O evento destaca os tempos áureos da Luso American Soccer Association, que foi considerada a melhor liga de futebol amador dos EUA
“Across The Atlantic, Onto The Field: The Story of Portuguese-American Soccer” dá título a uma conferência sobre o futebol de ligas amadoras portuguesas da Nova Inglaterra, designadamente a Luso American Soccer Association (LASA) que durante vários anos, nos estados de Massachusetts e Rhode Island reinou e ganhou relevância e impacto nas respetivas comunidades lusófonas. Efetivamente, a LASA chegou a ser considerada a melhor liga de futebol amador dos Estados Unidos, tal a qualidade não apenas do futebol praticado como a nível de organização.
O programa começa com sessão de boas vindas e apresentações, seguindo-se uma visão geral do futebol por estas paragens e um painel de debate constituído pelos antigos atletas Lúcio Santos, que jogou durante vários anos no Taunton Sports Club e posteriormente no Rhode Island Stingrays, da USSL entre 1993 e 1994, sendo ainda treinador do Stoughton High School e treinador adjunto do Stonehill College, treinador principal do Massasoit College. Viu o seu percurso ser reconhecido na New England Soccer Hall of Fame.
Carlos Medina, um dos mais categorizados futebolistas da LASA e que integrou o Portuguese American Athletic Club (PAAC) de New Bedford, residindo atualmente em Cabo Verde, fará parte do painel.
Yasmina Carvalho, antiga treinador da Bridgewater State University e antiga futebolista com uma carreira de grande nível, é outra das conferencistas.
Portuguese Times falou com o jornalista João Gonçalves, que apresentou a conferência na quinta-feira, 28 de maio, a partir das 6:00 da tarde no New Bedford Whaling Museum em New Bedford.
P. – Como surge a ideia e o que se pretende com esta iniciativa, sabendo que estamos, enfim, a pouco mais ou menos um mês do Campeonato do Mundo de Futebol aqui nos Estados Unidos e no Canadá e no México?
João Gonçalves – “Inicialmente, uma comissão de várias pessoas decidiram que seria interessante fazer qualquer coisa relacionado com isto para a altura da realização do Campeonato do Mundo aqui nos Estados Unidos, enfim referente ao futebol e a comunidade portuguesa, a importância que têm, etc. E eu inicialmente pensei que queriam que eu falasse sobre o crescimento e a expansão da capacidade do futebol português, porque nós somos um país relativamente pequeno, temos apenas dez milhões de habitantes e, no entanto, neste momento somos uma potência mundial a nível de futebol, em todos os aspetos, não apenas em termos de jogadores, em termos de equipas, pois também temos treinadores espalhados por todo o mundo e foi um crescimento realmente interessante, porque eu ainda me lembro do tempo em que nós celebrávamos o apuramento ou para um campeonato do Mundo, ou para um campeonato da Europa que era um feito excecional e agora já há muito tempo que participamos em todos os campeonatos do Mundo, campeonatos da Europa, desde os tempos do Carlos Queirós. Mas não era isso. A ideia deles não era necessariamente essa. Era sim, falar da importância do futebol. E eu lembrei-me dos clubes da nossa comunidade, como o Portuguese Sports, Académica, Taunton Sports, o Bristol Sports, o Clube Juventude Lusitana, o Faialense SC., etc, clubes que passaram a ser os centros sociais da nossa comunidade. As pessoas quando chegavam na década de sessenta não tinham muito para onde ir e então aos fins de semana juntavam-se principalmente nos clubes e estes começaram a apostar massivamente no futebol. Foi quando nasceu a LASA, que rapidamente transformou-se na liga amadora mais importante e mais impactante nos Estados Unidos. As pessoas ao fim de semana juntavam-se lá e depois os clubes também tinham uma certa identidade regional: havia clubes onde as pessoas eram principalmente do continente, outros clubes onde as pessoas eram dos Açores, principalmente de São Miguel. A LASA foi crescendo e devo dizer que nasceu como reação a certas injustiças que estavam a ser cometidas para com os nossos clubes, passando a ser oficialmente uma organização reconhecida a nível nacional e depois começou a expandir-se, designadamente quando os principais jogadores das universidades da nossa zona começaram a ouvir falar desta associação. Começaram a assistir aos jogos de futebol e aí nós expandimos e deixámos de ser apenas uma organização. A LASA deixou de ser apenas uma organização, com todos os seus clubes à portuguesa, fechada nas comunidades e passou a ser conhecida a nível nacional. Começou a ser seguida também e a receber cobertura nos órgãos de comunicação social desta zona da Nova Inglaterra. Aliás, o Standard-Times foi o primeiro a fazer a cobertura de forma regular, semanalmente sobre os jogos da LASA. Depois os outros jornais de várias outras cidades, como o Herald News em Fall River e até mesmo o Providence Journal, na sua edição destinada ao Sudeste da Nova Inglaterra, deu também algum espaço à LASA”, sublinha o jornalista João Gonçalves ao Portuguese Times, adiantando que a LASA ganhou ainda maior reconhecimento quando tinha sete árbitros de nível nacional a arbitrar jogos, como o famoso Vini Mauro, que chegou a arbitrar jogos do Campeonato do Mundo.
“Com o passar do tempo a LASA deixou de existir, mas o interessante que eu achei ao falarem comigo foi que as pessoas com quem eu falei, alguns dos quais lusodescendentes, não conheciam esta associação de futebol amador, não sabiam o que é que se tinha passado, não sabiam a importância que ela tinha tido”, esclarece Gonçalves adiantando ainda que muitos cabo-verdianos integraram várias equipas da LASA.
“A ideia desta conferência é acima de tudo trocar impressões, não apenas entre o apresentador e o painel, mas também entre todos os participantes, eventualmente alguns antigos jogadores e dirigentes a lançarem algumas ideias e temas e apresentar toda a variedade de questões para enriquecimento do diálogo”, esclarece João Gonçalves, que espera que esta iniciativa venha a revestir-se de êxito com um número razoável de público.
– O que esteve realmente na origem do fim da LASA?
“Há um conjunto de fatores que levaram ao fim da associação. Um foi, a meu ver, o fim da nossa emigração até meados dos anos 70 e nessas correntes migratórias vinham muitos jogadores à procura de uma vida melhor. Passados alguns anos as pessoas deixaram de vir e outro fator também que contribuiu para o fim da LASA é que o futebol a nível profissional também começou a ganhar força aqui nos Estados Unidos. Inicialmente, foi a American Soccer League, que teve um modelo que acabou por não ser sustentável e esse modelo era contratar grandes estrelas do futebol mundial, que vinham principalmente no fim das suas carreiras. E depois a American Soccer League, que também foi extinta. Entretanto surgiu a MLS e o futebol de Portugal transmitido pela TV e tudo isso acabou por ditar o fim da LASA”, confidencia João Gonçalves, que fez cobertura dos jogos da LASA para diversos órgãos de comunicação social americanos.
– F.R.





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