“Estou ansioso e feliz por poder atuar com a famosa Orquestra Sinfónica de New Bedford e na cidade onde nasci”
– Pedro da Silva, jovem guitarrista filho do antigo cônsul de Portugal em New Bedford, Francisco Henriques da Silva
A guitarra portuguesa assume protagonismo num concerto da New Bedford Symphony Orchestra a ter lugar sábado, 16 de maio, no Zeiterion Performing Arts Center em New Bedford.
Pedro Silva, um exímio executante da guitarra portuguesa, músico de formação clássica, natural de New Bedford e atualmente a residir em Manhattan, New York, vai executar números originais e outros do espólio do fado tradicional, num concerto em que a NBSO executa ainda a nona sinfonia de Beethoven.
“Nasci em New Bedford Bedford, mas não conheço muito bem a cidade porque deixei a cidade, juntamente com a minha família quando tinha apenas três anos de idade, contudo voltei várias vezes e até ganhei um prémio na edição de 2017 dos International Portuguese Music Awards, em New Bedford”, começa por dizer em entrevista telefónica ao Portuguese Times o jovem lusodescendente, cujos pais são de Lisboa. O pai desempenhou as funções de cônsul de Portugal em New Bedford: Francisco Henriques da Silva. “Estou por isso muito ansioso por regressar à cidade que me viu nascer e para um concerto com essa excelente orquestra”, sublinha Pedro da Silva, que aprofundou os seus conhecimentos e capacidades em Educação Musical.
“Vim estudar para New York quando tinha dezoito anos, tendo frequentado o Conservatório de Música, onde estudei guitarra clássica, e depois obtive o doutoramento em Composição. Só a partir daí é que despertou em mim o interesse pela música portuguesa: a minha mãe comprou uma guitarra portuguesa num antiquário muito interessante, muito antiga, de finais do século XIX, que tem uma cabeça de cão em vez de ter um caracol, uma lágrima em cima e confesso que não é o instrumento mais fácil de todos para tocar”, recorda o jovem lusodescendente, para adiantar: “Em 2003 três conheci por acaso uma senhora americana de origem irlandesa que tinha uma guitarra portuguesa do Grácio, portanto, João Pedro Grácio, Jr., de 1962. É de facto uma das melhores guitarras que existem”, esclarece Pedro da Silva para quem a sua grande referência como instrumentista da guitarra portuguesa é o saudoso Carlos Paredes.
“Considero que Carlos Paredes mudou a guitarra portuguesa para um instrumento verdadeiramente solista e um instrumento de concerto. Mas também há outros, como Alcino Frazão, que foi um guitarrista incrível também e é dos vivos e gosto imenso do José Manuel Neto, que é meu amigo há vários anos e ainda Custódio Castelo, que também conheço bem e outros”, afirma Pedro, que vem da área da música clássica.
“Sim, venho do mundo da música clássica e eu estou a fazer algo um bocadinho diferente a todos esses outros guitarristas: a compor um concerto para guitarra portuguesa e orquestra, ou seja, compus várias peças e o concerto de guitarra portuguesa e orquestra foi um primeiro concerto que foi gravado e, portanto, é uma coisa única”, esclarece o nosso entrevistado, que tem na sua casa uma coleção de 35 instrumentos de corda dedilhada, da família da guitarra e do alaúde, um instrumento de cordas dedilhadas com corpo em formato de meia pêra e costas abauladas, popular na Europa entre a Idade Média e o Barroco, com raízes no instrumento árabe oud.
“Tenho instrumentos de toda a parte do mundo. Os principais são a guitarra clássica, a guitarra portuguesa e o sitar da Índia, mas tenho também outros instrumentos portugueses, como a viola braguesa, o cavaquinho e tenho instrumentos de toda a parte do mundo”, confidencia-nos o guitarrista lusodescendente de New York.
Naturalmente que Pedro da Silva também tem acompanhado de música portuguesa o fado em particular assistindo a alguns concertos que em New York.
“Sim, sempre que posso vou a concertos de música portuguesa. Ainda o ano passado fui a um belo concerto de fado no Carneggie Hall em New York, e foi absolutamente maravilhoso”.
Tocar com a Orquestra Sinfónica de New Bedford é uma experiência nova para este músico e compositor de New Bedford, embora já tenha atuado com outras orquestras mas é a primeira vez que atua com a NBSO.
“Já atuei em concertos do género na Argentina e no Reino Unido mas nunca nos EUA e vai ser a estreia aqui… Vou tocar o meu concerto para guitarra portuguesa e orquestra em três andamentos, que é uma peça extremamente, extremamente difícil. Eu escrevi a peça, mas ao estudá-la estes dias, disse cá para mim: eh pá porque é que eu escrevi tão difícil? Mas como é basicamente o primeiro concerto de guitarra portuguesa e orquestra, eu queria verdadeiramente mostrar tudo o que pode fazer a guitarra portuguesa. Então usei muitas técnicas diferentes, vários sons diferentes e ao mesmo também sons que são típicos do fado e usando por exemplo a técnica de fado com dois dedos, que é polegar e indicador, mas também uso técnicas que vêm da guitarra clássica, do bandolim e uso até um slide, portanto, um slide nas cordas com um arco eletrónico que funciona milagrosamente bem com a guitarra portuguesa quando não funciona com os instrumentos acústicos”, esclarece Pedro da Silva, que vê cada vez mais jovens a aderirem ao fado, o que é muito positivo para a sua sobrevivência e projeção. “O fado, há aproximadamente uma década atrás, foi considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade e isso foi muito importante para o fado”, reconhece Pedro da Silva, que acha também positivo surgirem lusodescendentes aqui nos EUA a cantarem a música mais identificativa de Portugal.
Sobre o espetáculo deste sábado no renovado Zeiterion Performing Arts Center, o guitarrista lusodescendente afirma estar ansioso.
“Estou ansioso e com grandes expetativas e feliz porque os meus pais e a minha irmã vão marcar presença e voltar às minhas raízes é algo de extraordinário”, conclui Pedro da Silva, que vai atuar durante cerca de 25 minutos acompanhado pela New Bedford Symphony Orchestra.




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