Ator português Joaquim de Almeida ao PT: “Infelizmente em Portugal aposta-se muito pouco na cultura e nas artes”

by | May 6, 2026 | Cultura

 

Joaquim António Portugal Baptista de Almeida, o mais internacional dos atores portugueses, natural de Lisboa, 69 anos de idade e que viveu durante 21 anos em Santa Mónica, Califórnia (é também naturalizado americano), agora a residir há um ano em Portugal, esteve recemente entre nós sendo um dos apresentadores da 14ª edição dos International Portuguese Music Awards, realizada no sábado, 25 de abril, no Providence Performing Arts Center.

O ator teve tempo para falar à nossa reportagem tendo manifestado o seu apreço por este evento e por todo o apoio da comunidade pelas mais diversas formas.

“Trata-se sem dúvida de uma bela iniciativa que dá uma excelente visibilidade de toda a comunidade artística da diáspora lusa valorizada por este excelente teatro, que é o Providence Performing Arts Center que eu desconhecia e esta é a primeira vez que marco presença nos IPMA embora já tivesse sido convidado várias vezes para cá vir”, começou por dizer Joaquim de Almeida, momentos antes do início do espetáculo.

Sobre a situação atual da artes e da cultura em Portugal, Almeida não se fez rogado e deixou críticas aos governos:

“Infelizmente em Portugal os sucessivos governos nunca apostaram forte num investimento na nossa cultura e nas artes, mas devo dizer que há muitos valores novos a surgir no nosso país, designadamente jovens realizadores e escritores que estão a trabalhar muito bem dando uma nova vida ao cinema português, mas os atores em Portugal infelizmente têm que viver mais das telenovelas e do teatro do que do cinema, uma vez que investe-se pouco na sétima arte”, refere o ator português, adiantando no entanto haver alguma evolução e maior visibilidade dos nossos atores, escritores e produtores no estrangeiro.

“O facto de estar a residir em Portugal e de estar muito próximo do nosso mundo das artes e do espetáculo, noto no entanto que há muitos estrangeiros que apreciam aquilo que se vai fazendo no nosso país, até porque Portugal, sendo um país que está na moda, pela sua segurança, pela qualidade de vida, o nosso clima e gastronomia e pela hospitalidade da nossa gente, tem acolhido cada vez mais norte-americanos, alguns que conheço provenientes da Califórnia, que preferem viver no nosso país e isso é benéfico para Portugal”, reconhece Almeida, que tem um filho a viver em New York e que abriu recentemente, com uns amigos, um restaurante.

A viver em Portugal e afastado do showbiz americano, não prejudica a sua carreira: “Trabalho em qualquer parte do mundo, mantenho os meus contactos com produtores, realizadores e toda essa gente envolvida no cinema em Hollywood, embora agora faça menos filmes, porque também começo a ficar cansado e é altura de gozar um pouco mais a vida, mas estou disponível para fazer qualquer coisa tanto em Portugal como nos EUA”, esclarece Joaquim de Almeida reconhecendo que foi através dos filmes americanos que ganhou grande popularidade.

“Sim, foram os filmes americanos, como “Desperado”, “Clear and Present Danger”, “The Honorary Consul”, “Behind Enemy Lines”, “The Guilded Cage”, e séries como “The Queen of the South”, “The West Wing”, “Miami Vice”, “The Mentalist” e muitas outras”, que me deram grande visibilidade na minha carreira e o facto de falar vários idiomas facilitou a participação”, conclui o mais internacional dos atores portugueses.

 

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