Efeitos da solidão

by | Apr 8, 2026 | Haja Saúde

 

(adaptado de um artigo da Harvard Medical School)

 

Desde o desejo de um abraço, a necessidade de uma mão amiga quando precisamos, ou mesmo somente ter alguém com quem conversar no fim de um longo dia, todos nós entendemos bem o mal que a solidão pode causar. Durante toda a história os seres humanos dependeram de outros para sobreviver ou simplesmente para satisfazer um sentido de comunidade. Como tal, os nossos cérebros adaptaram-nos a criaturas sociais.

Mas afinal, o que é a solidão? A melhor definição é a de uma sensação de desconforto ou inquietação que vem de nos vermos sozinhos, o sofrimento emocional que sentimos quando a nossa necessidade de companhia ou intimidade não é atendida. A solidão normalmente é passageira, pois frequentemente encontramos quem nos acompanhe, mas pode ser também crónica e bastante severa com consequências muito prejudiciais á saúde. Mais ainda, hoje sabe-se que a solidão pode causar vários problemas do funcionamento cerebral:

1 – A solidão pode causar “desejo” de companhia tão severos como a fome ou sede, e quando destes desejos não são atendidos a resposta é de stress elevado e sentimentos de incerteza.

2 – A solidão pode tornar-nos mais hostis e pessimistas. Este facto é fácil de entender do ponto de vista evolutivo, já que alguem sozinho pode ser um alvo mais fácil, daí a hipervigilância e pessimismo. Mais ainda, pessoas solitárias tendem a portar-se de modo hostil com outros, uma defesa psicológica (e inconsciente) para evitar serem rejeitados novamente, mas cujo resultado é o de que os outros se afastam ainda mais. 

3 – Sentir a solidão pode fazer-nos menos confiantes nos outros, e como tal os solitários tendem a partilhar menos, uma resposta a sentir ameaças potenciais com mais frequência do que os indivíduos mais gregários.

4 – A solidão pode contribuir para o declínio cognitivo (memória, concentração). A interação social e o prazer que isso dá ajuda a manter níveis sanguíneos de uma proteína  chamada BDNF que ajuda a manter uma área do cérebro – o girus dentado – com bom volume, o que é essencial para boa memória e orientação. Estes foram os resultado de muitos testes feitos a uma tripulação de técnicos que passou 14 meses isolada na Antártida. Todos tinham pior memória e concentração. 

Em resumo, a solidão não é só um problema social, é um potencial problema médico e deve ser evitada. Tente aumentar o seu círculo de amigos ou contactos sociais, nem que seja no seu emprego. Diz o ditado “quem cansa sempre alcança” e como tal não se resigne a uma existência solitária, se é o contrario que deseja. Tente ser mais ativo fisicamente, emocionalmente, e socialmente. 

Haja saúde!

 

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