Emigração portuguesa para a América

by | Apr 15, 2026 | Décima Ilha

 

Na crónica anterior conhecemos o essencial da emigração portuguesa para a Europa, com base no Atlas da Emigração Portuguesa editado pelo Observatório da Emigração, da autoria dos seus investigadores permanentes Rui Pena Pires, Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo e Carlota Moura-Veiga. A partir do mesmo estudo, vamos agora até à América, onde a emigração portuguesa é essencialmente açoriana, e acabaremos no resto do mundo.

 

BRASIL

Até finais dos anos 50 do século XX, o Brasil foi o principal destino da emigração portuguesa. A partir dos anos 60, a Europa substituiu a América como destino e os fluxos de portugueses para o Brasil tornaram-se residuais. Os emigrantes portugueses estão muito concentrados regionalmente: 83% vivem em São Paulo (64.228) e Rio de Janeiro (50.847), sendo residual a sua presença nos restantes 25 estados. O Brasil passou de destino da emigração portuguesa a (principal) origem da emigração para Portugal.

 

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Os EUA foram, ao longo do século XX, o segundo destino transatlântico da emigração portuguesa: no início do século, com um pico em 1920, entraram nos Estados Unidos mais de 140 mil portugueses; nas décadas de 60 e 70, mais de 175 mil. Desde então a emigração portuguesa para os EUA reduziu-se muito, sendo hoje inferior a mil entradas por ano. Nos Estados Unidos vive, por isso, uma população portuguesa ainda numerosa, da ordem das 160 mil pessoas, mas envelhecida e em declínio. A grande maioria dos emigrantes portugueses adquiriu a nacionalidade norte-americana (85%) e está muito concentrada regionalmente: 45% nos estados da Califórnia (337.671) e do Massachussetts (278.998). Em termos relativos, a sua presença é ainda significativa em pequenos estados, como Rhode Island (88.402), New Jersey (78.362), Connecticut (48.750) e Havai (47.730).

 

CANADÁ

A emigração para o Canadá tem uma história mais recente (1953) que as outras emigrações portuguesas transatlânticas. Os valores mais elevados de entradas de portugueses neste país ocorreram nos anos 60 e 70 do século passado, com um pico em 1974 (mais de 16 mil entradas). A maioria dos emigrantes portugueses no Canadá adquiriu a nacionalidade canadiana (mais de 80%). O grau de concentração é muito mais elevado no Ontário e, em particular, na área de Toronto, residindo nesta província quase três quartos dos emigrantes portugueses: 99.220 (74%). Outras províncias com importantes comunidades portuguesas são Quebeque (17.490) ou Colúmbia Britânica (8.110), além de Manitoba (4.000) e Alberta (4.000).

 

VENEZUELA

A Venezuela foi o quarto destino americano da emigração portuguesa. No início do século XXI, viviam neste país mais de 50 mil emigrantes portugueses; hoje, esse número será da ordem dos 30 mil, quer por redução dos fluxos de Portugal para a Venezuela, quer devido aos regressos e re-emigrações provocados pela crise venezuelana. 

 

ARGENTINA

A Argentina foi, também, num passado mais remoto, um destino migratório com alguma importância, embora menor, mas interrompido a partir dos anos 50. Hoje, são menos de sete mil os emigrantes portugueses a residir na Argentina, dos quais dois terços têm idade superior a 65 anos.

 

EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA A ÁFRICA

A emigração portuguesa para a África deu-se, no essencial, nos anos 50 e 60 do século XX, no quadro do povoamento colonial, em especial de Angola e Moçambique. Merece ainda referência a emigração portuguesa para a África do Sul que, no entanto, se reduziu muito no pós-apartheid. Atualmente, os emigrantes portugueses em África estão, sobretudo, na África do Sul (11.861), Angola (5.292), Moçambique (4.549), Cabo Verde (2.050) e Congo (1.431).

 

EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA A ÁSIA E OCEANIA

A emigração portuguesa para Leste foi e é residual. Merecem apenas referência os destinos da Austrália (hoje com 18.380 emigrantes portugueses) e de Macau (com 2.213), o primeiro como prolongamento da emigração transatlântica para as Américas, o segundo como mais uma migração colonial. Há ainda pequenas populações portuguesas emigradas, com efetivos ligeiramente superiores às cinco centenas, em Hong-Kong, na Tailândia e no Japão.

 

Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores. Texto baseado no Atlas da Emigração Portuguesa, 2ª edição, produzida pelo Observatório da Emigração, em setembro de 2025.

 

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