Cantora e compositora açoriana Marisa Oliveira ao Portuguese Times: “Gostaria de atuar nas nossas comunidades da diáspora”

by | Apr 15, 2026 | Cultura, Notícias das comunidades

 

Marisa Oliveira é cantora e compositora açoriana, nascida em 1988 na ilha de São Miguel, Açores. Iniciou o seu percurso musical ainda em criança participando em concursos e integrando um grupo coral. 

Durante quase uma década foi vocalista da banda The Code, projeto que alcançou reconhecimento nacional e internacional. 

Dois dos seus temas integraram as telenovelas da SIC Espelho D’Água e Alma e Coração, e a banda foi distinguida nos International Portuguese Music Awards nas categorias de Vídeo do Ano, Canção do Ano e Melhor Tema Rock. 

Em 2019, participou no The Voice Portugal, chegando às Galas ao Vivo. 

Reconhecida pela sua voz grave e timbre inconfundível, Marisa Oliveira cruza na sua música pop, soul, funk, folk e rock, com influências e sonoridades latinas. 

 

“Comecei muito nova num grupo coral da minha paróquia, na Ajuda da Bretanha, com a minha voz muito grave e envolvi-me em diversos concursos de música que havia na altura na ilha e adorava aquilo… Recordo o meu avô dizer à minha mãe que eu tinha uma sensibilidade invulgar, “ouvido” para a música, embora não tenha uma formação musical teórica e o que sei hoje fui aprendendo ao longo dos tempos no palco com os meus colegas de banda”, começou por dizer ao PT Marisa Oliveira adiantando que sempre sentiu em si paixão pela música.

Aos quinze anos já integrava uma banda de heavy metal em São Miguel e depois mais tarde, com uma sonoridade diferente, mais na área de pop rock.

“A minha ida para o grupo The Code (a que já não pertenço) foi logo depois com uma sonoridade diferente e devo dizer que com este grupo foi uma aprendizagem muito importante para aquilo que hoje sou em todas as vertentes, musical, voz, forma de estar em palco e interação com o público, e para além disso o facto de ter integrado diversos concursos musicais na TV, nomeadamente o The Voice, permitiu valorizar-me neste ramo”, esclarece a nossa entrevistada, adiantando que alguns dos temas do grupo fizeram parte da banda sonora de várias telenovelas nacionais.

Durante mais de uma década esteve ligada ao The Code.

Mas surgiram outros desafios e uma nova direção no seu ramo artístico:

“Na realidade o que me levou a sair do grupo foi o facto de notar uma certa incompatibilidade de ideias, as coisas já não tinham aquela flexibilidade, fluidez e entusiasmo do início e então tive de tomar uma decisão e de me reinventar seguindo aquilo que realmente acreditava e quando saí do grupo tive a sorte de encontrar um grande músico, orquestrador e produtor, um guitarrista espanhol que vive na ilha do Pico, o Marcos Fernández, com quem trabalho hoje e todo esse trabalho é feito à distância… Estamos a criar algo muito sólido, nesta relação e cumplicidade musical e confesso que estou super satisfeita nesta fase da minha carreira musical e por ter encontrado um músico de excelência que é de facto o Marcos”, esclarece Marisa, adiantando que através dela o público açoriano está também a conhecer o nível de excelência musical de Marcos Fernández.

Desta “união” acontece a gravação de vários singles. O primeiro projeto, uma coletânea de quatro temas originais, “Pure Sessions”, com direção artística de ambos, nasce entre São Miguel e o Pico, apresentado ao público em abril do ano passado, em formato orgânico e simples: uma voz e uma guitarra incluindo os temas Céu Aberto, Sol, Deixa-me, Liberdade.

“A partir do lançamento destes temas sugeri ao Marcos a criação de um grupo musical, em outubro de 2025 para a sonoridade dos próximos temas e aqui surge o tema “Pés Descalços, um tema inspirado numa experiência amorosa que fala de humildade, de regressar à essência e de aceitar as imperfeições de cada um”, refere a nossa entrevista.

“Sol” foi o single que se seguiu, lançado em novembro de 2025.

“Trata-se de um tema muito pessoal e introspetivo, onde clama por Luz. O vídeo foi gravado nas cidades de Cairo e Luxor, no Egipto, destacando as suas paisagens deslumbrantes e um pôr do sol único e a colaboração de um ator, um amigo meu, num trabalho mais elaborado”, sublinha.

“O Mar Salgado” foi o trabalho que se seguiu, lançado no início deste ano e inspirado pelo mar. “Quis enaltecer as minhas raízes e o mar que me rodeia, trazendo uma mensagem de esperança e acredito que depois de cada tempestade vem sempre a bonança e a mudança”, salienta a nossa entrevistada, adiantando ser dotada de sentimento romântico e melancólico.

“Procrastinar”, o seu mais recente trabalho discográfico, é um tema divertido, enérgico e irreverente, uma sátira musical ao hábito de adiar. O tema cruza sonoridades de funk, rock e pop, mantendo também a presença da guitarra clássica que tem vindo a marcar a identidade do seu trabalho. Com humor e ironia, “Procrastinar” retrata o ciclo familiar de intenções, desculpas e listas de tarefas que ficam sempre por cumprir. 

Entre promessas adiadas e planos que ficam para depois, a canção brinca com uma realidade partilhada por todos: o tempo passa, o “amanhã” chega… e, muitas vezes, já é tarde de mais. 

“Quanto canto e me surge algo, automática e inconscientemente vem sempre ao meu criativo algo melancólico e dramático e grande parte das minhas músicas têm um peso mais dramático e com o último tema, Proscrastinar”, tive de fugir a essa tendência e uma forma de afirmar ao público que sei também fazer outras coisas diferentes noutros estilos e géneros musicais”, sublinha. A verdade é que com este tema Marisa revela também um lado mais descontraído, irónico e energético da sua escrita, contrastando com a atmosfera mais nostálgica presente em alguns dos seus trabalhos anteriores.

O que falta fazer?

“Tenho de continuar a acreditar na minha música, a manter-me inspirada e lutar contra muitas barreiras que possam surgir no meu percurso e gostava que algumas instituições, tanto no setor público como no privado, olhassem com mais seriedade e respeito para a cultura e para os seus intervenientes: músicos, produtores, cantores, poetas, etc…”, desabafa a jovem natural da Ajuda da Bretanha, ilha de São Miguel.

O próximo tema está já em elaboração, nesta parceria com Marcos Fernández.

Quanto à possibilidade de atuar nas comunidades da diáspora, Marisa afirma: “Gostava muito de chegar às nossas comunidades da diáspora. Já estive em Fall River, a atuar nas Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra e em edições dos International Portuguese Music Awards (IPMA) e seria um enorme gosto voltar a cantar para as nossas comunidades”, conclui Marisa Oliveira, que para além da música tem outra paixão: a doçaria. É proprietária de um estabelecimento no ramo.

 

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