Mundial2026: Uruguai – Cabo Verde

by | Jun 22, 2026 | Desporto

 

Miami Gardens, Estados Unidos, 22 jun 2026 (Lusa) – Declarações após o jogo Uruguai-Cabo Verde (2-2), da segunda jornada do Grupo H do Mundial2026 de futebol, disputado no domingo, no Estádio Hard Rock, em Miami Gardens, nos Estados Unidos:

– Marcelo Bielsa (selecionador do Uruguai): “Começámos bem e o melhor que fizemos em todo o jogo foi até ao primeiro golo de Cabo Verde, porque recuperámos a bola com muita facilidade e isso permitiu-nos atacar com boas sensações. Custou-nos a assimilar esse revés, mas fechámos a primeira parte com dois golos e o resultado era merecido ao intervalo.

No segundo tempo, tivemos a bola, mas não atacámos bem, não fechámos o jogo e sofremos outra vez. Perto do fim, criámos situações claras, mas tanto podíamos ter vencido como perdido.

Não fiquei surpreendido [com o desempenho de Cabo Verde]. Frente à Arábia Saudita, as diferenças foram muito marcadas. Neste jogo, não há dúvida de que o Uruguai tinha melhor equipa, mas tinha de demonstrá-lo. Para mim, o momento decisivo são os primeiros 15 minutos da segunda parte. Não criámos perigo e sofremos golo.

É mau ter empatado dois jogos que eram para ganhar. Temos de defrontar a Espanha com a necessidade e obrigação de ganhar. É um grande desafio para mim, que sou o responsável por não termos alcançado mais do que dois pontos, e para a equipa, que tem a oportunidade de melhorar a sua imagem contra um grande adversário”.

– Bubista (selecionador de Cabo Verde): “Desde o início, dissemos que queríamos competir ao mais alto nível e estamos a tentar fazê-lo. Mais do que o resultado, temos mostrado a nossa identidade, força, união e resiliência.

Viemos para tentar um novo sonho, que é a qualificação para a fase a eliminar. Penso que é legítimo pensar dessa forma depois do que fizemos perante duas seleções de top mundial.

Respeitamos os adversários e sabemos da qualidade que têm, mas estamos num ponto de dizer claramente que vamos lutar pelo apuramento. Qualquer equipa tem possibilidade de passar e os jogos [da terceira e última jornada] serão difíceis para todos.

Tentaremos. Os atletas estão com essa vontade e fé. Penso que mostrámos isso, num encontro que foi duríssimo, difícil e teve características diferentes do primeiro [empate 0-0 com a Espanha], por causa da agressividade, intensidade e qualidade do adversário.

[Sobre um alegado gesto antidesportivo do Uruguai no lance do 1-1] Fiquei um pouco irritado, até porque Marcelo Bielsa ensinou-nos a ter ‘fair play’. Fiquei frustrado, mas faz parte do jogo e do crescimento da nossa equipa. Também deveríamos ter evitado essa situação e colocado a bola fora naquele momento. Foi uma mistura de erros. Tentámos fazer as coisas à nossa maneira. Às vezes, é normal que os futebolistas se sintam pressionados em algum momento. Por algum motivo, o Uruguai não parou o jogo.

Temos de ter os pés no chão, sabendo que o próximo jogo será difícil. A Arábia Saudita também tem possibilidades de qualificação, daí que, sinceramente, não veja nenhuma vantagem para nós. Pelo contrário, temos de ter o respeito necessário e a atitude correta para encarar a partida com a máxima seriedade e desportivismo. Devemos isso a todos os nossos adversários. Queremos que as pessoas fiquem a conhecer Cabo Verde pelo que somos. Esta equipa é a identidade do nosso povo.

Estamos a demonstrar que um país pode ser pequeno e ter dificuldades financeiras, mas, se tiver resiliência e capacidade de sofrimento e trabalhar com organização, consegue ombrear com as grandes seleções. Devemos isso ao nosso continente e ao nosso povo. O desporto, e o futebol em particular, têm a ver com organização, coragem e determinação. Quando se entra em campo, e por mais que o adversário seja dos melhores, muitas coisas se igualam. Pegámos nisso para demonstrar aos outros setores da vida que se podem conseguir as coisas, mesmo com dificuldades, desde que haja um sonho e se corra atrás dele”.

 

 

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