Morreu Ben Nighthorse Campbell, senador lusodescendente
Morreu Ben Nighthorse Campbell, ex-senador dos EUA e um orgulhoso nativo americano com costela portuguesa pelo lado materno. Contava 92 anos e faleceu de causas naturais dia 30 de dezembro.
Ben Campbell nasceu em Auburn, Califórnia, a 13 de abril de 1933. A mãe era Maria Vieira Fernandes, natural da ilha açoriana do Faial, e o pai era Albert Campbell, membro da tribo Cheyenne do Norte.
Os Cheyenne são povo indígena dos EUA dividido em duas nações reconhecidas pelo governo: os Cheyenne do Sul em Oklahoma e os Cheyenne do Norte em Montana, são cerca de 11.000 e mantêm a sua história e cultura vivas.
Quanto a Maria Vieira, chegou aos EUA aos seis anos de idade com a mãe, tendo desembarcado na Ilha Ellis, em New York. De acordo com Campbell vieram juntar-se ao seu avô materno, que tinha chegado algum tempo antes e já mudara o apelido familiar para Vierra.
A família Vierra estabeleceu-se na área de Sacramento, onde havia grande comunidade portuguesa. Mary Vierra contraiu tuberculose e deu entrada num hospital onde conheceu Albert Campbell, que estava internado com problemas de alcoolismo.
Mary e Albert casaram em 1929 e Ben Campbell nasceu em 1933. Devido ao alcoolismo do pai e à tuberculose da mãe, Ben e a irmã Alberta (que morreu num aparente suicídio aos 44 anos), passaram grande parte da infância em orfanatos.
Campbell frequentou a Placer High School, saindo em 1951 para se alistar na Força Aérea e foi destacado para a Coreia como polícia militar. Deixou a Força Aérea em 1953 e, regressado aos EUA, aproveitou o programa de benefícios para veteranos (G.I. Bill) para frequentar a Universidade Estadual de San Jose, graduando em 1957 com um bacharelato em educação física e belas-artes.
Ben Campbell reatou nessa altura ligações com a tribo do pai, os Cheyenne do Norte, recebeu o nome de Nighthorse como membro dos Blackhorse, a família do pai, e passaria a ser um dos 44 membros do Conselho de Chefes da tribo.
Ben conheceu a mulher, Linda, em 1966, quando trabalhavam no mesmo distrito escolar da Califórnia, onde ele lecionava educação física. Era também conhecido judoca, ganhara uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo (1963), participara nos Jogos Olímpicos de Tóquio (1964) e tornara-se treinador da seleção de judo dos EUA. A escola pediu-lhe que fizesse uma demonstração de judo para os professores e Linda inscreveu-se. Casaram alguns meses depois, estiveram casados 59 anos, tiveram dois filhos, Colin Campbell e Shanan Campbell, e quatro netos.
Quando era criança, aos 9 anos, Campbell começou a fazer joias achatando moedas nos carris da Southern Pacific Railway entre Reno e Sacramento e repescando bugigangas no aterro local para pendurar em colares. Aprimorou as suas técnicas na vida adulta e, além de professor de educação física, tornou-se um joalheiro premiado.
Em 1978, Ben e Linda compraram um rancho na reserva indígena de Southern Ute, perto da cidade de Ignacio, no sul do Colorado e onde criavam cavalos. Em 1983, Ben iniciou a carreira política como deputado estadual do Colorado. Concorreu em 1987 ao Congresso pelo 3º Distrito do Colorado e foi por fim senador dos EUA de 1993 a 2005.
Começou por pertencer ao Partido Democrático, mas em 1995 aderiu ao Partido Republicano por acreditar que os republicanos estavam a fazer mais pelos nativos americanos.
Tornou-se o primeiro nativo americano a presidir à Comissão de Assuntos Indígenas do Senado até ao fim do seu mandato, em 2005, e pertencia também ao Portuguese Congressional Caucus.
Ben Nighthorse Campbell era figura popular no Congresso por circular de mota em Washington e usar frequentemente botas e chapéu de cowboy, e por vezes o cocar, o chapéu de penas coloridas que simboliza a nobreza dos índios.
Durante anos, Campbell trabalhou para promover o Projeto Animas-La Plata, projeto federal perto de Durango para aumentar os recursos hidrícos das tribos na Bacia do Rio Colorado formando um lago a que seria dado o nome de Nighthorse.
Outro dos trabalhos em que Ben Nighthorse se empenhou foi o financiamento de coletes à prova de bala para a polícia, mas acima de tudo o que mais o orgulhava era ter conseguido a construção do Museu Nacional do Índio Americano no National Mall.
Depois de deixar Washington, trabalhou como lobista, fundando a sua própria empresa e fazendo lobby em nome da Associação de Jogos Indígenas, vivia no seu rancho, treinava cavalos e continuava um mestre joalheiro.
Acrescente-se que Ben Nighthorse Campbell nunca esqueceu as origens portuguesas e no seu gabinete no Senado tinha exposta uma típica bilha de leite dos Açores.
