Desencanto

 

 

Palavra de honra que tentei arranjar um argumento que me valesse a felicidade de partilhar com os meus amigos algo de bom. Uma frase, uma atitude, um gesto, algo que por mínimo que fosse e me levasse a pensar que valia a pena o seu destaque e consequente comparticipação com outros.

Sabem que falo do futebol português, não sabem?

Pois é. O que vi foi só misérias, a começar pelo clássico Porto-Benfica que terminou empatado sem golos, depois de uma hora e meia em que o tetra campeão nacional cometeu a singular proeza de fazer dois remates à baliza adversária.

E o Porto?

Também jogou muito pouco, pelo menos se comparável ao que tem vindo a jogar, e para trás ficaram queixas e quezílias à boa maneira do meu “country”.

Os portistas queixam-se de um golo mal anulado e de um braço à bola por parte de Luisão. Os especialistas da matéria escamotearam os lances e os do Benfica disseram logo que o golo foi anulado porque o Grimaldo foi “insanduichado” pelos dois grandalhões avançados do Porto e no lance de Luisão a bola foi ao braço e não braço à bola.

Problema resolvido? Não, porque os do Porto, nomeadamente o seu treinador, dizem que foi penalidade indiscutível e golo mal anulado.

E os do Benfica? Os do Benfica dizem que não, que foi tudo limpinho e que o árbitro até os prejudicou sobremaneira.

Então? Então foi a cacetada do Filipe, aos dez minutos de jogo, que, segundo a coisa e tal, dava para uma explusão direta, sem espinhas, rua com ele!

Depois aquele adepto do Porto que foi dar um pontapé no Pizzi. Cá por mim, que sou contra a violência, acertou em cheio no jogador certo, porque não joga coisíssima nenhuma e ainda ficou zangado por ter sido substituido. Ora bolas...

Mas, atenção, este burburinho começou porque um ditector do Benfica teve a infeliz ideia de pontapear a bola para fóra na tentativa de queimar tempo. Um acto anti-desportivo, inaceitável, absolutamente vergonhoso para mais tratando-se de um clube com a dimensão do Benfica. Sabem uma coisa? – se fosse presidente ou treinador do clube, o inteligente pontapeador não regressava a Lisboa no mesmo autocarro e no dia seguinte tinha as malas fóra da porta, como fez a Isabel Corina ao seu Antoninho que tinha passado a noite na casa, ou na cama, da gordinha, viúva do Mané Bezerra.

Se quiserem levar isto a nível nacional, não se esqueçam que em Aveiro um adepto da equipa da casa coçou a cabeça do “réferi” e em Coimbra, terra da universidade que treina os cérebros do país, deu para invasão de campo, pontapés, garrafas a esvoaçar e outras cenas eventualmente chocantes que chegam para envergonhar o mais desavergonhado dos delinquentes com assento na antiga prisão de Alcatraz.