O Sofrimento Secreto do Distúrbio de Ansiedade Social

by | Dec 31, 2025 | Haja Saúde

 

O Distúrbio de Ansiedade Social é um problema frequentemente subestimado e que se confunde com timidez ou má disposição temperamental. É muito mais do que isso, é um problema comum e potencialmente importante que acarreta um sofrimento silencioso e pode contribuir para depressão, subemprego e dificuldades em alcançar um potencial sócio-educacional. 

Este distúrbio é comum, pensa-se que é o terceiro problema psiquiátrico mais frequente, a seguir às doenças depressivas e de abuso de substâncias, com uma prevalência de 7 por cento da população nos Estados Unidos. Os mais educados e os casados são preponderantes, e este problema muitas vezes está associado ao alcoolismo ou abuso de drogas, possivelmente numa tentativa de diminuir o desconforto.

As manifestações dependem da idade. Nas crianças pode estar relacionada com recusa a ir para a escola, nos jovens pode interferir com dificuldades em fazer amizades ou namoros, e nos adultos muitas vezes manifesta-se por uma resposta exagerada a um prévio evento traumático.

O Distúrbio de Ansiedade Social está sempre em conjunto com situações sociais, com o medo de ser examinado negativamente nessas situações. No seu centro está a crença do doente que vai ser passado em escrutínio negativo, ou que vai ser ridicularizado. Isto pode ocorrer com ou sem experiência traumática prévia, e os medos poder vir a manifestar-se em diversos tipos de situações, causando múltiplos problemas na vida do indivíduo. Para este diagnóstico, o problema tem que ser de longa duração, de pelo menos 6 meses.

Tipicamente, o indivíduo afetado evita dentro do possível as situações que podem acarretar o risco de ridículo ou de crítica negativa e isto tem impacto no desempenho profissional, relacionamentos, etc. É importante o médico avaliar se o seu doente sofre de outras doenças ansiosas ou se abusa de substâncias, drogas ou álcool, ou se está deprimido.

O tratamento mais eficaz associa a psicoterapia cognitiva aos medicamentos. Contrariamente ao que o doente muitas vezes pede ao médico – os calmantes – o uso de antidepressivos como paroxetina ou sertralina são os que dão melhores resultados a longo prazo, e sem causar dependência, mas num mínimo de 4 a 6 semanas desde o início do tratamento. A psicoterapia cognitiva começa por exposição gradual às situações que o doente tenta a todo o custo evitar, enquanto se treina o pensamento em cognições positivas. A avaliação e despiste pelos técnicos de saúde deve ser bastante completo, pois feito o diagnóstico, o tratamento pode ser muito eficaz.

Haja saúde!

 

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