A alma de um açoriano é um cofre de saudades

by | May 13, 2026 | Do Outro Lado do Atlântico

 

O “caminho” (existência) faz-se caminhando e percorrendo diferentes percursos com subidas e descidas!!

 

Já lá vão mais de 20 anos que abandonei, definitivamente, a Ilha de São Miguel, onde nasci e me fiz homem.

Na altura, da janela do avião, olhei para baixo e disse-lhe …. adeus!! Sempre que se diz adeus, morre um pássaro, a terra treme.

Vinha para o continente acompanhar a minha filha única que vivia em Gaia e trabalhava no Porto.

Os primeiros dias foram de adaptação. A partir daqueles primeiros dias  apercebi-me que tinha de encarar a terra “emprestada” como se fosse minha, olhando-a com amizade e procurando impregnar nela, a humidade e a simplicidade da minha Ilha. Viver num continente nada tem a ver com a vida numa ilha. 

O tempo foi passando, vieram os netos (três) e a adaptação tornou-se fácil. Vê-los crescer era uma alegria. Acompanhá-los à Escola, era uma missão que fazia com gosto. Hoje, passados estes anos, as duas netas já estão licenciadas e com mestrado. O neto está nos últimos anos do secundário.

O tempo passa velozmente e deixa riscos de saudade nos corações. Aqui tive de me adaptar a uma outra forma de viver, vivendo neste mundo com tanta gente,  mas ….. solidário.

O cheiro a enxofre, a maçaroca de milho cozido nas caldeiras das Furnas; o mar acinzentado da saudosa “Praia do Populo”, os “montes verdes” de abundantes criptomérias, os “lencóis” de pastagens verdejantes, as hortências floridas, espalhadas pelas bermas das estradas, e os momentos lá vividos, transformaram-me num homem nostálgico e saudosista.

Em suma, satisfeito e compensado com a atual situação, não deixo, por isso, de sonhar com a minha Ilha. A vida e bem efémera, a velhice vai chegando e, exatamente por isso, aproveitamos tudo o que nos possa tornar crianças, regressando ao passado, lembrando as estadias nos estabelecimentos de ensino, recordando velhos colegas, com a casa onde nasci e vivi, com a minha longa participação no “desporto micaelense”.

E assim se percorre a vida, construindo castelos que, ao longo da estrada da vida, se vão desvanecendo em verdadeiras nuvens de poeira!!!

 

0 Comments

Related Articles