O diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade, sublinhou que a primeira missão da Casa dos Açores de Minas Gerais ao arquipélago representou um “instrumento decisivo de ligação entre os Açores e a diáspora açoriana no Brasil”, destacando o papel da instituição na “promoção de cooperação económica, cultural e institucional entre os dois territórios”.
Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, no âmbito da missão empresarial da Casa dos Açores de Minas Gerais aos Açores, realizada entre 20 e 24 de abril, e liderada por Claudio Motta, presidente da entidade mineira, José Andrade destacou o caráter inovador da iniciativa e a sua relevância para o reforço da rede das Casas dos Açores no mundo. Segundo apurámos, esta missão teve como objetivos “reforçar ligações económicas e institucionais entre Minas Gerais e o arquipélago, promover oportunidades de investimento, estimular contactos empresariais, realizar rondas de negócios e valorizar setores estratégicos como agroindústria, turismo, tecnologia, ambiente e comércio”.
O responsável começou por valorizar a dimensão e a dinâmica da nova estrutura, afirmando que “esta primeira missão empresarial de Minas Gerais aos Açores foi organizada pela Casa dos Açores de Minas Gerais”, acrescentando que “apesar de ser muito recente – fundada a 26 de julho de 2025 -, já é muito dinâmica e já fez prova de vida”.
José Andrade sublinhou também a composição da comitiva empresarial, explicando que a instituição “trouxe aos Açores pela primeira vez cerca de três dezenas de personalidades, algumas ligadas às empresas de diferentes setores, da agropecuária, dos laticínios, do turismo, do ambiente e do comércio”.
O diretor regional frisou que o principal objetivo da iniciativa passa por “criar ligações estruturadas entre os dois territórios”, afirmando que o propósito foi permitir que os participantes “conhecessem a realidade sociocultural e económica dos Açores, para poderem considerar eventuais formas de cooperação e de intercâmbio, porque se conjugarmos esforços, é mais fácil para todos”.
Neste sentido, José Andrade foi particularmente incisivo na defesa do papel das Casas dos Açores, sublinhando que “a primeira grande conclusão a tirar desta iniciativa é a de que vale a pena ter uma Casa dos Açores”.
O responsável acrescentou que estas estruturas funcionam como verdadeiras “plataformas de representação da Região Autónoma dos Açores”, defendendo que “infelizmente, nem toda a gente reconhece a devida importância e a utilidade que as Casas dos Açores desempenham no mundo, enquanto embaixadas socioculturais e económicas da região autónoma dos Açores junto das diferentes comunidades da diáspora açoriana”.
José Andrade destacou também o impacto direto da Casa dos Açores de Minas Gerais na concretização da missão, afirmando que foi essa estrutura que “permitiu a organização desta missão sociocultural e económica aos Açores”.
O diretor regional defendeu igualmente o potencial de retorno desta cooperação, sublinhando que “daqui resultarão certamente resultados concretos e retorno importante para a própria Região Autónoma dos Açores”, acrescentando que “só por isso já teria valido a pena ter esta Casa dos Açores em Minas Gerais”.
Andrade reforçou ainda a importância da expansão da rede, afirmando que “vale a pena seguramente ter vinte Casas dos Açores em vinte comunidades de seis países, com tendência para aumentar ainda mais essa nossa rede mundial”.
Sobre a ligação histórica entre os dois territórios, este governante lembrou que “Minas Gerais é um dos mais importantes estados do Brasil” e destacou a presença açoriana desde o século XVIII, referindo que “em 1723, os açorianos foram para Minas Gerais”.
Para o diretor regional, a Casa dos Açores mineira auxilia no resgate dessa memória, afirmando que a instituição “ajuda a fazer esse resgate, a conquistar essa consciência de que os açorianos deram um contributo importante para esse grande Estado do Brasil”.
José Andrade apontou ainda exemplos concretos dessa herança, referindo que essa presença se verifica “seja em Belo Horizonte, seja em outras cidades como Andrelândia”.
Relativamente a Andrelândia, Andrade recordou que a cidade é assim chamada porque foi fundada pelo André da Silveira, açoriano da ilha do Faial, sublinhando a ligação histórica entre o município e a cidade da Horta.
O responsável revelou ainda a possibilidade de novos desenvolvimentos institucionais, afirmando que “desta visita resultará certamente a possibilidade de uma geminação entre Andrelândia, em Minas Gerais, e a cidade da Horta, na ilha do Faial”.
José Andrade concluiu sublinhando o sentido estratégico da cooperação, afirmando que “somos ainda mais fortes porque trabalhamos juntos”, acrescentando que “estamos unidos pelo coração e por uma vontade comum de trabalhar em benefício mútuo”.
Programa da missão ajustado ao perfil da comitiva empresarial brasileira
No âmbito da organização da missão, José Andrade destacou também a preocupação em garantir um programa ajustado ao perfil da comitiva empresarial, sublinhando que houve uma articulação direta com a Casa dos Açores de Minas Gerais para estruturar a visita.
José Andrade referiu também que existe a intenção de alargar futuras deslocações a outras ilhas do arquipélago, afirmando que “a nossa vontade é que possam, em próximas visitas, visitar outras ilhas dos Açores”.
O diretor regional detalhou ainda o acompanhamento institucional da missão, sublinhando que, ao longo dos cinco dias de trabalho, foi dada prioridade ao contacto com diferentes setores estratégicos da Região Autónoma dos Açores.
“Em cinco dias de trabalho, de 20 a 24 de abril, tivemos a preocupação de que pudessem ter contactos com as pessoas certas”, referiu, acrescentando que a comitiva reuniu com responsáveis das áreas da economia, turismo, transportes, agricultura e alimentação.
José Andrade destacou ainda o caráter prático do programa, explicando que foram realizadas visitas a unidades industriais e infraestruturas regionais.
“Fizeram também visitas a fábricas de laticínios e ao Ecoparque da ilha de São Miguel, procurando exatamente afinidades comuns”, afirmou.
No final da missão, José Andrade destacou o impacto positivo da experiência, afirmando que “a sensação geral que reúno quando agora nos aproximamos do final da visita é de que eles estão muito entusiasmados com a possibilidade de poderem não apenas voltar aos Açores, nalguns casos até comprar casa nos Açores, mas também trabalhar com os Açores e trazer parte dos seus negócios para a região”, concluindo que esse movimento será mutuamente vantajoso.
“Isso vai ser bom para ambas as partes, vamos ficar ainda mais próximos e vamos ficar ainda mais ricos”, afirmou. O diretor regional concluiu que a missão reforçou os laços entre as duas regiões, comentando que “valeu a pena esta missão, porque ficamos ainda mais irmanados”, acrescentando que essa irmandade se projeta tanto no passado como no futuro.
“Irmanados pela história, mas irmanados hoje para o futuro”, finalizou José Andrade.





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