25 Abril: Câmara de Ponta Delgada e promotores das comemorações sinalizam “valores” da revolução

by | Apr 22, 2026 | Outras Notícias

Ponta Delgada, Açores, 22 abr 2026 (Lusa) – O presidente da Câmara de Ponta Delgada e a Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril sublinharam hoje, na apresentação das comemorações da efeméride a nível local, os “valores essenciais” da revolução de 1974.

Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, considerou que “celebrar o 25 de Abril é uma obrigação de todos” para “salvaguarda dos valores essenciais como a democracia, a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão e a vivência numa comunidade democrática onde a opinião de cada um é valorizada”.

O autarca, que intervinha na apresentação, por parte da Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril, do programa a cumprir no próximo sábado, que conta com o apoio do município, destacou que a revolução “trouxe a possibilidade de, em diálogo, construir uma sociedade mais justa, equitativa e solidária”.

Pedro Nascimento Cabral referiu que, no ano em que se assinalam 50 anos de autonomia dos Açores e Madeira, deve-se “defender ainda com mais veemência os valores de Abril”, uma vez que se vive numa sociedade que, “cada vez [mais] dá mostra de intolerância, de falta de diálogo”, sendo que “o clima de paz deixou de existir”.

“Nunca podemos deixar que a arma da prepotência, da arrogância, da intolerância vença a arma da democracia, da liberdade e solidariedade”, disse o autarca.

Filipe Cordeiro, porta-voz da Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, considerou que as comemorações “exigem uma atenção muito particular”, porque a democracia está a ser “assediada por valores que tentam, de forma clara e objetiva, recuperar algo anterior” à ‘Revolução dos Cravos’.

O responsável referiu que se pretende assinalar este ano os 50 anos da Constituição, os 50 anos da autonomia política e administrativa dos Açores, a par da “defesa da democracia e da paz”.

Filipe Cordeiro recordou que o movimento nasceu “porque há uma geração de militares que, cansados de estarem numa guerra colonial, e tendo a noção que ela não fazia sentido, decidiram pôr mãos à obra e criaram o 25 de Abril”, sendo que a adesão da população “dá-lhe um cunho mais abrangente”.

“A paz foi a primeira motivação de fundo que os capitães de Abril tiveram”, frisou, para salvaguardar que na guerra colonial “morreram perto de 10 mil jovens e há dezenas de milhares com stress pós-traumático”, e “ainda existem algumas famílias que, 52 anos de depois, estão destroçadas pela perda de filhos, maridos e amigos”.

As Portas da Cidade, em Ponta Delgada, vão ser palco, como é habitual, das comemorações, onde haverá animação musical.

 

 

 

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