Vem aí pancada

by | Mar 25, 2026 | Crónica do Atlântico

 

1 – APERTAR O CINTO Tal como prevíamos há quinze dias, na crónica sobre “A tempestade perfeita”, vem aí pancada da grossa.

Os efeitos da guerra de Trump vão trazer novo aperto do cinto, a começar pelo aumento dos combustíveis e, provavelmente mais à frente, o agravamento das taxas de juro para as famílias e empresas.

A pressão inflacionista tem sido devastadora para nós açorianos, porque é agravada pela nossa condição geográfica, aumentando o custo de vida, como já tinha acontecido na pandemia e na crise de 2022, a seguir ao início da guerra na Ucrânia.

Nas crises anteriores perdemos milhares de postos de trabalho na construção civil, centenas de famílias tiveram que recorrer aos apoios ao crédito à habitação, o desemprego disparou e os bens alimentares ficaram proibitivos.

Atendendo ao histórico, estamos agora mais preparados para criar mecanismos que atenuem  a crise, bastando copiar o que de melhor correu nas crises anteriores.

Para já, esteve bem o Governo Regional ao decidir intervir no ISP agora em Abril, avançar novamente com o apoio ao crédito à habitação se os juros subirem e monitorizar os preços dos bens alimentares todos os meses, em vez dos 3 a 3 meses como até aqui.

A nossa dependência alimentar já era um caso grave sem crise, imagine-se agora com o risco da inflação a galope.

É preciso manter olho aberto com o sector retalhista, sabendo-se que, no último ano, a inflação geral nos Açores esteve sempre controlada (à volta dos 2%), mas as categorias dos “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” mantiveram-se sempre acima dos 5% (5,6% em Fevereiro), assim como a restauração e serviços de alojamento (6,7% em Fevereiro).

Se houver problemas de abastecimento a tempestade será ainda pior, pelo que é avisado estar bem atento aos mercados, ficando claro que o prometido avião cargueiro faz agora muita falta para uma necessária circulação de produtos regionais.

O tal mercado regional, que nunca existiu, seria agora uma enorme ajuda à nossa dependência alimentar, em vez de termos ilhas a queixarem-se de escoar o peixe, carne e outros produtos.

Num cenário destes, proceder a um aumento de taxas de handling para o escoamento de pescado, a partir de 1 de Abril, não é nada avisado.

A escalada de preços que se avizinha obriga, também, a um apoio especial às famílias mais carenciadas.

Em teoria, não é preciso inventar. 

Basta copiar o que de melhor resultou nas crises anteriores.

 

2 – ANNUS HORRIBILIS Não há volta a dar, por mais que tentem corrigir tarde e a más horas: o Governo da República e o Governo dos Açores arrastaram o PSD para um enterro político com este processo trapalhão do subsídio de mobilidade.

Está a ser um “annus horribilis” para o PSD-Açores, que foi incapaz de privatizar a SATA, não conseguiu manter a Ryanair, está agora envolto em buscas judiciais que não sabe explicar aos cidadãos e reagiu atordoado ao centralismo do ministro Pinto Luz.

Num cenário desastroso como este, os eleitores já se esqueceram da Tarifa Açores e da baixa de impostos.

Agora só esperam pela inevitável remodelação no governo.

Se não quiser ser remodelado em antecipadas…

 

3 – HUMOR A política sem humor não tem graça nenhuma.

Os socialistas açorianos estão eufóricos com os disparates da governação.

Vai daí, resolveram trazer aos Açores o ex-ministro das Finanças do governo de má memória de António Costa.

Fernando Medina veio anunciar a chegada do diabo, em forma de resgate financeiro regional, com a curiosidade de ele próprio já ter contribuído para tal, com muita antecipação.

Foi em 2018, quando resolveu subir a montanha da ilha do Pico sem autorização e sem pagar.

Foi multado, claro.

Foi o seu modesto contributo para o resgate.

 

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