Taça com champanhe

 


 
Desta vez a Taça de Portugal deu um ar da sua graça e causou alguns estragos nas equipas da I Liga, nomeadamente o Boavista, que ficou a ver navios e o Belenenses, que foi a Ponta Delgada levar no caneco de um Santa Clara apostado em regressar ao convívio dos grandes, deixando agora o “suspense” do sorteio na certeza de que os seus adeptos querem um dos três chamados grandes, de preferência o pai Benfica.
Claro que estes resultados um tanto inesperados deixam muita gente descontente como foi o caso dos adeptos do Boavista. Terminado o jogo frente à desconhecida formação do Vilaverdense, alguns mais alterados atiraram-se ao presidente Alvaro Braga Jr, e ao treinador Jorge Simão, que ainda há três semanas tinha sido levado ao colo no Estádio do Bessa depois da vitória de 2-1 sobre o Benfica. Jogo estreia do Simão, aquele que considero o maior “bluff” da bola nacional, ele que, mais dia menos dia, vai levar novamente com a tábua e desta talvez acabe mesmo a sua estranha intromissão num futebol com tanta promessa e tanto poder de escolha no seu ramo.
Mas do que quero falar mesmo é do meu querido Santa Clara, que anda na mó de cima acreditando muitos que está pronto para um regresso à I Liga. Oxalá que sim, digo eu, mas a verificar-se esse desejado regresso bom seria que os actuais dirigentes, que não conheço, tenham a sensatez de cortar com o passado de então, evitando posteriores desgostos e acumulação insustentável de dívidas, sabendo-se que o suporte maior da colectividade vem dos cofres do Governo Regional, logo, do bolso dos contribuintes, regionais e nacionais.
Sim, nacionais porque sem o patrão do continente não havia pão cozido, a não ser que os ainda sonhadores da independência acreditem que a exportação dos ananazes da Fajã de Baixo e o Maracujá do Ezequiel da Ribeira Grande seriam só po si o garante de uma economia robusta, mesmo contando com o reforço das cento e tantas vacas do meu amigo ganadeiro Joseph Medeiros, born in Bretanha, mas com residência fixa na pitoresca vila de Dartmouth.
Se já se esqueceram do que aconteceu, lembro por exemplo que a direcção de então fez tantas compras sem qualquer nexo, mormente a de um tal Amaral que jogou no Benfica e no Sporting e que chegou via Setúbal com uma lesão crónica. Assinou, jogou meia hora e o clube ficou com uma conta de milhares de euros para pagar um contrato que nunca deveria ter sido realizado.
Fez-se rodear de gente sem prestar, o meu Santa Clara, com maior saliencia para um vigarista que foi escorraçado da terra dele, entrou Açores via Terceira, e depois de vigarizar gente boa encontrou segurança, cama e mesa num Santa Clata de mãos abertas. O resultado foi catastrófico e ainda hoje aparecem por lá contas de tal bicho.
Não se pense que os negócios foram todos maus, mas até nos bons o Santa Clara clube ficou a ver a banda passar. Falo no caso do brasileiro Clayton que foi vendido ao F.C. do Porto (grande barrete!...) com um rendimento de 2 milhões de euros. Só que...
Só que o jogador tinha sido comprado com dinheiro emprestado por seis sócios e dirigentes do clube que depois arrecadaram para si todos os lucros da venda. Ora, se tinham emprestado o dinheiro, recebiam a respectiva quantia e o Santa Clara ficava com o lucrozinho. Que raio de amor ao clube, não é?
Por isso digo que a verificar-se um regresso ao convívio de um Deus maior seja feito com calma e cabecinha no seu lugar, como dizia a tia Mariquinhas do tio Agostinho Cabral, evitano-se assim erros do passado que em muito sujaram o nome de uma clectividade por onde passaram alguns dos mais sagrados nomes da bola regional, todos eles alegremente orgulhosos dessa raíz, desse saudoso passado.