HAJA SAÚDE
O ser supersticioso é bastante comum. Admita, leitor, que você em dada altura da sua vida acreditou ou acredita no poder das moedas da sorte, dos dedos cruzados, no toque na madeira, e outros rituais. Lembro-me de ver todas as fontes públicas em Roma cheias de pequenas moedas (incluindo muitos pennies americanos) – e confesso que também atirei uma moeda por cima do ombro para a Fonte de Trevi, para dar sorte e lá voltar – e o mesmo acontece em qualquer parte do mundo. Um inquérito recente feito a cerca de mil pessoas indicou que pelo menos 30% acredita piamente em superstições. Evita-se passar por debaixo de escadas, espelhos partidos e até cruzar o caminho de um gato preto.
Historicamente, parece que muitas destas superstições foram disseminadas pelo Império Romano, nas suas conquistas pela Europa, Médio Oriente e Norte de Africa, e depois espalhadas pelos Ingleses, Portugueses e Espanhóis por todo o mundo. Para muitos, estas crenças são levadas muito a sério, tendem a ser influenciadas por dentro e fora da família, mas tendem a diminuir com a idade. Quem tem mais de 65 anos tende a ser muito menos supersticioso.
Por outro lado, algumas superstições podem tornar-se fixas e imutáveis, deixando de ser um fenómeno benigno, e passando a ter um impacto desconfortável na vida diária.
Mais ainda, em casos patológicos, um indivíduo pode sofrer de obsessões, ou seja pensamentos ou preocupações desagradáveis que produzem um elevado grau de ansiedade. Em resposta a essas obsessões, estes indivíduos recorrem a comportamentos repetitivos, as chamadas compulsões, numa tentativa de diminuir o seu desconforto. Exemplos são a preocupação com a ordem das coisas, o posicionamento de objetos, etc, de modo a evitar um perigo imaginário.
Este é um problema clínico que pode ter uma gravidade considerável e que necessita de intervenção psiquiátrica, e não uma crença benigna supersticiosa sem demais consequências.
Além disso, a cultura prevalente pode ter maior ou menor tolerância sobre que é aceitavel ou não, o que conta na realidade é o impacto que qualquer crença tem na qualidade de vida de um individuo. Eu por mim espero ter a oportunidade de atirar mais uma moedinha a uma fonte em Roma.
Haja saúde!





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