O atirador responsável pelo massacre na Universidade Brown, em Providence, no dia 13 de dezembro de 2025, e, dois dias depois pelo assassinato de um professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, foi “motivado por um acumular de ressentimentos que foi recolhendo ao longo da vida” de acordo com um relatório divulgado pelo FBI.
O relatório, tornado público pelo FBI de Boston no dia 29 de abril, analisa o estado mental do português Cláudio Manuel Neves Valente e levanta teorias sobre possíveis motivações para os ataques. Os investigadores disseram que, no dia 13 de dezembro, Neves Valente abriu fogo numa sala de aulas no primeiro andar do edifício Barus and Holley da Faculdade de Engenharia da Universidade Brown, matando dois alunos (Elita Cook, 19 anos, natural do Alabama e Mukhammad Umurzokov, 18 anos, natural do Uzbequistão) e ferindo outros nove.
De seguida, conduziu um carro alugado até Brookline, onde matou um antigo colega do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, o dr. Nuno Loureiro, professor do MIT, no seu apartamento, no dia 16 de dezembro.
Nesse mesmo dia, mais tarde, Neves Valente viajou para New Hampshire. A polícia encontrou o seu corpo num armazém de Salem, New Hamsphire, no dia 18 de dezembro. O médico legista concluiu que Nunes Valente se suicidou a 16 de dezembro.
Os agentes do FBI recuperaram duas pistolas de 9 mm no local onde o corpo de Neves Valente foi encontrado no armazém de Salem. Ambas as armas foram submetidas a análises forenses e o FBI confirmou que foram utilizadas no tiroteio na Universidade de Brown e no assassinato do professor do MIT.
Os investigadores disseram que conseguiram identificar Neves Valente graças a um homem não identificado chamado “John”, que o viu a agir de forma suspeita perto do edifício Barus and Holley alguns dias antes do tiroteio fatal.
Ao longo da investigação, o relatório refere que os detetives recuperaram mais de 112 provas, seguiram 490 pistas, analisaram 11.000 ficheiros de imagens de vigilância, examinaram 815 vídeos e 1.327 ficheiros áudio encontrados nos dispositivos eletrónicos de Neves Valente e realizaram 260 entrevistas. O FBI concluiu que o cidadão português, de 48 anos, agiu sozinho e não tinha “qualquer ligação com o terrorismo”.
De acordo com o relatório do FBI, Neves Valente chegou pela primeira vez aos Estados Unidos com um visto de estudante em agosto de 2000 e frequentou a Universidade Brown depois de ter concluído um programa de física no Instituto Superior Técnico de Lisboa.
O FBI descobriu que Neves Valente se inscreveu num programa de doutoramento na Brown, mas desistiu em maio de 2001 e deixou os EUA.
Neves Valente regressou aos Estados Unidos em 2017 e obteve residência permanente em Miami, onde trabalhou algum tempo como motorista.
“Na altura dos tiroteios, Neves Valente estava desempregado e não tinha antecedentes criminais nem contatos documentados anteriores com a polícia”, refere o relatório.
O FBI observou que as duas pistolas de 9mm encontradas dentro do armazém junto do corpo de Neves Valente foram compradas legalmente por ele numa loja de penhores na Florida. Comprou a primeira pistola, que foi utilizada no tiroteio na Brown, em julho de 2020 e a segunda pistola, usada para matar Loureiro, em março de 2022. Parece também que Neves Valente começou a planear o ataque na Brown em 2022, quando alugou o armazém em Salem, onde começou a guardar as suas armas, de acordo com o relatório.
Neves Valente fez “uma série de gravações áudio e vídeos curtos” após os tiroteios, nos quais “não mostrou remorso”e não ofereceu qualquer motivo. O FBI analisou as provas recolhidas durante a investigação e determinou que os alvos de Neves Valente eram “de natureza simbólica”.
“A Universidade Brown como um todo e o dr. Loureiro representavam para o atirador as suas falhas pessoais e as injustiças que ele percebia terem sido infligidas por outros ao longo do tempo”, esclarece o relatório. “Ao atacá-los, Neves Valente conseguiu provavelmente superar a sua vergonha e inveja, usando a violência para punir as comunidades que ele percebia terem contribuído para a sua ruína”.




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