calculista, dirão alguns, e não serei eu quem dirá o contrário) que era o dominante desde o pós-guerra na Europa e que vigorou enquanto era possível identificar dois blocos geopolíticos antagónicos. Aqui, não se trata tanto de trocar argumentos, porque os elementos estão colocados desde sempre de uma forma tal que não se trata de ter ou não ter razão (ou tê-la em maior ou menor quantidade sequer), mas de reconhecer ou de não reconhecer o que o outro diz do adversário. Em outras palavras: não há exactamente um “debate político” possível. E, não havendo, também não há uma linguagem que permita denunciar o jogo do outro. Por outro lado, estamos cada vez mais de acordo com aqueles que pensam como nós. Estamos violentamente de acordo com os nossos amigos, e já não vemos os outros, do lado de lá da mesa. Não sei sequer se ainda é possível o diálogo. De um lado, como do outro, a escalada do tom afasta-nos a cada dia. No fim de contas, creio que se alguém sai beneficiado com tudo isto, são os que se escondem por detrás das cortinas e continuam a lucrar enquanto a política parece cada vez mais um horizonte utópico. Talvez este seja apenas o mais recente triunfo deles. Talvez seja o último estertor de uma racionalidade política que acreditava na possibilidade de mediação dos interesses e dos conflitos de grupos, e na superioridade moral da democracia. De uma forma ou de outra, se existe uma porta de saída desta sala de jantar, ela passa seguramente por encontrar aquilo que nos une, a nós que não temos uma torre na baixa de Manhattan, mais do que aquilo que nos separa.