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Mamdani já é mayor de New York e já começaram os problemas
O socialista Zohran Mamdani, 34 anos, já é mayor de New York e até prestou juramento duas vezes. Às primeiras horas do dia 1 de janeiro, em cerimónia realizada numa antiga estação do metropolitano debaixo do City Hall e perante a procuradora-geral de New York, Letitia James, Mamdani prestou juramento e, uma vez que é muçulmano, colocou a mão sobre o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
Por volta das 13h00 do dia 1 de janeiro, voltou a prestar juramento desta vez em cerimónia pública no City Hall e perante um dos seus heróis políticos, o senador Bernie Sanders, seguindo-se uma festa de rua num troço da Broadway conhecido como “Canyon of Heroes”, onde o mayor de New York promove as suas paradas.
Mamdani inicia agora um dos trabalhos mais implacáveis da política americana e já começou a ter problemas. Alguns jornais revelaram que a mulher do novo mayor, Rama Duwaji, usava botas de luxo de 630 dólares na cerimónia de posse.
Por outro lado, Catherine da Costa, diretora de nomeações da cidade, teve de demitir-se devido a comentários antissemitas que fez no Twitter a 4 de janeiro de 2011, incluindo afirmações sobre “judeus gananciosos” e o corte de verbas para os “porcos” do Departamento da Polícia de New York (NYPD).
A Liga Antidifamação de New York e New Jersey exigiu explicações a Mamdani e o resultado foi a demissão de Catherine da Costa, que trabalhou para o mayor Bill de Blasio e foi apoiante de Zohran Mamdani desde que ele começou a corrida para mayor.
Quanto aos judeus, a própria Catherine diz que a sua opinião mudou radicalmente desde 2011, pois entretanto casou com o judeu Moses da Costa e é mãe de dois filhos judeus. Mas não lhe valeu de nada, está à procura de trabalho e ainda por cima tem de ouvir o marido.
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Happy Holidays versus Merry Christmas
Em tempos do politicamente correto e do apoio público à tolerância religiosa, desejar Feliz Natal (Merry Christmas, em inglês) tornou-se problemático nos Estados Unidos.
Os empregados de balcão de estabelecimentos como Macy’s e Walmart são instruídos para não cumprimentarem os clientes com o tradicional Feliz Natal e em vez disso usarem Boas Festas.
Na publicidade, são poucas as empresas que anunciam os seus produtos como bons presentes de Natal para não alienar os milhões de americanos que não são cristãos e, para conquistar consumidores de todas as religiões (ou de nenhuma delas), preferem apresentar os seus produtos como “presentes para o feriado” (holiday gifts) ou “presentes para estação” (season gifts).
Embora vendam produtos para o Natal, essas empresas evitam falar no Natal e, na mesma ordem de ideias, muitos americanos também preferem desejar aos familiares e amigos Happy Holidays ou Happy Season/Season’s Greetings em vez de Merry Christmas, alegadamente para respeitar pessoas de outras crenças ou sem crença.
O mais curioso é que o Natal é celebrado cada vez por mais pessoas independentemente do seu sentido religioso. De acordo com o Pew Research Center, 92% dos americanos de variadíssimas religiões celebram o Natal de alguma forma.
A preocupação de que desejar Feliz Natal possa ser ofensivo ou politicamente incorreto, levou Helena Dali, comissária maltesa da União Europeia, a sugerir em 2021 que se substituisse o desejar Feliz Natal por desejar “felizes festividades” e a proposta voltou a ser falada este ano, mas tudo isto é um tanto hipócrita.
O Macy’s não quer que o seu pessoal deseje Feliz Natal aos clientes, mas a sua parada de Thanksgiving continua a terminar com o Pai Natal.
Por outro lado, segundo sondagens, 74% dos americanos afirmaram preferir a saudação cristã tradicional de Feliz Natal e apenas 20% preferem Boas Festas. A preferência pelo termo Feliz Natal também é mais forte entre os canadianos, atingindo 81%.
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Presépio polémico
Um presépio montado na paróquia de Santa Susanna, em Dedham, Massachusetts, desencadeou uma disputa pública entre líderes religiosos e autoridades federais por exibir uma cena de Natal criticando as políticas de imigração dos Estados Unidos.
No centro do presépio, em vez das imagens do Menino Jesus, Maria e José, o presépio apresenta um cartaz com os dizeres “ICE was here” (ICE esteve aqui), sugerindo que a Sagrada Família teria sido levada por agentes de imigração.
O diretor interino do Departamento de Imigração (ICE), Todd Lyons, classificou o gesto como “absolutamente repugnante” e exigiu que a montagem fosse retirada. O arcebispo de Boston, cardeal D. Richard Henning, descartou-se dizendo que não tinha autorizado o presépio, mas o padre Josoma já adiantou que o Vaticano também exibe presépios temáticos que destacam questões sociais e o presépio da sua igreja não é diferente.
Aliás, nos presépios de outras igrejas dos EUA o Menino Jesus apareceu este ano com algemas ou envolto em mantas de emergência, simbolizando as detenções de imigrantes e a separação de famílias.
Por tudo isto o padre Josoma recusou remover a cena, mantendo que o presépio é uma forma de protesto legítima e histórica (remontando ao presépio original de São Francisco de Assis, que também já tinha um elemento de protesto simbólico).
Em anos anteriores, os presépios do padre Josoma já deram que falar, uma vez usou o presépio da sua igreja para comentar as alterações climáticas, o controlo de armas e até colocou o Menino Jesus numa jaula em 2018.
Este ano, a política governamental quanto à imigração afetou o Natal e uma piada em voga diz que este Natal só teve um rei mago. O ICE prendeu o preto e cancelou o visto do árabe.





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